segunda-feira, 13 de abril de 2015

FÁTIMA, BATALHA, MAFRA E ÓBIDOS

Dias depois...
Partimos para o circuito  FÁTIMA,MAFRA, BATALHA E ÓBIDOS.


Confesso que estava bastante ansiosa para conhecer o lugar sagrado de Fátima, por recomendação de minha mãe que tinha uma grande fé na Santa e seus pastorinhos. Escolhemos o domingo dia 13 e fomos direto para lá. Na volta faríamos as outras visitas. Acho que viajamos por mais de 3 horas, numa auto-estrada bem construída, asfalto bom, mas com uma péssima sinalização. Precisávamos sair e pegar uma vicinal para entrar na cidade, o que se tornou difícil diante do que acabo de falar. Estranhamos porque trata-se de um local de peregrinação mundial. O Governo precisa dar mais atenção a isto. Nos perdemos várias vezes até encontrar a entrada da cidade. Fica aqui a sugestão já que nem todos os carros tem GPS.


Eram dez da manhã, quando chegamos. O  dia estava ensolarado e muito azul. Estacionamos nas imediações da Basílica, compramos alguns objetos, como souvenir para amigos e parentes, inclusive a medalhinha para benzer após a missa e que seria usada pelo meu neto Rafinha no seu batizado. Depois ingressamos na enorme praça, onde começava uma missa campal. Havia muitas pessoas, mas estavam concentradas em volta do altar, e o local por ser muito espaçoso dava a impressão de estar mais vazio. A Basílica estava fechada e só tivemos acesso a suas escadarias. Fomos apresentados às urzes sobre as quais  N. Sra apareceu para os pastorinhos. 
Depois fomos visitar a Igreja da Conciliação e o museu onde estavam expostas as cartas de Lúcia, Francisco e Jacinta, com as famosas e polêmicas previsões de Fátima.

Cumprida a missão  partimos para BATALHA, que ficava mais próximo de Fátima, já no caminho de volta para Lisboa. 
O interesse era visitar o convento e a igreja. O MOSTEIRO DE SANTA MARIA DA VITÓRIA, foi mandado edificar por D. João I, da dinastia de Avis, em agradecimento à Virgem pela vitória na Batalha de Aljubarrota (numa famosa briga com os vizinhos castelhanos). Trata-se de outra das belíssimas edificações religiosas, que lhe deram o título de Patrimônio Cultural da Humanidade pela UNESCO e uma das sete maravilhas de Portugal. Sua construção iniciou-se em 1386, no estilo gótico, mas ainda foi alcançada pela arte Manuelina, que a enriqueceu mais, devido ao longo tempo que levaram suas obras. 


MOSTEIRO DE BATALHA


Não deixe de apreciar com cuidado seus vitrais medievais. É a maior concentração da espécie em Portugal.Internamente se destaca ainda a Sala do Capítulo com abóbadas primorosas criadas por Mestre Huguet (numa fase chamada de Gótico Flamejante). Anexa à igreja encontra-se a Capela do Fundador, que alberga os restos mortais de D. João e da rainha sua esposa. Há muito mais o que ver. Então vagueie pelo claustro, capelas e pátios e contemple todas as maravilhas desta monumental obra.   
A cidade é tipica do interior, e o que eleva os olhos do mundo sobre ela é realmente o Mosteiro.  

                                MAFRA

 
Já no  fim da manhã chegamos a MAFRACom a construção de auto- estradas, estas regiões até então parcamente povoadas tomaram um impulso a partir do ano 2000, no entanto nada que viesse a  sufocar a vida pacata daqueles vilarejos e das pequenas cidades. Uma cidadezinha bem cuidada e do meu ponto de vista realmente formosa na sua simplicidade, simplicidade esta só quebrada pela imponência do complexo denominado PALÁCIO NACIONAL, do qual falaremos mais do que da cidade, uma vez ter sido alçado a condição de uma das sete maiores maravilhas de Portugal e é o maior atrativo do lugar.
Deixamos o carro no amplo estacionamento do Palácio e saímos a pé, para conhecermos a rua principal e afundarmo-nos pelos becos e vielas cheios de história. É  sabido que aquela região, embora com baixa densidade populacional foi habitada desde os tempos do Neolítico. Foi dominada pelos mouros, foi invadida pelas tropas de Napoleão e de lá partiu o último membro da dinastia dos Bragança pra o Exílio. Quão densa a história desta que podemos considerar quase uma vila e nos perguntamos como pode sustentar o peso de tanta história. Pergunta que já nos fizemos em Alcobaça, vez que estão inseridas na história da humanidade,  com grande destaque.
Interior da Igreja de Mafra


