sábado, 11 de junho de 2011

PIRÂMIDES - UM ESTADO DE ESPÍRITO

O vôo para o Cairo foi um grande tour pela Europa. Não era difícil divisar e identificar cidades e rios. Mas o mais fantástico foi a visão dos Alpes. O contraste do verde com as neves eternas, os vales, desfiladeiros e precipícios,  a entrada na Itália. A seguir o bordejo pelos países de leste, antiga Iugoslávia, hoje Sérvia, Montenegro, Bósnia e outras, e a insuperável visão da Grécia, com todos os cortes e recortes e aquele mar de cor inimitável. O famoso azul marinho. Foi rápida a inserção no Continente Africano devido a proximidade do Cairo com o Mediterrâneo. Pouso tranqüilo, diferente da saída de Londres, que desde a erupção do vulcão islandês #$%^rjhlmn&@” foi tomada por ventos muito fortes e gelados. O avião trepidou para subir e parecia com dificuldades de vencer aquela barreira de vento. Fiquei apreensiva. Superado o espaço aéreo do UK, e com a entrada no Continente Europeu, tudo serenou.

Passamos sem percalços pelas aduanas . Estava nos esperando no saguão do aeroporto do Cairo o Sr. Ricardo, um alegre e simpático guia egípcio que nos orientaria na visita à cidade.

Do aeroporto fomos direto ao Hotel Oásis, nosso alojamento por três dias.

 O hotel fica em Gizé, na grande Cairo e próximo do nosso principal objetivo da visita: as Pirâmides. Logo das primeiras coisas que vimos foram esses legendários monumentos, recortados contra o horizonte enfumaçado (empoeirado) do deserto.


O hotel, como o nome sugere, é um verdadeiro oásis de verde e flores, com jardins muito bem cuidados. O pessoal da recepção e de serviços sempre tem sido bastante cortês e gentil. Gostamos muito. Trata-se de um resort, com os quartos todos voltados para os jardins, muitos passáros e água corrente, fontes, um mar de tranqüilidade e bem estar.

O fuso horário aqui também se altera em relação a Londres. Em princípio regulamos o relógio para duas horas a mais e achávamos que todos estavam sempre atrasados. Depois descobrimos que a diferença é de apenas uma hora. Os apressadinhos éramos nós.

Adiantando a programação marcamos com a empresa,  a visita às pirâmides para o dia seguinte. Difícil conter a vontade acumulada por uma vida toda. Aí pelas dez da manhã chegou nosso novo guia Sr. Gabriel, pessoa muito afável e alegre, que nos conquistou com o seu jeito calmo e gentil. Nos levou a seguir a ver o objeto do nosso desejo.

Bem..., é indescritível a sensação de admirar de perto aqueles tesouros. Filmes e revistas, fotos de parentes e amigos, livros de história, romances, policiais e dramas, nada supera o contato visual, físico, o apreciar de perto aqueles  monumentos à imortalidade. Só aguçam a curiosidade, mas não tem o dom de transmitir o encantamento e a beleza daquelas obras. Pedra sobre pedra, enormes rochas cortadas em blocos, pesando toneladas cada um e transportadas ao seu exato lugar há cerca de quatro mil e quinhentos anos por trabalho quase que exclusivamente braçal.

Primeiro surgiu diante de nós a elegante  Quéops, soberba, única, uma gigante a desafiar o tempo (vencida parcialmente nessa batalha onde perdeu seu topo, o que , contudo não lhe tolhe a majestade) .


A seguir Quéfrem, menor um pouco, mas ainda expondo no topo os mármores dos seus primórdios, veste que lhe cobria o corpo e dava uma aparência de objeto polido, acabado. A maior parte da cobertura foi retirada pelos saqueadores ao longo de sua existência. O nome e a postura me sugerem uma pirâmide feminina.

 Rodeamos observando os monumentos menores que gravitam em volta das grandes e foram destinadas a servir de câmara morturária à mãe, à esposa e às irmãs do faraó.

 Na maganetizada área de Quéfren existe ainda o museu da barca solar, contendo o mais antigo barco do mundo, capaz de navegar. O barco foi todo remontado, uma vez que os arqueólogos o encontraram desmontado. O trabalho de remontagem durou cerca de dois anos. Danificado ficou apenas um dos remos, mas encontra-se junto do barco, ao pé de sua réplica . A madeira do qual é constituído é o sicomoro, madeira dura, com a resistência certificada pelos seus 4500 anos de existência, rija, quase intacta.



Por fim estávamos diante da pequena Miquerinos, a filhote. Faz sentido: pai, mãe e filho. Pequena só na comparação dos monumentos entre si, porque é uma grande construção também.

Miquerinos está aberta à visitação , depois de enfrentarmos poucos metros debaixo do escaldante sol do deserto, ingressamos nas suas entranhas. Vai-se descendo, por uma tábua, com freios espaçados na altura de uma passada. É escorrregadia, há que se tomar cuidado.

 O seu coração contém o local da camara mortuária e outros compartimentos onde foram  guardados os tesouros: jóias, móveis,objetos, alimentos,  para ajudar o morto na próxima vida.

Mesmo vazia, o contato com a história do lugar é uma sensação muito gratificante. Fico pensando porque o ser humano teria este sentimento, porque este prazer em ver e reviver o passado, a história dos ancestrais. Talvez seja a vontade de entender a sua evolução o pensamento predominante em cada época, atestar a capacidade criativa do ser humano. Eu me regozijo, hoje e canto aos quatro ventos: estes meus olhos mortais já viram  e se deliciaram diante das eternas Pirâmides do Egito!

Esfinge? Ah! Ia me esquecendo que ao pé das inimitáveis Pirâmides existe um gatinho que vela por elas e as vezes ruge para mostrar vigilância e autoridade....mas isto é um capítulo menor...


domingo, 29 de maio de 2011

DE VOLTA PRO MEU ACONCHEGO...




O vulcão , na Islândia, começa a se remexer em suas profundezas. Desperta de seu torpor , agora anual, e lança rolos de fumaça nos céus do hemisfério norte. Michele Obama em visita oficial a Irlanda sente os efeitos dos ventos fortes que começaram a se formar . Os jornais britânicos flagrando seus cabelos eriçados trataram de mostrar o new look punk da primeira dama americana.

Em Londres os ventos chegaram fortes e gelados. Apesar disto o sol lutava com estes ares inesperados e tratava de brilhar lindo e cálido, não se deixando vencer pelo fenômeno natural do país vizinho. Direitos naturais da nova estação. Quem poderia negar uma primavera alegre àquela sofrida Londres, tão maltratada pelo rigoroso inverno?



