quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

EL CAIRO


7 Dias no Cairo


Já lá se vai um ano de nosso primeiro projeto de viagem ao Egito, que foi frustrado pela eclosão da primavera árabe. Diga-se que a partir daí nós ficamos com os olhos pregados na terra dos faraós, atentos a qualquer brecha de paz, naquela situação instável,  a fim de que  pudéssemos encarar uma viagem sem muita adrenalina. Esta ocasião surgiu em maio de 2011 e posso dizer que foi extremamente proveitosa e sobretudo tranquila . O fato de não concorrermos com outros turistas por um lado era vantajoso e por outro nem tanto. A vantagem é que não havia filas para nada e todas as atenções eram voltadas para nos agradar, nos bajular, mostrar o que o país tem de bom, em todos os setores: hotelaria, gastronomia, produtos típicos , passeios, shows, shoppings, and so on. O lado negativo veio do fato de sermos dos poucos que se lançaram a essa aventura, sendo alvo dos pedidos de propinas e gorjetas numa insistência irritante.   Sem dúvida saimos ganhando apesar desses pequenos contratempos.

Bem, já que comecei  vou prosseguir contando,  porque me sinto na obrigação de relatar sobre fatos e lugares  dos quais ainda não falei neste blog. Voltemos no tempo para rememorar essa visita das arábias:

Não é novidade para ninguém que  o Cairo é uma cidade quente. Digo  climaticamente para não confudir com a sua atual efervescência... Então, por ser quente  hospedar-se próximo as pirâmides foi uma excelente “sacada”. As longas distâncias, apesar do ar condicionado dos veículos  tornam os deslocamentos  penosos e demorados.  Sair do burburinho  de São Paulo, a lazer,  e ficar no engarrafamento do Cairo é uma troca sem vantagem.....

Vale ressaltar que além das pirâmides existem outras atrações na “grande Cairo” e a localização escolhida facilitou as andanças e economizou tempo. Considerando-se ainda que a cidade é visualmente poluída e havia no ar um certo cheiro de revolta popular... foi melhor e sobretudo  prudente ficar mais longe.

Bem, como já descrito em outra postagem, o primeiro dos passeios foi levado pela ansiedade  de ver as pirâmides, antes que algum louco danificasse o monumento (lembrança dos Budas  no Afganistão). Nunca se sabe os rumos e a dimensão que podem tomar estes movimentos populares ou a loucura dos governantes contrariados. Temíamos ainda que houvesse o impedimento total para visita àqueles tesouros, como já havia ocorrido em janeiro passado. Eu nunca iria me conformar (nadar ..nadar e ...morrer na praia).

 Mas deu tudo certo: entramos sozinhos na piramide de Mikerinos e ainda fomos levados a todos os cômodos, os quais o grande público não costuma  ter acesso (que privilégio!). Vantagens proporcionadas pela ausência de turistas, como falei acima.  Rodeamos Quéops, Quéfren e as pirâmides menores que gravitam em torno das três maiores e mais conhecidas. Ainda entramos no museu da Barca Solar, a qual tem mais de  cinco mil anos. Quando encontrada estava praticamente intacta, com apenas um dos remos avariados.

 O barco é feito da madeira cedro do líbano (segundo relatos de D. Carmem Prudente em seu livro “ E o Nilo Continua..”). O pesquisador que o encontrou  contou à nobre dama brasileira que quando colocou a cabeça no buraco da escavação, foi inebriado pelo  perfume da  madeira. No entanto, há controvérsias sobre o tipo da madeira utilizado ou desinformações, pois os nossos  guias afirmam ser confeccionada com o  sicomôro, um lenho rijo e resistente, à prova de milênios. Achei esta versão verossímil. De todo modo o barco está em perfeitas condições, capaz de singrar quaisquer águas.  Ele foi  feito usando técnicas de encaixe. Havia muitas  cordas e linhos que faziam parte do acervo quando descoberto. Todos igualmente  íntegros.  Esta preciosidade foi encontrada por arqueólogos  na década de 50, do século passado (século XX). Fato recentíssimo a se considerar o seu tempo de existência. Este barco, colocado ao lado do túmulo de Amenofis, tinha na verdade uma função post mortem, qual seja, a de levar o recém falecido até a presença do deus Osiris. A sua construção foi determinada pelo próprio faraó, mas colocado em sua tumba pelos filhos, já que o governante faleceu antes de sua conclusão.

Ainda neste sitio visitamos a Esfinge, que é  um monumento pequeno, considerando-se a tamanho  dos principais,  que  o rodeiam .


