segunda-feira, 17 de outubro de 2011

CRUZEIRO NO NILO - OUTROS TEMPLOS E CIDADES AO LONGO DO RIO

Logo após o café da manhã, saímos para uma visita ao templo de EDFU. A cidade foi das mais marcadamente árabes que eu vi nesta viagem. Os homens usavam as tradicionais galabias (espécie de camisolão) e as mulheres os saris e véus, muitas usavam burca. Não vi pessoas vestidas à moda ocidental. Tomamos uma charrete puxada a cavalo e fomos visitar o templo que ficava a cerca de 20 minutos do pier.

Fomos orientados a não falar com o condutor. Parece que os charreteiros são hostís aos turistas. Não havia nada a dizer a ele exceto que parasse de usar aquele maldito chicote contra o animal cansado e suado, fazendo o duro serviço de transportar três pessoas sob o sol escaldante .


O animal voava pelas ruas empoeiradas de Tell Edfu (nome atual da cidade). Juntando o sacolejar da carruagem (tava mais para abóbora), com a poeira e o calor, eu não diria tratar-se de uma condução  confortável. Apenas exótica. Era um tal de cruzar com outras charretes pelas ruas cheias de transeuntes e sempre todas a toda velocidade. Lembrou da minha infância em Blumenau, pois a cidade tinha charretes de aluguel, chamadas de carro de mola. Bem...voltando ao Egito...
Finalmente chegamos aos arredores do templo. O monumento, também chamado de templo de Horus é enorme e dos mais bem conservados do País. Horus é o deus-Falcão.



Edificado com  pedra arenosa (arenito) é também repleto de inscrições, altos e baixos relevos. O templo como se apresenta atualmente é identificado como tendo sido erigido no período Ptolomaico, 237 A.C.,   mas há vestígios de que tenha sido construído sobre outros ali existentes anteriormente. Parte desse complexo encontra-se sob as casas próximas dos moradores.



Tentando descrevê-lo comecemos pela entrada monumental. Trata-se de um pórtico gigantesco, de linhas limpas, apontando para o infinito azul. Na verdade esse portal é constituído de duas torres, os chamados pilonos. Na foto acima, ao fundo, vê-se as imagens do deus Horus diante de cada um dos pilonos. Eles se tornam pequenos diante da majestade da construção que guardam. Compare agora com a outra foto anterior para imaginar as suas  reais dimensões. Segundo pesquisas efetuadas os pilonos medem 37m de altura.
Entalhados na fachada encontram-se as figuras de Horus, Hathor, Isis e Osiris, bem como a do faraó (Rei) Ptolomeu VIII  fazendo oferendas a esses deuses. 
Após o vestíbulo há um pátio com 32 colunas, todas encimadas por capitéis esculpidos com as plantas típicas do país, principalmente  flor de lotus e papirus.


Na sequência  passa-se pela sala da biblioteca, onde eram guardados os documentos do templo. Depois outros cômodos que dizem, teriam sido usados para armazenar utensílios e objetos para oferendas. No hipostilo,  o que se sobressai negativamente é o teto enegrecido pela fuligem de velas e lamparinas. Tais manchas foram deixadas pelos cristãos no período em que ocuparam o local e  estabeleceram ali sua igreja.



Prosseguindo-se na exploração chega-se a a uma sala, isolada por uma corda, onde só é permitido apreciar o seu interior através da porta. Logo se sobressai a barca sagrada, mas logo atrás há um sacrário dedicado a Horus e muitas inscrições nas paredes laterais (tudo como se vê na foto abaixo).


Há muito o que se  ver no templo principal e nas construções próximas. Por exemplo, do lado esquerdo há um templo menor, chamado Mammisi,  dedicado ao deus Horus. Nas suas paredes encontra-se representado o nascimento do deus, a fase de sua amamentação  e episódios da sua infância. Edificado no período greco-romano compõe-se do vestíbulo, um santuário e salas adjacentes.



Outra das obras que remanescem e que são interessantes de se visitar é o Nilômetro, que é  um túnel com acesso ao Rio , através de escadas.
Servia principalmente para as medições do volume das  águas, o que era de fundamental importância para as populações. Como se sabe, antes da construção das grandes represas  e por todo o sempre as cheias do Nilo traziam fertilidade natural ao solo e permitiam o cultivo e a sobrevivência daquela maravilhosa civilização.

Hoje as represas regulam as cheias e os ribeirinhos cultivam usando adubos e fertilizantes artificiais. Imagino que sem nenhum planejamento e cuidado.What a pity!

KOM OMBO

Saímos de Edfu no meio a tarde e singramos as águas tranquilas do Nilo até Kom Ombo. O templo fica ás margens do Rio e a sua proximidade impacta.