Saímos de São Paulo dia 18 de maio. Viagem tranqüila, sem turbulências ou atropelos. Tudo correu tranqüilo nos céus do ocidente até a chegada ao destino, antes das 7 horas da manhã do dia seguinte.

 A visão do continente Europeu foi uma injeção de ânimo, uma vez que o céu sobre Portugal e Espanha estava claro e a manhã raiava gloriosa.

Terminal 5 de Heathrow.  Long poll at the Police border, annoying, mas finalmente liberada para a entrada no UK.

Tínhamos tempo de sobra porque o check in no hotel seria só as duas horas da tarde. Fomos retirar dinheiro, carregar o Oyster card (top up) e tomar um café no Panini. Pegamos finalmente o “tube”, linha azul Picadily. Poderíamos ter tomado o Express, mas havia lembranças a resgatar naquele conhecido percurso e nos decidimos pelo velho e bom underground..

Descemos em Whitechapel,

 na mesma estação fizemos o tranbordo para o overground, destino Estação de Hoxton, em Shoreditch,onde ficava nosso hotel. , o THE RE SHOREDITCH. Trata-se de um hotel novo , cheirando a tinta, quatro estrelas que deve atender os turistas nas próximas Olimpíadas. Gostei muito , o atendimento é impecável, com todo o conforto, inclusive uma tábua e ferro elétrico, a mão, para emergências de roupas amassadas.


No entanto chegamos cedo, antes de 11 da manhã e só tivemos a opção de deixar as malas no maleiro, pois os quartos ainda estavam ocupados. Voltamos para a cidade cheios de vontade de rever todos os pontos que povoam nossas lembranças, nossa saudade.

Descemos na nossa arqui conhecida Holborn e acabamos fazendo a primeira parada no incrível restaurante italiano “Rossodisera”, cuja comida é saborosíssima, desde o couvert de pão italiano quentinho com azeite de oliva, até o main course, um grosso filé servido numa cama de rúcula ricamente temperada, e finalizada com lascas de queijo parmigianno . A carta de vinho é muito correta e tudo sai perfeito e a gente vai lavando a alma.

Saímos andando a esmo pelo bairro , alcançamos Covent Garden, entramos pelo charmoso Market, olhamos todas as lojas, com uma moda primaveril que me encantou pela beleza da combinação das cores ( listas, verde combinando com azul marinho e branco, tons pastéis para neutralizar em algumas peças, etc..). Descemos pela Long Acre até Leicester Square, cruzamos na direção Picadilly, cheia das infindáveis obras para as Olimpíadas. Através os tapumes alcançamos Picadilly Circus e automaticamente tomamos a Regent Street , sempre devagar e sorvendo cada detalhe ingressamos na Oxford Street. Depois de entrar na John Lewis caminhamos ainda até a Selfridge, quando decidimos voltar. Voltamos por Trafalgar Square, sempre a pé. Aí já estávamos muito cansados, depois de uma longa viagem e desse longo tour pela cidade.


O retorno ao hotel foi uma bênção. Após um frugal lanche, caímos exaustos na cama e dormimos longa e pesadamente para recarregar as energias pois o dia seguinte prometia. Também tínhamos que organizar logo o fuso horário, que agora é de 4 horas de diferença com o Brasil...