A impressão que eu tinha era de que seria quase tão gigantesca quando as pirâmides. Não sei de onde eu tirei isto. Tantas histórias ouvidas e lidas ativam a imaginação. Custamos a localizá-la. Enigmática ou não, ela apenas compõe o complexo das grandes pirâmides, mas não é maior do que qualquer desses fantásticos monumentos. Resolvemos retornar uma das noites  para assistir o show de luz e som  aos seus pés.
A foto não está propriamente,  nítida, mas deve dar uma idéia das cores projetadas sobre os monumentos. É muito bonito, a música, as cores e o texto falado levam à meditação e fazem a ponte entre milênios atrás e os nossos dias.

ESSÊNCIAS

Das pirâmides seguimos para uma perfumaria. Como na maioria das lojas orientais, nessa também os clientes são recebidos com exclusividade. As portas abrem para a sua entrada. Empregados  o acompanham até o seu interior. Depois servem chá enquanto o vendedor ou proprietário do estabelecimento procura explicar tudo sobre o produto. Neste caso fomos recebidos com muita cordialidade pelo proprietário, que cultiva flores no Oásis de Fayoun, para extração das essências. Elas são a  base de famosos perfumes franceses e outros não menos famosos no mundo da alta moda internacional.
Verifique na foto que o homem não toca a mão na mulher. A mão está suspensa, acima do meu ombro

Da minha parte não fiquei propriamente fascinada, mas Toninho acabou convencido. Agora estamos com vários frascos de muitos mls dessas essências . Sem menosprezar os produtos típicos do país, foi mais um trombolho para carregar nas nossas já pesadas e comprometidas malas.   E não se pense que as essências  custam barato, ao contrário, são caras, cerca de U$90 dólares cada vidrinho com 100 ml. Eu preferiria ter trazido malas cheias dos macios lençóis e toalhas do famoso linho egipcio.  Mas não se preocupem,  os guias nunca esquecerão de levar você a qualquer lugar que possa representar entrada de divisas pro país e para seus bolsos em particular. Destes também não escapamos.

BAIRRO COPTA – Igrejas Cristãs e Sinagoga


No dia seguinte, com calma, fomos ver o bairro Copta, que também fica longe do Centro. Esse bairro cristão situa-se  abaixo do nível atual da cidade. O acesso é por escadas. Ali, naquele lugar conta a tradição que  a Sagrada Família  descansou após a famosa fuga para o Egito. Infelizmente o subsolo   não se encontra acessível ao  publico porque está comprometido por umidade vinda do Nilo. Visitamos a igreja de São Sérgio erigida sobre o solo sagrado. Olhamos pelo vão da escada. Segundo a minha inspiradora Carmen Annes Prudente, que escrevia sobre viagens na década de 50, a emoção é única naquele local, ao qual naquela época ela teve acesso.

O turbilhão de sentimentos já  começa com o simples  fato de  andar pela cidade, quase  subterrânea. Pensar que milhares de anos se passaram e até hoje vivem pessoas  naquele local. Qual será a energia naquelas casas modestas, mas tão antigas  que a contagem dos anos se perde no tempo? Várias me dirigiram a palavra, achei-as afáveis. Eu aprecio muito este tipo de relacionamento. Seria tão bom ser assim recebida em todos os países do mundo. Hospitalidade! Não é uma atitude que mais se vê por aí e por aqui (Brasil). E vejam, não é que os egípcios não pudessem ser orgulhosos..a história deles é nossa referência de civilização.

Bem, eu recomendo a visita as principais igrejas coptas (São Sérgio e Sta Bárbara). Estes sitios históricos todos, encravados no Cairo há milênios só vendo,  porque não é fácil descrever  sensações. O que é possível é descrever os ambientes, a arquitetura, mas e  os deleites,  os prazeres?  Estes, é preciso vivê-los.


Saindo da igreja  caminha-se até o cemitério e num aprazível local protegido por frondosas árvores está localizada  uma histórica Sinagoga: a de Ben Ezra. Aberta a visitação é uma agradável descoberta.  Construída no ano 200 DC, conta-se que nos primórdios do século XIX foram encontrados nos seus porões fragmentos de pergaminhos e outros papéis historicamente muito valiosos. Tais documentos  estão atualmente espalhados por várias bibliotecas  ao redor do mundo, como por exemplo as das Universidades de Cambridge, de Oxford, de São Petesburgo e na Aliança Israelita.  Diz-se que no mesmo local em que foi construído o templo, Moisés teria sido recolhido do cestinho em que foi lançado rio abaixo . Este templo fica ao lado da famosa igreja Copta de Sta Bárbara.