O passeio logo deu fome e tratamos de procurar um restaurante. Ao lado do Palácio havia uma placa com um nome sugestivo: Adega do Palácio. O espaço é muito aconchegante, mas o tempo de espera não era compatível com os nossos demais interesses de visitar a região. Daí seguimos para as ruelas centrais a cata do que primeiro razoável nos aparecesse. De fato estava tudo fechado, não encontrávamos nada atrativo. Até que desistimos e entramos num Grill, prédio simples, cadeiras de palha, mesas simples de madeira. Eu já perdi o bom humor, desconfiei dos pratos sugeridos...mas qual não foi a supresa com as iguarias e a fartura apresentadas. Experimentei pela primeira vez a alheira e morri de amores (mais uma vez - estou ficando repetitiva) por este delicioso prato da culinária lusa. Aquele sabor contudo...me pareceu único. Não consegui comer alheira mais saborosa que aquela. 
Da cidade de Mafra, ainda tínhamos a realizar duas importantes visitas. A primeira e mais demorada  ao Palácio e a segunda a Aldeia José Franco, com casinhas em miniatura que retratam a vida no Campo e as atividades típicas de uma aldeia portuguesa 

Nesta vilinha  em miniatura chovia muito quando chegamos. Mas como passa-se um bom tempo vendo interior de cada uma das casas, quando saímos já estava amainado e pudemos desfrutar um pouco da vista da muralha,do moinho de vento e da parte externa do conjunto. 

Lá também se vendia artesanato, louças e objetos variados. Mas não nos entusiasmamos. Afinal não estávamos dispostos a abarrotar malas. O colonizador não nos seduz mais com espelhinhos, pentes..isto foi há mais de 500 anos... 

Há áreas de lazer para crianças, mas também os adultos vão gostar, da escola, da padaria, da adega, da casa do moleiro e tantas outras. Se estiver em Mafra vá lá. 
Nosso interesse maior concentrava-se no PALÁCIO NACIONAL DE MAFRA.



Construído no estilo barroco joanino, com materiais nobres o seu interior foi decorado com madeiras raras, mármore,

além de ter sido ornado com quadros, móveis  e obras de arte de valor. Compunham o conjunto o Mosteiro , que abrigou no seu apogeu 330 frades franciscanos; o Palácio Real usado nos tempos áureos para a prática da caça pela família reinante;  a biblioteca, uma das mais belas da Europa e que contém obras raras e um acervo de 36.000 volumes. Do Palácio Real o interessante é que foi concebido com duas alas distintas e simétricas,  uma para o rei e outra para a rainha, com cozinhas próprias, despensas, caves, quartos dos respectivos empregados etc.. Um longo corredor de mais de 200 metros ligava as duas alas e era bastante usado para os passeios dos nobres, como costume àquela época.
Muitas de suas obras de arte, tapeçarias e adornos vieram para o Brasil, durante a fuga da família real, nos primórdios de 1800 e não mais voltaram a compor a decoração do Paço. 
Nossa visita ali foi demorada pois de posse de folders quisemos perscrutar cada cantinho. Seguimos após para 


                               ÓBIDOS

Essa é uma cidade amuralhada e muito graciosa. Subir nos seus contrafortes, olhar o casario e seus telhados de argila, espiar pelas frestas a vida que passa lá fora só proporcionaram agradáveis reflexões. 


Esse monumento medieval, muito bem preservado, fica muito próximo de Lisboa e você poderá passar o dia lá ou também usufruir de tudo que o lugar oferece permanecendo mais de um dia na vila medieval, num de seus hotéis. 
Ao ingressar por suas portas com destino ao interior da muralha há um solene portal, datado do século XVII e encimado pelos seguintes dizeres: "A Virgem Nossa Senhora foi concebida sem pecado original". Dizeres estes que foram mandados esculpir por D. João IV.  O umbral possui uma capela-oratório com revestimento de azulejos  azuis e brancos, cuja  motivação é a paixão de Cristo. (este é o primeiro ponto turístico a ser visitado e detalhadamente observado pela sua beleza).