sábado, 12 de março de 2011

CLAUDIA E FAMILIA VIAJANDO PARA UK

Estou escrevendo para a leitora Cláudia P. do nordeste, que me pergunta que roupas usar no final do ano na Escócia e Inlgaterra.Como ela não me deu nenhum endereço de email o único contato é por meio desta postagem. Entào, lá vai Cláudia:
Final de ano na Grã Bretanha é muito frio mesmo. Quanto mais ao norte, mais frio. As temperaturas são sempre bem abaixo de zero. Em Inverness,  por exemplo,  no nosso  primeiro dia por lá  a temperatura máxima era - 8 e a mínima  - 13. Criança suporta bem, meus netos de 1 ano e 10 meses e o outro de  4 estavam sempre felizes. Como vc deve ter visto nas fotos, eles foram bem protegidos, quando andávamos pela cidade e o carrinho era fechado com plástico.
Meninos da idade dos seus devem usar roupas e botas próprias. Eles vão adorar a viagem e  gostar de brincar com a neve e na neve.(existem uns trenós de plástico para vender na Escócia - nas lojas de esportes de inverno na Princess Street. Custam barato, cerca de 12 libras e depois vc pode deixar por lá, porque é um trambolho, impossível de carregar na bagagem. Atrás do Palácio Holyrood House, na Royal Mile,  tem uns morros onde o pessoal da cidade brinca com esses trenós.  Eles também  podem patinar nas pistas de gelo que se espalham por todo o Reino Unido. Leve-os a teatro, sempre tem peças do interesse da faixa etária deles.  Procure se informar nas lojas que vendem ingresso em Leicester Square (Londres) ou na estação de metrô  do mesmo nome. O Museu de História Natural  de Londres é ótimo para eles porque além de fantásticas atraçoes, tem dinossarauros robotizados que se movem. As lojas do museu tem coisas interessantes para todas as faixas etárias. Eles devem gostar bastante do British Museum ( Estação Russel Square ou Holborn do Metrô). Estao lá os maravilhosos mármores do Pártenon. Há muitas múmias, de animais domésticos a reis e rainhas. Está lá a Pedra de Roseta que permitiu decifrar os hieróglifos, há um templo grego erguido dentro do museu. Enfim, coisas do maior interesse para estudantes e turistas em geral.
Quanto as roupas de frio compre todas por lá, exceto a que vcs forem vestidos, claro! Em dezembro os preços já começam a cair, antes mesmos das grandes liquidações. Dá para comprar casacos lindos a bom preço. Na verdade há casacos para todos os gostos e bolsos. Mas eu recomendo que vc compre um longo ou semi longo para ficar bem protegida.  Toda a família deve usar botas de neve, forradas de pele, (escolha as impermeáveis por fora, porque senão a gelo acaba molhando a bota e o desconforto é grande. Imagine pé molhado naquele frio). Meu filho comprou na Decatlon, em são Paulo. Procure uma perto de sua região. Se não for possível venha a São Paulo ou peça a algum amigo para fazer estas compras para vc. Se vc quiser arriscar e ir de tênis simples, use um de couro. Em Londres vc encontra boas botas e sapatos de inverno,  a bom preço nas lojas esportivas da Oxford Street, no Picadilly Circus ( imediaçoes), no Shopping Westfield ( o maior da Europa, fica na Estação Shepherds Bush, da Central Line do Metrô, ou ainda  junto a pista de patinação no gelo, na Sommerset House (estas eu gostei mais, porque bonitas e a preços bons). Fica na beira do Tâmisa, Estação Temple. Botas forradas de pele para crianças  eu comprei em Campos do Jordão , na CROC, que fica no Shopping Geneve, no centro do bairro Capivari. São boas, concorreram com as botas que comprei em Praga. Não sei se teria o mesmo produto em São Paulo, não conheço lojas da CROC em São Paulo.
As roupas de inverno ficam baratíssimas em janeiro, mas é possível comprar no começo do inverno blusas de lã na Primark, na Marks Spencer ou na Zara a preços incriveis ( entre 2 e 9 libras), o que significa entre 6 e 27 reais. Estas lojas vc encontra por toda a cidade, mas as maiores estão localizadas na Oxford Street e imediaçoes. Para vc que é do Nordeste pode ser interessante comprar lá e depois deixá-las  para as camareiras dos hotéis, porque elas não tem longa vida (elas tem bom aspecto, mas logo enchem de bolinhas), então por um mês dá para usar e vc não superlota as malas para o retorno  ao Brasil. Traga só os souvenirs e presentes mais úteis, para serem usados na sua região de clima quente.
Calças de lã  eu achei difícil de comprar, porque são todas de lãzinha fina. Usei mesmo as que levei.Se vc pretende comprar algumas por lá e não encontrar calças de lã reforçadas,  não se esqueça de comprar meias de algodão grosso para reforçar a proteção. Uma boa loja é a Acessorize ( vende meias, luvas, bolsas, gorros e tem uma em cada esquina). Peça as mais grossas, elas aquecem bem e são de boa qualidade.
Se vc quiser usar vestidos é possível, mas use botas longas (tbém com  meias grossas). A Mango tem vestidos bem interessantes. Mais uma vez passe na Accessorize  vc vai encontrar boinas, chapéus,  gorros de lã e echarpes. Veja o que cai bem para vc e compre porque é imprescindível proteger a cabeça e as orelhas, senão vc não aguenta na rua, o frio é terrific.
Para as crianças gorros, luvas, meias calças ou ceroulas. Se não achar para a idade deles compre meias calças femininas. É para usar por baixo da roupa mesmo e ninguém vais checar, não é? Pro marido compre impermeável e sobretudo, ou capa de chuva.As capas são   muito elegantes. Luva de couro é bonita mas pouco prática porque NÃO aquece. Procure luvas de um tecido tipo plush, são superquentinhas ( para toda a família).
Se vc quiser trazer as roupas de frio, de melhor qualidade ou grife compre na Selfridge ( Oxford Street) ou na Harrods (Brompton Road, Knightsbridge ), ou ainda no Westfield Shopping Centre ( mas há lojas de rua de todas as grifes famosas em vários bairros, por exemplo em Chelsea, por trás da Harrods. Eu gosto de lojas de departamentos, do tipo Harrods ou Selfridge porque há mais opções, vc encontra um Max Mara ao lado de um Dior ou Valentino, ou ainda Chanel. Na Harrods eles atendem muito bem. são super atenciosos, já na Selfridge eles são mais frios e desinteresssados.
Deixe para comprar cashmere na Escócia, são baratos ( relativamente) e de melhor qualidade. As etiquetas apontam com 100% cashemere.
Finalmente, e resumindo, para não encher malas principalmente se vc for de trem, recomendo que vc compre cores básicas, duas ou tres calças, 4 meias grossas de algodão ( para evitar alergias) , 4 blusas de lã ( sueter), e outras 3 mais grossas. 2 casacos bons e grossos, 2 pares de luva (todo mumdo perde uma mão de luva, então é melhor prevenir). Para o marido um impermeável e um casaco de lã ( sobretudo ou curto ), mas leve ou compre umas 4 calças de lã e veludo. Compre ceroulas (tem na Primark e outras lojas de departamento , vem com camiseta de manga comprida e custa cerca de 10 libras). Meias para ele e sueter podem ser comprados nestas lojas. Tem variedade. Qualidade vc acha ba Regent Street e claro os preços acompanham. Mas pode ser um luxo desnecessário para vcs que moram em local quente e depois vão deixar as roupas no armário até a próxima viagem. Para os meninos compre meias e sueter nas mesmas lojas de departamentos, mas roupas mais específicas nas lojas esportivas (esportes de inverno).
Espero ter esclarecido suas dúvidas, mais algum esclarecimento entre em contato comigo. Mande seu email, assim que eu receber eu deleto a informação do blog, para não ficar pública. Aproveite muito a sua viagem.é uma excelente oportunidade para o convívio com os filhos .Eles nunca esquecerão e futuramente eles  contarão para os netos  os aspectos mais marcantes do passeio. É muito bom! Um abç Graça