Subindo à superfície caímos na realidade muçulmana, com todas aquelas roupas diferentes  e costumes, para nós,  exóticos.  Seguimos para Menphis.

Menphis foi capital do Egito antigo, e hoje  está reduzida apenas a um pequeno mostruário, com muitas estátuas de Ramsés II, sendo o mais apreciado o colosso  , com 13 metros de altura e pesando cerca de 120 toneladas.



É na verdade apenas uma referência para rememorar  a antiga capital. O local é aprazível, com belas árvores, sombras e estátuas..e mais estátuas. Há poucos vestígios da grande cidade de outrora.

SAKARA  ( оu SAQQARA)- uma pirâmide diferente

Outros túmulos

O dia seguinte estava reservado  ao passeio a Sakara e aos túmulos (mastaba)  dos nobres e pessoas abastadas, estes últimos considerados de maior importância histórica que o túmulo dos faraós pela maior quantidade de informações neles contidas. Esse local abrigava a necrópole de Menphis e situa-se a 30 km do centro do Cairo.

 O túmulo dos faraós traz mais dados sobre exéquias (morte e enterro) dos mandatários e referências a batalhas e religião. O dos comerciantes  mostra fatos da vida profissional e pessoal, como se fora uma biografia do morto.


 Isto leva ao conhecimento dos usos e costumes da época. São menos pomposos, mas os entalhes são fantásticos e tudo muito nítido e os desenhos permitem, mesmo aos leigos,  a interpretação do seu significado.

Ficamos mais tempo no mausoléu decifrando os hieróglifos que tratavam da vida de um comerciante de pescado,
Veja a canoa e peixes em alusão a atividade do falecido

guiados gentilmente pelo “arcanjo”  Gabriel ( como ele se autointitulava). Aqui também pudemos ver tudo, inclusive entrar em salas proibidas ao grande público.

Para chegar a Sakara, a pirâmide em forma escalonada, feita  em 2700 AC para o faraó Djoser, passa-se pelo hipostilo idealizado pelo sábio Inhotep (primeiro arquiteto da historia a construir grandes momumentos com pedra).

 Depois deste agradável e refrescante corredor cheio de gigantes colunas cobertas por uma laje de proteção,  abre-se um largo onde como pano de fundo surge a bela pirâmide de Sakara. Atualmente este monumento se encontra rodeado por andaimes e redes de proteção,em razão das obras de restauração e também por ser ainda, objeto de pesquisa arqueológica. O calor é tanto que fica difícil caminhar ao seu encontro e  no seu entorno, pois se trata de uma grande área no deserto, completamente exposta ao sol inclemente. Eu aconselharia usar sombrinha e ventilador portátil, chapéu não é suficiente.

TAPEÇARIA – um encanto a parte nas viagens ao Oriente

De lá seguimos para um passeio que estava nos meus planos e que me causou um enorme prazer: as fábricas de tapetes orientais. Confesso que o "seda sobre seda" sempre foi a minha grande paixão, mas acabei subjugada por alguns kilins, "lã sobre  algodão" e outros.. Afinal é um trabalho artístico, por isto único e  muito belo. Informações dão conta de que os tapetes confeccionados no Egito estão subindo de prestígio no mercado internacional, sendo bastante disputados dentre os orientais.

Impossível resistir, não só pelas qualidades do produto como porque os preços são bem convidativos.

Esta fábrica-loja  é um departamento oficial do governo egípcio. É escola que usa o trabalho de  crianças que emprestam suas delicadas mãos ao não menos delicado trabalho de tecer. Fazem-no três vezes por semana, para aprendizado do ofício, durante  4 horas. E que nobre ofício! Sou inteiramente favorável, não só por se tratar de uma ocupação para os jovens como para manter a  tradição .

É possível mandar entregar essas encomendas no Brasil, mas quem o fizer fica sabendo desde já que deve acertar as contas com o Fisco brasileiro. Entregue pela DHL (razões de confiabilidade) incide Imposto de importação sobre o valor declarado. Não fica caro. O valor do imposto  relativo a  4 tapetes foi inferior a R$1000,00  e pode valer a pena, principalmente na hora de  acomodar o volumes nas malas .. e depois transportá-las.

MENA HOUSE OBEROI

Fomos introduzidos na arte de tecer, vimos todo o tipo de artesão, desde os aprendizes aos mestres, com suas criações primorosas. Saímos de lá em êstase,  seguindo para o almoço no palácio das mil e uma noites..exageros a parte, o Mena House Oberoi.