Para mim foi como encontrar um brinquedo..não sabia se subia as escadas de pedra para alcançar o topo e passear ao longo da amurada ou se ficava por ali mesmo apreciando as casas brancas, as igrejas e capelas, a rua do comércio. 
Resolvemos subir para uma visão panorâmica. Melhor subir com esta idade porque daqui mais uns anos será uma dificuldade intransponível. Meio íngremes,  as escadas não possuem proteção. Cada vez que encontrávamos alguém na contramão era aquele frio na barriga pelo risco do desequilíbrio e da altura. 
Vista do alto da muralha de Óbidos para o aqueduto


A foto acima dá pára dimensionar o patamar em que nos encontrávamos. Daqui se vê também o aqueduto que levava água para a cidadela, tudo muito bem conservado. Ele foi construído e custeado por D. Catarina de Áustria, mulher de D. João III. Tem 3 km de extensão e é de visitação obrigatória. 
A vista do alto para o interior é interessante porque você pode ter a noção do que encontrar naquele simpático aglomerado.


Ao fundo o Castelo
Embora se fale em ruas labirínticas, as torres e a própria muralha servem de norteador. Então não tenha medo de aventurar-se pelas ruelas e becos. Ainda pela foto acima pode-se ver que traçando uma reta a partir da entrada você chega ao Castelo, que hoje serve como pousada. Uma opção bem interessante ao hóspede que poderá desfrutar de momentos de majestade. Se não se hospedar, ao menos procure visitá-lo. É outro ponto turístico de destaque.  Lembre-se que o Castelo é uma das sete maravilhas de Portugal. 
A pequena cidadezinha ainda possui um comércio interessante, hotéis, restaurantes, bares e muitas igrejas e capelas, além de um museu. Seguindo pela Rua Direita (que mantém este nome desde a época medieval), você poderá ver parte do patrimônio da cidade, como a Matriz, O Pelourinho e o telheiro.  O Pelourinho fica no chafariz da praça da igreja. O telheiro foi mercado da Vila até o início do seculo XX.
Igreja Matriz 
Ir a Óbidos é fácil. Se estiver em Lisboa vá de ônibus, táxi ou alugue mesmo um carro. O percurso leva de 40 a 50 minutos. De ônibus a passagem custa cerca de 8 Euros e o "autocarro" deixa você na entrada da cidade. A linha é a Rodotejo e tem site para consultas sobre horários e local de saída. O táxi custa por volta de 90 Euros. O "comboio" ou trem como o conhecemos fica mais distante, mas também é uma opção. Indo de carro há um estacionamento bem fácil e sinalizado no local. 

Se se interessar por conhecer detalhadamente os prédios históricos e principais da cidadela, procure a visita guiada, que dura pouco menos de uma hora. Existe um site para informação sobre este passeio, procure o posto de informações turísticas (bem fácil de encontrar) ou consulte o site: posto.turismo@cm-obidos.p


Para comer , se quiser lugares charmosos pode procurar a Pousada do Castelo  situado no Passo Real, Apartado 18, ou a Estalagem do Convento, Rua João D'Ornelas, 2510-074, site: www.estalagemdoconvento.com
Saímos de Óbidos já era noite. A partir de agora ainda temos uns lugares a rever em  Lisboa. Que pena! A viagem ao país de parte dos nossos ancestrais está terminando, logo agora que o descobrimos e passamos a apreciá-lo tanto. Eu, particularmente vou sentir sua falta. Próximo destino: Paris. Nos encontramos em Paris então. À Bientôt.


5 comentários:

  1. Suas postagens são incríveis!
    De todos esses lugares, estive apenas em Óbidos. E me lembro de toda a beleza do lugar, descrita muito bem por você, e também de ter comido um bacalhau maaaaravilhoso. Mas como minha memória é apenas gustativa, não me lembro do nome do restaurante, apenas que era todo em pedra, e isso não ajuda muito em se tratando de Óbidos.

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    1. Obrigada pelo incentivo. Um abraço Graça

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  2. ...saber transmitir assim, só quando o olhar para o belo é feito de coração...

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    1. Obrigada pelo incentivo! Escrevo com carinho, as vezes tenho que ser meio rápida, mas espero transmitir o que os leitores buscam . Um abç

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  3. Olá, você sabe informar como faço para de Fatima para Óbidos de ônibus? Gostaria de fazer estas duas cidades em um dia sem passar por outros locais e sem alugar carro. estarei saindo e retornando para Lisboa. Obrigada

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