sábado, 12 de fevereiro de 2011

UNEXPECTED BACK HOME OU O ENIGMA DAS PIRÂMIDES

A nossa última semana em Londres foi bem planejada, retornamos a vários pontos tradicionais da cidade.
Acima: troca da guarda, no Palácio de Buckingham
Começamos a nos despedir dos nossos restaurantes usuais, mas descobrimos que o Safadi fechara para reformas,  e a sorveteria  Hagen Daz,  em  Leicester Square parece fechada para todo o sempre ( What a pity!).
Na semana anterior  havíamos trilhado a Lowndes St para tirar o visto na Embaixada do Egito e estávamos pensando em deixar o visto da Jordânia para a entrada no país, uma vez que a  companhia de turismo informou que não há problemas em pegar o visto na entrada.
O mais importante seria o Egito, não poderíamos vacilar.
Foram muitas as passadas na HARRODS, que fica próxima a Embaixada. Vou descrever a loja para os interessados em outra postagem de dicas.
Desde quarta feira eu comecei a me preparar para as férias: manicure, luzes etc... Quinta feira, dia frio demais, acordamos cedo como sempre,  rumo a escola. Após as aulas , como caiam uns floquinhos de neve, resolvemos ir ao British Museum. Almoçamos num pequeno bistrô vizinho ao Museu  e fomos rever  algumas peças  relacionadas ao Egito, tiradas de tumbas e das pirâmides, além da pedra de Roseta, que encanta a todos que a contemplam e conhecem o seu valor histórico. Voltamos para casa, como sempre, a noite.
 Nas semanas anteriores viramos na BBC notícias de uma revolta popular na Tunísia. Isto nos soou distante. Uma mera notícia de acontecimentos pelo mundo. Mas na semana seguinte rumores davam conta de que alguma coisa similar estaria ocorrendo no Egito, nosso próximo destino. Arrumando as malas, parei para seguir a reportagem que já mostrava  imagens de manifestações populares não muito pacíficas. Comentei qualquer coisa com o Toninho e continuei  com a árdua tarefa de fazer caber meus "belongings" nas quatro malas que me sobravam (mandara uma para o Brasil pelos  filhos abarrotada com os casacos de lã, mas ainda sobrava muita coisa ..roupa de frio  faz mais volume). Fomos dormir.
Dia seguinte, último dia de aula e também do mês.
 A cada final de mês a escola faz uma virada, muda professores, livros e as turmas  também. Poucos colegas continuam juntos. Eu só tive uma colega que me acompanhou em todas as turmas por que passei: a Boram, da Coréia, uma menina sensacional. Somos ótimas amigas, apesar da diferença de idade. Ela deverá cursar universidade em Londres a partir do próximo ano. No dia anterior fui presenteada por ela com doces e salgadinhos típicos da Coréia. A comunidade coreana da escola, em geral era muito afável, com o seu costume, sua  timidez, sua refinada educação, sua fala baixa, mais do  que a dos londrinos, ou seja, quase imperceptível.
O dia então foi de despedidas. No intervalo eu e a colega Ella , da Rússia, saímos para comprar um buquê de flores para a Felicity, nossa teacher. Uma inglesinha pra lá de extrovertida, que fala mandarim e grego (ufa!) mas muito exigente com freqüência, lição de casa e atenção nas aulas (strict, como dizem os ingleses).
Recebi meu diploma . Se continuasse  estaria mudando de nível, para o Upper. Fiz boa prova. A Cultura Inglesa que me aguarde...
Depois do adeus à escola e a colegas, fomos almoçar  e a seguir para o hairdresser  que estava marcado há uma semana.
Quando voltamos a noite para casa Toninho estava preocupado. Escutei ele resmungar qualquer coisa semelhante  a “ é, a  situação no Egito está  engrossando, acho que não poderemos viajar”. Isto soou para mim como uma brincadeira. Imagina! Estamos com tudo pronto, passagens compradas, hotéis, tour e navio reservados! Nem pensar em semelhante hipótese!
Comentamos com a Mary, nossa hostess e ela demonstrou tbém preocupação, pois havia acompanhado as notícias pela BBC. Subimos para o quarto ligamos a TV. A  BBC, que embora repetitiva é confiável,  estava transmitindo direto do Egito. As notícias eram alarmantes e havia buxixos de que a família do Mubarak chegara a Londres (todo mundo vem pra Londres), com cem malas e por certo camelos e escravos..Júlio meu neto riu muito quando contei esta passagem, imaginando cem escravos levando as cem malas na cabeça, que, segundo ele, estariam abarrotadas  de cachecóis. Para uma criança de 4 anos ir pra Londres significa levar muitos cachecóis para proteger daquele frio inclemente.  Ainda estão frescas em sua memória as férias de Natal.
Já era tarde, decidimos deixar tudo preparado  e rumar para Heathrow logo cedo (nossas passagens estavam marcadas para as 14.00 horas). Estávamos programados para viajar durante 20 dias e depois retornar  a Londres após as férias. Nossas malas de roupas de frio ficariam sob a guarda da Mary.
Eu  ainda tinha esperanças de viajar, mas desde cedíssimo a BBC já falava da conflagração e da violência nas ruas. A operadora de turismo, de quem compráramos o pacote, nos orientava a irmos para lá pois não se tratava de nada sério. Estava desinformada.. na melhor das hipóteses.   O que víamos na televisão não deixava margem a dúvidas, resolvemos ir até os balcões da  Egypt Air em Heathrow para o cancelamento das reservas. Foi o que fizemos. Como estava encerrando nossa estadia, também era hora de sair da casa . Lá mesmo no aeroporto fizemos a reserva para o Hilton, que  fica no terminal 4, com o qual  o hotel tem acesso direto.
Acima: vista da janela do Hilton para o próprio hotel, tudo em armações metálicas e vidro,  permitindo ver a paisagem fora.

Facilitaria nossa vida, sem termos que tomar táxi com tanta bagagem e poderíamos monitorar de perto as negociações para nossa antecipação da vinda para o Brasil.  Reservado o hotel a próxima etapa era a conversa com a TAM.  A loja estava fechada e só abriria a uma da tarde. Fomos almoçar no Rouge, um restaurante nosso velho conhecido. É por sinal o melhor dos existentes no aeroporto, quem precisar comer no aeroporto é uma boa opção. Trata-se de uma cadeia de restaurantes  de comida francesa. Há boas saladas e um prato eu me apaixonei e sempre repetia : mushrooms (cogumelos) passados na manteiga, com ervas finas. Muito bom, é start, vem numa porção razoável para entrada. Depois do almoço seguimos para a TAM e apesar da insistência do Toninho não havia passagem para aquele mesmo dia. Eu também me recusava a sair assim, de repente, como se estivesse fugindo. Fugir, só da guerra. Eu não estava preparada psicologicamente para deixar Londres e interromper a nossa viagem ainda tão cheia de planos ..
A TAM conseguiu  lugares para nós no domingo...
Das mordomias que o hotel oferece só conseguimos  usufruir do confortável apartamento, para descansar, bem entendido! Fizemos o check in , no hotel, no meio da tarde.
Para buscar nossas malas, chamamos mais uma vez aquela empresinha de taxi do bairro que pede um preço e depois cobra outro..paciência. O imigrante que  dirigia o carro  era o mesmo de outros carnavais. Insistimos com ele sobre o preço, na saída Mary ainda gritou "tratamos por  GBP 15,  entendeu?! " Mas não adiantou, o danado quis cobrar 25 e por fim acabou deixando ( rsss) por GBP 20. O velho e conhecido truque de pedir mais para negociar e chegar ao preço pretendido.
Bagagens no quarto, tomamos o metrô para Picadilly. Subimos a Regent Street até a loja da National Geographic. Os meninos fazem aniversário este mês e adoraram as camisetas da loja, então fui lá comprar.
Depois ainda fomos nos despedir do Café Concerto (Regent Street), cuja entrada está sempre obstruída por orientais com suas máquinas fotográficas tirando fotos das vitrines e seus lindos bolos decorados. Já havia passado a hora do chá, que pena,  acabei tomando uma saborosa sopa, com um vinhozinho, pãezinhos e por fim doces, que a gente escolhe na vitrine.
Domingo fizemos o check out  no hotel  por volta das 12 horas e tratamos de ir pedir o VAT REFUND no aerorporto (explico tudo nas próximas dicas) .
Acima: passarela que liga o Hotel Hilton ao terminal 4 de Heathrow