 Trata-se de um palácio construído pelo Khedive Ismail, um vice-emir que o mandou edificar por ocasião da inauguração do Canal de Suez para alojamento de reis e autoridades. É um palácio tipicamente árabe. Ricamente ornamentado, paredes em mármore, tetos em madeira -  entalhados artisticamente,  o prédio se encontra coberto de belos tapetes e delicados  lustres, bustos e fino mobiliário,  tudo um primor.

 Além de restaurante há também a parte de hotelaria. O almoço convenhamos,  não chegava a ser uma maravilha. Os pimentões da salada estavam cortados em lascas grandes e grossas , impossíveis de serem comidos crus. Nem consigo mais recordar qual o prato principal. A sobremesa parece que foi sorvete e para tornar tragável a comida pedimos um espumante e esta foi a melhor parte da refeição. Sentamos próximos ao janelão de vidro.  A vista das pirâmides vinha entrecortada pelos enfeites da janela, pelas  cortinas e pelas plantas do refrescante jardim, como uma miragem.  Não havia por perto outras construções. A música era suave e o ambiente,  luxuoso e refinado.

Se o maitre tivesse  caprichado mais no almoço este poderia ter sido um dos dias mais perfeitos de toda a viagem. Então amigos, relembro: a comida não chega a ser saborosa, mas o ambiente é lindo e vale a pena a visita. Não estava no nosso roteiro inicial, mas adquirimos este pacote na agência de viagens nos dias anteriores, numa reunião com os nossos guias, onde escolhemos sob orientação, os melhores lugares para passeios.

Este foi nosso último dia de periferia, na acepção da palavra, bem entendido!. Eu estava ansiosa para me hospedar às margens do Nilo. Então, depois do almoço,  partimos para fazer nossa  mudança para o Conrad Hotel, situado no centro da cidade e à beira do Rio mais longevamente famoso,  do mundo. O hotel é mais sofisticado  que o Oásis, categoria internacional, mas eu gostei bastante do outro, um resort florido, de funcionários risonhos e solícitos, ambiente  aconchegante.

 Dia de mudança , dia de descanso.   Os guias nos  aconselharam a ficar  o resto da tarde aproveitando o que o hotel tinha a oferecer, por várias razões que passo a elencar: - pelo proprio fato da mudança ,-  para conhecer os serviços do hotel,-  porque era sexta feira, dia de oração e  - principalmente,  porque na vizinha Praça Al Tahrir haveria manifestações!!!!! Foi o que fizemos, num primeiro momento. Gravei  os ruídos  da sacada do nosso quarto. Não reparem nas exclamações, coisas de filmagem amadora...
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 No final da tarde, irresistivelmente atraídos pelo momento histórico,  tentamos dar uma escapada  até a famosa  Pça (onde fica também o Museu do  Cairo), mas não fomos bem sucedidos. Era uma relativa longa caminhada pela Corniche (avenida que margeia o Rio), o calor era um desestímulo e sobretudo, porque  as pessoas que estavam saindo da praça passavam por nós e nos recomendavam a voltar ao hotel. Resolvemos aceitar os conselhos.  Almo/jantamos relaxamos na hidro e depois fomos para a piscina... cobertos de roupas. Deu uma garoinha e não me animei a dar um  mergulho, assim.... toda empacotada. Com tanta indumentária acho que não conseguiría flutuar.



MERCADO KHAN AL KHALILI

No dia seguinte a vida voltou a normalidade. Era sábado, um dia útil. Não havia aglomerações nem protestos na vizinha Pça Al Tahrir.  Depois do saboroso café da manhã fomos fazer um passeio independente, sem guias.



O taxi nos deixou no Khan Al Kalili, o  mercado mais famoso do Egito, cuja construção começou em 1382.  Por entre labirintos fomos conhecendo suas lojas e os  produtos que encantam moradores e turistas: vasos de alabastro, caixas trabalhadas em marchetaria de madrepérola, lâmpadas, sapatos árabes dos contos das mil e uma noites (com aquele biquinho levantado na ponta), bijuterias e jóias em prata, ouro e pedras, vasos  tapetes e  mantas, tecidos , roupas, ervas e especiarias, souvenirs em geral.

O mercado não se compara ao Gran Bazar de Istambul, mas é também atraente. Mesmo por trás de  ruelas mal cheirosas e sujas há no meio desta confusão  grupos de lojas interessantes, até  antiquários, com portas enormes de madeira maciça e móveis rústicos, banquetas, mesas  e um shopping novo, etc..