Preenchi todos aqueles formulários, entrei na fila , que aquela hora não estava muito cheia.  O policiamento era ostensivo no aeroporto, policiais de metralhadora gritavam para que ninguém deixasse bagagem sozinha que eles destruiriam. O alto falante estava incansável tbém nas recomendações. Nunca tinha visto um aparato assim  em Londres, mas seguramente era por causa da questão do Egito e pelo fato da família do Mubarak ter ido para lá. Poderia sobrar pra Inglaterra, não convinha arriscar, principalmente depois dos atentados ao aeroporto de Moscou, muito repercutido pela BBC, prestigiando a colônia russa em Londres que parece maior que a brasileira.
Começamos  os procedimentos para o embarque passando pela polícia de fronteiras e os alarmes soaram para o Toninho.. Foi um deus-nos-acuda, revistaram ele dos pés à cabeça, teve que tirar os sapatos, enfim era apenas o hearing aid que ocasionou toda aquela apreensão. Cuidado disabled  and less able, em Londres estes problemas não são muito considerados e nem podem servir de pretexto para nada.
Depois disto ficamos ainda bastante tempo nas ilhas  de embarque, cercados de lojas por todos os lados. Lá dentro tem tbém uma mini-HARRODS, e dá para comprar os últimos souvenires.
Viajei de business class e a viagem foi bastante confortável. Há espaço para deitar o banco, a comida é diferenciada (tanto que tinha um enorme cabelo no meu fois gras..e eu odeio cabelo na comida argh). De todo modo o tratamento é  mais personalizado. Uma champagne logo ao entrar no avião que é para  fazer esquecer as dores do retorno.
Chegamos, não  avisamos ninguém. Viemos direto para casa. Os filhos mandavam torpedos e diziam para ligarmos o skype que eles precisavam falar conosco. A gente retornava os torpedos no nosso celular londrino que aqui é conveniado com a TIM e dizíamos que estávamos sem internet porque nos mudáramos para o hotel. A noite  os surpreendemos, com uma visita inesperada. Muita alegria no reencontro.
Não sei se este é o fim da estória, mas  esta viagem  foi abruptamente  interrompida. Ainda estou perplexa.  A vida não pára, mas estou de quarentena. Ainda não me acostumei com o calor, faz tempo que não o sentimos já que fomos para Londres ainda durante nosso inverno e no começo do outono deles. Também  não falei com os amigos e nem noticiei para os amigos londrinos que partimos.
Aqui tudo do mesmo jeito. Fui ao supermercado e ouvi bate bocas desnecessários, fiquei vermelha..achei que havia algo de errado, mas não havia. É assim mesmo. Não que eu pretenda importar cultura de outros povos, mas um pouco de polidez faz muito bem pra todo mundo. Lá não é comum gritar no trânsito, nem xingar na rua. A sensação de segurança é grande, você pode andar de noite nas ruas (quase) sem medo. Exceções lá só  existem para confirmar a regra. Portanto, quem não gostaria de ficar muito tempo num lugar destes? Todo mundo bem vestido, cheios de bons programas para fazer (muitos de graça),  dezenas de parques  na cidade, rios e ruas bastante limpos.  
Tá certo que a Grã Bretanha é um país velho, cheio de tradições, castelos e bruxas, rainhas e ladies, mas bem que eu gostaria de poder cantar ao mundo que meu país é melhor. Eu até tentei dizer que não eramos puro samba e futebol, falei das nossas riquezas, procurei explicar o grande teatro que é o carnaval e as coreografias, disse dos costumes como o chimarrão (o nosso tradicional tea...etc) e as outras danças, como as gaúchas, mas acho que ninguém acreditou. A imagem que se tem por lá é de uma gente dançando nas ruas, sem roupa. Se fôssemos polidos e limpos (falo de não descartar lixo pelas ruas),  seríamos um país perfeito, pois temos uma linda natureza, montanhas e praias, temos o Rio de Janeiro e Salvador, tantas outras, só que tudo minado pela  violência e pela impunidade (que é um ponto cultural forte nosso), muita insegurança, vida muito cara para a população, cidades poluídas e sujas. E líderes dando mau exemplo à população, mostrando que esperteza e levar vantagem é que é normal.
Ah! Esqueci de falar dos corruptos: escândalo por lá costuma dar cana! Um político, rico e poderoso fez um esqueminha de falsificar notas de compra para reembolso; em questão de um mês estava com a condenação decretada e cumprindo pena em prisão fechada. Quando comentávamos o caso com algum britânico eles ficavam desconfortáveis e envergonhados. Isto se chama dignidade, vergonha na cara.
Gostaria de um Brasil assim,  sem certas coisas...
FOI UMA EXPERIÊNCIA MARAVILHOSA...PASSOU...PÉS NO CHÃO... VAMOS TOCAR NOSSA VIDA POR AQUI..PORQUE SOMOS PARTE DISTO TUDO. GOOD BYE LONDON..... SEE YOU....
Quem sabe por onde e quando retomarei esta estória inacabada....

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

STONEHENGE E BATH

STONEHENGE E BATH

Foi um passeio casado. Visitaríamos nesse sábado os monumentos de Stonehenge e a cidade de Bath, com seus banhos romanos.
Fomos ver primeiro a estranha formação , sobre a qual só se fazem conjecturas, ninguém tem certeza sobre a sua origem e função.

O lugar é plano, levemente ondulado e   pode-se ver grandes distâncias de qualquer ângulo do terreno. É um lugar rural, com  propriedades de criação de bois (e que bois!), porcos e ovelhas. Estas últimas são cantadas em prosa e verso nas lojinhas de souvenirs do parque.


O sítio é muito próximo ao País de Gales, visível de Stonehenge quando o céu está claro. Gales naquele ponto  está muito próximo, é só atravessar um braço de mar. O que significa dizer que com ventos e a falta de barreiras naturais para contê-los ou amainá-los, o frio fica insuportável. A boca e os dedos ficam duros, congelados.

Mesmo assim foi possível apreciar a bela e misteriosa formação de pedras. Não se trata de nenhum colosso, e por isto pode decepcionar. De fato era difícil transportar cada uma das pedras por seres humanos primitivos que não dispunham de máquinas para auxiliá-los na árdua tarefa de levantar e assentar as pedras, mas é só. A sua importância reside no testemunho da existência de civilizações primitivas naquela localidade.
De Stonehenge fomos para Bath, patrimônio histórico da humanidade. O ônibus turístico parou junto à Catedral e ali diante da bela e solene igreja, fechada para reformas, foi reunido o grupo para a distribuição dos ingressos de visita às termas.


As termas foram construídas pelos romanos no século I da nossa era  e usufruídas por cerca de 400 anos. Abandonadas, no século XVII  foram redescobertas e reconstruídas para uso pelas  altas classes da Inglaterra. No século XX começou a restauração como a vemos nos dias atuais e as suas fundações romanas servem de base para a nova casa de banhos. Como  museu  abriga peças descobertas no local, tanto nas termas como no templo que lhe era anexo e dedicado a Sulis Minerva (fusão da deusa  celta Sulis com a romana Minerva). O sitio era chamado de Acquae Sulis pelos romanos, o que significa dizer que antes deles os celtas ocuparam o local e que havia um certo respeito dos dominadores pelos antigos habitantes e sua cultura.  Foram encontradas também lápides com o nome dos soldados mortos na localidade,  com  informações de idade e procedência. Dados muito importantes para arqueólogos e antropólogos estudiosos do perfil do povo que ali viveu.


Além disto ainda mostra o interior da primitiva casa de banhos, com canalização

e  piscinas. A temperatura da água que brota do solo é cerca de 46º centígrados e a quantidade que aflui diariamente é de mais um milhão de litros (informações ouvidas no local e confirmadas pela Wickipedia) .
O mesmo prédio abriga casa de chá,  SPA e loja de souvenirs e produtos variados.


A cidade não é só termas e possui outras atrações como o Royal Crescent, um complexo de edifícios em semi círculo, semelhante ao abaixo, que lhe fica vizinho. Este trata-se de um circus,  construído numa formaçaõ de 360º.

Tem ainda a Ponte Pulteney, sobre o Rio Avon, que se assemelha à Ponte Vecchio de Firenze.

O centro da cidade é interessante e as ruas comerciais são labirínticas e sem acesso a carros.
Saímos caminhando pela rua principal de comércio e seguimos até o Crescent. Depois voltamos para a beira do Rio para uma olhada na Ponte  Pulteney. As suas lojinhas voltados para o interior, pista de rolamento da ponte , não deixam transparecer a sua localização  tão privilegiada. Por dentro da ponte há uma escada de pedra que faz a ligação com a avenida beira rio, abaixo.

O rio é plácido e tem muitas aves aquáticas e até cisnes, mas esconde armadilhas mortais, que tem ceifado vidas dos mais experientes nadadores. Isto porque possui uma comporta e no local as águas ficam revoltosas e a correnteza é violenta.

A arquitetura embora diferente e bonita na sua visão de conjunto, individualmente olhando deixa transparecer uma certa monotonia e tristeza. De um lado há pouco verde, do outro muito concreto. Mesmo assim foi um interessante passeio e com isto encerramos nossas viagens pelo interior da Inglaterra. Daqui uma semana estaremos no

EGITO . Será?
Sim, lembram-se que falei nas primeiras postagens sobre uma estranha e misteriosa viagem que faríamos para encerrar este ciclo ? Pois bem, trata-se do Egito e da Jordânia. Resta saber se conseguimos chegar lá
Vocês vão saber estas e outras  aventuras na nova postagem, nos próximos dias!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

OLD YORK

O fim de semana não se mostrava promissor. O weather forecast dava previsões pessimistas sobre o tempo no norte da Inglaterra. Mas nós não tínhamos mais  muito tempo para escolha. Estávamos com passagem de trem sobrando e apenas mais três semanas no país. Pensávamos em conhecer ainda  uma simpática cidade inglesa, próxima à fronteira com a Escócia. Quanto mais ao norte por aqui, mais instável é o tempo e no inverno  as temperaturas são sempre muito mais baixas que no sul da Inglaterra. Parece que este ano ocorreram algumas alterações e o País de Gales e a Cornuália também ficaram imersos em neve e até sofreram com  enchentes.
Sexta feira, dia feliz, saímos de casa com as duas maletas (uma média e uma pequena) e fomos para a escola. Meio dia corremos para a Estação Kings Cross. Os planos eram de almoçarmos por lá e depois pegarmos o primeiro trem. Chegamos cedo, por volta de 12:30, lanchamos  numa das lanchonetes Subway, pois a Estação não tem restaurante. Partiria dali a pouco (1:20 pm) um trem para a Escócia, com parada em York -  a velha. Ótimo, chegaríamos cedo e poderíamos ainda fazer uns passeios pela cidade. O trem era da East Coast e a nossa passagem por ser flexível dava direito a qualquer trem (companhia) em qualquer horário. Só não tínhamos reserva, o que poderia dificultar algumas coisas, como achar lugares juntos, ou até mesmo sentar. Arriscaríamos.
O trem estava vazio, escolhemos os assentos. Quando partiu uma névoa escura cobria Londres, e uma garoa fina riscava a paisagem, confirmando as previsões meteorológicas. Paciência, poderíamos tirar o fim de semana para descansar no hotel. O famoso “lie in”. Bom.
À nossa frente viajava um senhorzinho de uns 90 anos. O alto falante anunciou a passagem do inspetor. Disponibilizamos as nossas passagens, o funcionário passou, muito gentil e sorridente, desejou boa viagem aos turistas de tão longe (nós) e continuou seu serviço. O velhinho nosso vizinho apresentou seu cartão, mas estava vencido. O inspetor explicou naquele tradicional inglês de muitos rapapés : “Sir, I´m afraid to tell you that you should be irregular... and so on..O velhinho não se alterou. Sorry, I’m awful sorry to tell you that I’ll give you a penalty. E o velhinho argumentava sem muita  vontade, que estava correto, ecc. O empregado insistia e começou a lavrar a multa , mas o velhinho com a fleugma britânica nem se a abalava. Um pouco alterado o inspetor pedia: Please Mr. sign here.
- No, I won´t, reiterava o velhinho, do alto de sua elegante capa verde musgo, de  forro xadrez e um belo cachecol sobre o tom.  Sorry Mr., but i’m quite sorry to advertise you that I’m calling the police…
Chiiii, falei para o Toninho, a coisa tá encrespando.
Fecham-se as cortinas, sai do cenário o inspetor. O velhinho continua impassível olhando o céu que já ia azulando, pela janela .
Abrem-se as cortinas, volta o inspetor, agora furibundo deixando de lado toda a elegância inglesa: Senhor eu sou uma autoridade e o senhor está me desrespeitando. Assine aqui agora! - Não!, foi a resposta. O inspetor começou a gritar feito um desvairado, mas não conseguiu demover o velhinho de sua intenção: nem assinar, nem pagar a multa.
Que stress, que falta de sossego, quando tudo parecia tão sereno tínhamos que ser testemunhas deste tremendo arranca-rabo inglês!
Mas parecia que tudo havia se acalmado, quando começamos a divisar a próxima cidade.
Fui ao banheiro e pela janelinha pude ver um movimento de policiais. Eu havia escutado também que o inspetor falava pelo rádio com alguém na estação, seguramente estava chamando a polícia.
O trem parou. Eu estava tensa, como será que eles tratariam o velhinho? Partiriam para agressão física? Cacetetes na mão?
Bem, a porta do vagão se abriu e entraram três sisudos policiais, com seus redondos e negros capacetes, uniformes impecáveis, sapatos lustrosos, algemas polidíssimas, quase um espelho. Se acercaram do velhinho: Good afternoon Mr. Could you folow us?. We must to talk to you...
Bem,  autoridade é autoridade e com um convite destes não há resistência possível. A conferência deu-se na intersecção de dois vagões. Tudo no mais puro estilo inglês de cordialidade e  civilidade. Contrariamente ao que eu pensava, os guardas procuraram apaziguar a situação, talvez por causa da idade do infrator. As vozes nunca se alteraram, mas o velhinho enfim foi convencido a assinar a multa de GBP 20, e pagar a passagem no valor de GBP 40. Ahahaha. Muito engraçado, para nós brasileiros. Agora posso soltar a gargalhada que ficou retida na minha garganta, com todo o inusitado da cena e da própria estória.
Chegamos a  York meia hora depois do fim dessa novela policial burlesca. O frio estava intenso, aqui sempre por volta de zero graus, variando a sua intensidade e a sensação térmica, com a presença ou não de vento.
Hospedamo-nos no Ibis, próximo a estação e as portas da cidade.Confiram:


 A primeira visão que tivemos foi da muralha, porque a estação fica do seu lado exterior, separado apenas por uma rua.

Feito o check in saímos passeando. Precisávamos fazer uma oração e resolvemos ir direto na Catedral de York.


Ao entrarmos vimos um anuncio de que iria começar em quinze minutos um serviço religioso com o coral da igreja. Foi muito bonito e solene, o "choir" era muito profissional, eles levam muito a sério qualquer atividade, mesmo que seja um hobby.

Depois disto ainda passeamos pela cidade velha, céu aberto, lua linda e cheia, muito prateada, dava um ar fantasmagórico à cidade, se esgueirando por trás de velhas torres de pedra, árvores secas, velhos prédios medievais abandonados, cemitérios de lápides tortas,  também muito antigos. Arrepiante.

Fomos jantar no restaurante Gert e Henry, comida saborosíssima e cuidadosamente elaborada, clima suave. Localizada na Market Street:


a velha casa de  1600 é de fato muito charmosa, com lareira da época, em ferro, que servia também de fogão para os seus primitivos moradores. 

Tudo fascinante, tanta história, tantas vidas passadas. Tudo ali, presente. Relembranças.


Fomos dormir, bom aquecimento. Acordamos por volta de 9:00 horas. Tomamos um bom café da manhã e pé na estrada. Caminhamos por sobre as muralhas, apreciando as casas de dentro e de fora.



Descemos no centro da cidade. Entramos  casualmente no parque onde está localizado o museu arqueológico de Yorkshire.

A região é muito rica neste aspecto porque por ela passaram celtas, romanos, saxões e vikings, além dos normandos. Há muitos vestígios destas civilizações: moedas, jóias, vasilhames domésticos, túmulos com inscrições. Das escavações foram retiradas  paredes, pisos de mosaico, utensílios domésticos. Voltamos à rua do  Mercado, que parecia de fato medieval, como se vê nos filmes.
Almoçamos frugalmente porque eu estava de olho na janta (depois conto). Caminhamos por todo o centro velho.

Seguimos para a Rua do Mercado, tão medieval que até parece cenário de filme. Compramos algumas lembrancinhas e panos de prato com receitas como a do  Yorkshire pudding.




A seguir fomos ao museu Viking JORVIK. Muito interessante. Entre áudio visuais e vestígios de escavaçôes se chega a uma sala com cadeiras tipo teleférico. Embarca-se e viaja-se no tempo, pela história dos vikings: suas casas, parte interior e exterior, quintais, criações, cachorros, mercados de peixe e de carne, barcos. Os cheiros são característicos da época e não chegam a ser agradáveis. Os bonecos são robotizados e se movem. Vale a pena ver, principalmente se estiver acompanhado de crianças e adolescentes. É como um parque temático.
Visitamos ainda a torre Clifords, cujo morro artificial foi feito pelos normandos em 1090.

Finalmente a tardinha, já escuro, fomos à tradicional Casa de Chá da Betty ( a janta de que falei acima) . É semelhante a Confeitaria Colombo, do Rio de Janeiro. Quem não se lembra da bela casa de chá em Copacabana, com piano (aliás quem tocava lá era um primo de minha mãe) e quitudes deliciosos?! 
A Casa da Betty  ( Bettys Cafe Tea Room) também tem um belo piano, música suave, baixelas de primeira qualidade, louça inglesa (nacional!) da mais requintada. O serviço é impecável, os salgadinhos servidos em bandejas de três estágios. Os docinhos muito bem decorados, sabores atraentes,  marzipan, marron glacê e outras iguarias. Não sobrou farelo. O chá veio servido  com leite, como quando eu era criança (e não gostava) mas resolvi arriscar. O gosto de infância prevaleceu sobre o paladar. Adorei. Foi o melhor chá completo que tomei no Reino Unido, o famoso 5 o’clock tea, que ninguém mais sabe o que é. Agora eles chamam de Afternoon tea. Que decepção!
Voltamos para o hotel, noite alta, jovens pelas ruas em grupos, roupas extravagantes, moças com sapatos altíssimos, mini-saias curtíssimas, vestidos leves próprios para  uma balada no Rio de Janeiro e não na velha York,  alguns graus abaixo de zero. Um frio de atormentar.
Domingo saímos novamente sem lenço e sem documento, rodeando as muralhas. O Rio  Ouse transbordou em alguns pontos.
A Municipalidade estava com bombas tirando o excesso das ruas vizinhas. Os moradores pouco se importavam com o pequeno incidente atmosférico e  corriam pela avenida que margeia o rio ou faziam remo, um esporte bem apreciado por aqui.
Chegamos por vias transversas ao centro, fomos visitar o  Museu do Castelo (York Castle Museum). O tema é relativo a casas vitorianas e a evolução até os anos 50 (1950). Bem ambientado,  ruas e armazéns, delegacias e escolas. Depois apareceram as primeiras máquinas domésticas, os “reclames”, as primeiras caixas de sabão em pó (rinso, etc..) Ainda mostraram um casamento, um funeral, nascimento nas mesmas épocas, tudo com documentos e fotos de habitantes da cidade. Também tem uma exposição de antigos brinquedos. Bastante interessante.

Almoçamos num restaurante italiano  o Piccolino,  do lado do rio, na 18, Bridge Street. É excelente a comida e o ambiente é refinado. Voltamos ao hotel, fizemos o check out e volta para Londres. Desta vez  sem " noise" , sem o velhinho do golpe. 
Ainda sobre York eu recomendaria por se tratar de cidade muito rica historicamente, por poder ser explorada em pouco tempo,por  ter uma arquitetura atraente e diversificada, comida excelente e povo muito afável. Apreciei.
Nos encontramos em STONEHENGE....sábado que vem.
 