Paramos numa casa de chá para tomar água mineral. Havíamos combinado de não comer ou beber nada fora do hotel, exceto o que viesse engarrafado e fosse de origem conhecida. Mas é preciso mais cuidado ..pois mesmo assim , com toda essa cautela não ficamos livres da maldição do faraó....
Apesar dos atrativos do Mercado eu particularmente recomendo que as compras sejam feitas em lojas recomendadas, porque não tenho certeza sobre a qualidade dos produtos ali vendidos. Tive uma experiência desagradável,  com um souvenir de alabastro trocado no momento da embalagem. O produto estava quebrado e colado grosseiramente. Só vi quando cheguei no Brasil.

MESQUITA AL AZHAR


De lá fomos conhecer a  Mesquita Al Azhar .  O dia estava especialmente quente (pelo tanto que eu me refiro ao calor já deve ter dado para perceber que eu  não sou chegada ao clima quente). Ainda bem que a noite refresca e até pode esfriar no deserto.
.....
Cruzamos  a rua por um subway  e chegamos ao famoso templo, que se situa diante do Al Khalili . Éramos constantemente assediados por taxistas, guias e pedintes. Não dá  para confiar em ninguém, pois os policiais são os que mais pedem dinheiro e cobram propinas. É desgastante. Só estávamos relativamente  livres destes aborrecimentos quando andávamos com os guias, o que é aconselhável. Eles tem uma linguagem própria para resolver estas questões.

Na Mesquita fomos recebidos por um religioso. Pagamos e ele nos acompanhou nessa visita, como guia especializado . Eu estava coberta da cabeça ao tornozelo, porém com os pés descalços. O lenço era de lã, comprado no rigor do inverno londrino. Dá pra imaginar o quanto eu estava ficando desidratada, naqueles 40 graus de temperatura. O que me consolava é que algumas  mulheres usavam burka. Qual de nós estaria mais desconfortável: eu, que não estava acostumada a tanta roupa no verão ou elas,  condenadas a se esconder dos demais olhos humanos debaixo de  tantos metros de roupa escura?

Al Azhar é mesquita e universidade. Ali se estuda há mais de um milênio, muitas ciências,  desde a religião islâmica  propriamente,  até artes, matemática, astronomia, etc.


É um templo enorme e vê-se que é ponto de encontro de pessoas,  que ficam conversando em círculo, sentados sobre os tapetes de oração. Ali também alguns tiram um cochilinho. À esquerda da porta de entrada fica a Biblioteca, onde fomos levados pelo novo guia. Havia muitos estudantes, todos do sexo masculino. Depois pelos corredores o guia foi-nos falando dos vários períodos e das influências arquitetônica de cada ala e nos seus cinco minaretes. Fui convidada a visitar uma madrassa feminina. Não me fiz de rogada e fui, sentei-me a certa distância de um grupo grande de mulheres que escutavam silenciosamente uma palestrante. Senti-me um peixe fora da água com todas aquelas mulheres me  olhando com uma certa desconfiança, embora o guia garantisse que era uma grande alegria receber pessoas de quaisquer religião para estas visitas.


Retornando ao encontro do guia e de meu marido, retomamos o roteiro visitando o túmulo de um dos mestres.  O mausoléu não tinha o aspecto de uma tumba, parecia mais uma forninho de pão. Cruzamos o grande patio até o coração da mesquita, onde os fiéis se reunem  para  a oração. Trata-se de um espaço grandioso, sustentado por muitos arcos, onde  o chão é completamente forrado por pequenos tapetes individuais, de cor predominantemente vermelha.


 A iluminação é feita por centenas de pendentes, no formato de lamparina.  Ao fim da visita fomos levados a uma pequena livraria e o religioso nos deu mais de 10 livros de presente, inclusive o Alcorão,  em português. Confesso que ainda não tive tempo de lê-lo, quem sabe um dia....Fui agraciada especialmente com um livro sobre as mulheres no Alcorão.
Nessa mesquita havia muitos locais de oração, como se fossem os altares  das igrejas cristãs, porém sem imagens, mas os nichos eram cobertos por mármore de todas as cores, formando belos desenhos.


Nos despedimos do guia e tivemos que deixar sempre muita gorjeta, o que segundo eles faz parte dos costumes, mesmo você tendo pago o ingresso. 





CONTINUA NA PRÓXIMA POSTAGEM  ONDE FALO SOBRE OS  BAIRROS MODERNOS, A CIDADELA E OUTROS..ATÉ BREVE

Um comentário:

  1. Olá
    Adorei o relato, deve ter sido emocionante a viagem. daqui um mês estarei indo para o Cairo, muito ansiosa.....rsrs Obrigada por compartilhar sua experiência!

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