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

ANO NOVO

Chegamos a Euston e logo tratamos de pegar aqueles confortáveis táxis ingleses, os pretinhos. Adoro aqueles carros, são a cara de Londres. Tem mais a ver com a circunspecta cidade do que os ônibus vermelhinhos de dois andares, cujo papel, apenas, é de  colorí-la.
Ao chegarmos no endereço,  Ricardo estava nos esperando na calçada; havia feito o check in, uma burocracia a menos para nos que estavamos querendo um repouso. O hotel era o Thistle Westminster, que fica na Buckingham Palace Road, de canto com o Palácio do mesmo nome. Podiamos ver do apto os dominios privados de Sua Majestade.Vizinhança real, quem diria! O Julio. o Vitor e eu ficamos na janela imaginando coisas que se passavam na casa vizinha, rssss. Sua Majestade, será que estaria sentada no trono, de cetro e coroa?....Muitas conjecturas e belas risadas.
Alugar um flat em vez de hotel convencional foi a melhor coisa que fizemos nestas férias. As crianças podiam correr pelo apartamento, brincar e até ensaiar uns gritinhos (whisper, whisper).

Como havia comunicação entre os cômodos, o Vitinho ficava dando voltas pela casa, uma graça. O apartamento teve no primeiro dia um problema de aquecimento de água para banho. Foi um stress, porque o Rodrigo toma banho fervendo. Rolou um mal estar com o recepcionista do hotel, que não gostou do tom da reclamação. Tivemos que pegar todas as panelas para esquentar água e tomar banho de banheira. Isto é impensável para um hotel quatro estrelas, mas aconteceu. No dia seguinte veio o  "plumber" e  reparou o defeito. O problema era  sério mesmo,  no boiler.
A programção para os dias subsequentes foi intensa. Tínhamos com os pequenos ingressos para assistir SNOW MAN. Fomos na matinê das 11 da manhã no Peacock, teatro que fica em Holborn, próximo a estação Holborn do metrô. O Vitinho gostou da moto amarela que aparecia no palco dirigida pelo homem das neves. Os efeitos eram interessantes, os atores voavam por sobre as cidades, os mares. Mas tudo com gosto de "dejá vu", pois em Gramado no ano passado vimos um show semelhante e em Nova York também, o Christmas Espetacular, na Broadway.
Os passeios prosseguiram pelo Museu de História Natural, foram ver as múmias e a pedra de Roseta no British Museum. Fomos todos na London Eye, passando pela ponte Millenium (só de pedestres). Eles adoraram a vista da roda gigante:


Teve também o Wonderland. Assim como em Edinbourgh trata-se de uma empresa alemã que leva os parques para outros países. Tudo é muito caro. Exemplificando: compra-se 20 libras de ingressos. Cada libra vale um ponto. Os brinquedos tem preços variados, 4 pontos, 8 pontos. Cosiderando que cada libra custa perto de 3 reais, os brinquedos mais simples custavam cerca de 12,00 reais. Isto para dois ou tres minutos de brincadeira. Então é um verdadeiro caça níqueis, máquina de fazer dinheiro, porque criança não se contenta com dois três minutos no brinquedo. Lá havia  também um rink de patinação no gelo,  que estava sempre lotado. Este parque fica montado na época de final de ano no Hyde Park.
Outro passeio que eles gostaram muito foi a loja de brinquedos da Hamley's e da MONTEZONE -  esta é de brinquedos para meninos e fica na High Holborn, Os brinquedos são incríveis. A Hamleyes principal está instalada  na Regent Street, é mais famosa e tem muita tradição pois foi  fundada nos anos 1700. Ela  rivaliza com Fall Schwartz e Toys R US,  de N. York.
Outra coisa que os atraiu, e agora estamos falando de Londres para crianças pequenas, foram os guardas da Rainha, com aqueles capacetes de pelo, enormes. Quanto aos cavalos da Horse Guard, o amor foi recíproco:



 Outro passeio que os agradou sobremaneira foi a visita ao St. James Park. Ele liga o Palácio de Buckingham até as proximidades do Trafalgar Square, também vizinho a Horse Guard. O parque tem muitas aves  e esquilos. Os esquilos são muito apreciados pelos turistas e pelas crianças. Este parque tem banheiros limpos, aquecidos e facilidades para pessoas com necessidades especiais.



Não estou seguindo rigorosamente a ordem das visitas, mas outros passeios distrairam os meninos na Londres  "cloudy and coldy". Um foi o Aquário que fica junto a London Eye, outro foi o Castelo Tower of London. O Castelo tem no prédio central, a White Tower que funciona como museu e tem  exposição de armaduras de reis ( Henrique VIII, p. ex.), réplicas em tamanho natural de cavalos, tem espadas e armas de todos os tipos, que povoam o imaginário dos meninos-heróis. O Museu ainda possui alguns objetos que permitem  a criança interagir e brincar  com arco e flexa, atirar com canhão para afundar navios, etc..
O primeiro do ano foi marcado por um jantar em um Restaurante em Holborn, cuja gerente é brasileira e o ambiente e bem amigável. Conhecemos este pessoal  no nosso dia a dia.Vimos que  crianca ali é bem recebida e resolvemos optar por um restaurante onde ficássemos tranquilos. No nosso jantar  até o cozinheiro "Seu Geraldo" apareceu para nos cumprimentar.  


Dali saimos para a queima de fogos na London Eye. A multidão era de cerca de 500 mil pessoas, segundo as estimativas da Policia. Era uma massa humana, o que me deixou muito insegura. Havia avisos explicitos para não levar crianças.
Queima de fogos sempre encanta as pessoas e acho que desta parte  todos gostaram. Depois houve a debandada, tudo foi voltando ao normal com calma, mas nós ficamos esperando sair a maioria para nos deslocarmos do nosso cantinho. Acabamos de festejar em casa, com uma champanhe.



Ricardo, o outro filho, mais a esposa,  fez passeios independentes, programados e com interesse próprios na área de arquitetura e história. Visitaram Camden Town Market, e as docas restauradas, bem como condominios residenciais do entorno. Foram ainda a  Greenwich e a o bairro futurista de Londres nas proximidades da London Tower. Visitaram a Harrods, o British Museum, o Historia Natural e o Vitoria e Alberto. Foram ao teatro ver o Rei Leão e gostaram muito. Gostaram ainda da Baker Street, com a casa/museu do Sherlock Holmes e o Museu de Cera Mme Tusssaud ( neste foram juntos com Rodrigo, Eryka e as crianças). Viram a troca da guarda, dentre outros passeios tradicionais porque a Carol não conhecia a cidade.
Assim passou voando a última semana em família e deixou muitas saudades e um pouco de melancolia....Para curar melancolia, só continuar estudando e .....VIAJANDO. Aguarde-nos em YORK, nossa próxima parada.
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