Foi o tempo do navio lançar âncoras e nós sairmos a pé para visitá-lo, sob a luz do poente. Passa-se por um cais do porto bem cuidado, com restaurantes e lojas de souvenirs. Sobe-se uma escadaria e tem-se a frente o belo templo dedicado a Horus, o deus falcão e a Sobek, o deus crocodilo.

 É o único templo no país dedicado a dois deuses simultaneamente e ajustados com simetria (um lado para cada um). Para justificar este compartilhamento conta-se que o deus Amon teria sido salvo pelo deus crocodilo, numa batalha ali nas próximidades, no rio Nilo. Que por gratidão Amon teria mandado erigir o templo em sua homenagem, mas tendo em vista que Sobek era guerreiro e não teria aquela popularidade entre a população, colocou-se  para compartilhar as oferendas e atrair o povo o Deus Horus, amado e cultuado pelos habitantes do lugar.
A construção do belo templo começou no reinado de Ptolomeu IV (período greco-romano) e contava além do prédio principal e de outras obras, com um fosso em que se criava um crocodilo, além de

um nilômetro (túnel com acesso ao rio para medir o nível das suas águas).
Mesmo tendo sofrido com as enchentes no passado e sendo objeto de depredação para que o material servisse a outras obras, este templo acabou abandonado e ficou coberto de areia por muitos anos o que justifica o seu atual bom estado de conservação.


Os relevos  deste templo são instigantes porque nos expõem os usos e costumes da época. Na foto abaixo voces podem ver o detalhamento de um parto de cócoras. As inscrições nos mostram também os instrumentos cirúrgicos semelhantes aos usados nos dias atuais. Os egípcios, podemos relembrar, foram os primeiros a fazer as trepanações ou cirurgias de cérebro, portanto eram avançados na ciência  da medicina.


A noite caiu e trouxe com ela mais beleza e plasticidade aquele cenário encantado.

Acima o deus Ra (o disco solar) pondo-se na margem ocidental, ou dos mortos.
O templo iluminado com lâmpadas amareladas dava mais vida  e realce aos tons-terra da contrução.




Estava na hora dos preparativos para o jantar típico oferecido na cobertura do nosso hotel flutuante.
Devidamente paramentados para a ocasião subimos  ao convés. O jantar foi alegre porque os egípcios são alegres e a comida era saborosíssima: homus, que eu amo e tantas outras iguarias. Mas o melhor era a sobremesa...meu Deus o que era aquilo! Fiz questão de tirar uma foto com o chefe pâtissier, que se tornou meu amigo e sempre me informava sobre novos sabores, principalmente  os doces de côco, meus preferidos..hummmm.

Minhas homenagens e admiração a ele com aqueles doces de pistache, nozes, chocolates belgas...and so on. Perdição total. Ai a balança!
Com tão boas sensações fomos dormir e sonhar com as maravilhas que o dia seguinte proporcionaria. E proporcionou. Vamos então nos encontrar em Assuan.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

NO VALE DOS REIS E DAS RAINHAS

 (réplica da mumia de Tutankamon, da ilha dos Faraós no centro do Cairo)
A maldição de Tutankamon caiu sobre nós mesmo antes de visitarmos sua tumba ( patrimônio da humanidade pela Unesco). Na noite anterior à visita tão esperada aos túmulos reais Toninho ficou com uma  febre preocupante e passou mal toda a noite. Nem raiara o dia e eu já havia me socorrido com  a recepção do barco para pedir um médico. Nós estávamos ligados sempre na BBC, nossa conexão com o mundo ocidental, e as notícias da bactéria na Alemanha matando gente me deixou de cabelos em pé. O médico egípcio veio logo e trouxe a medicação com ele. Foi muito gentil, atencioso e sobretudo resolveu o problema. No entanto, Toninho ficou de cama e com pesado remédio para dormir. A consulta foi cobrada em Euros , mas absurdamente barata, pois incluía antibióticos, antiespasmódicos  e o poderoso sonífero.. ( cerca de 65 Euros).
 O guia, tendo conhecimento  dos dissabores por que passávamos subiu até a cabine para ver como estava indo o paciente e dizer que estava ao meu dispor para a visita ao West bank. Eu estava indecisa, preocupada, não tinha vontade de me afastar dali, mas fui convencida. O doentinho iria dormir toda a manhã e o pessoal do navio daria o apoio necessário, caso precisasse. Iria ficar bem cuidado. Então eu fui sozinha, com o guia e o motorista: os gentis Saladino e Ahmed.
Assim sacolejando na Van saímos rumo ao deserto escaldante. Depois de cumprirmos as revistas de praxe entramos no  grande cemitério de reis e nobres.


Os espaços são amplos, muitos túmulos estão fechados à visitação. Visitei  apenas dois e fui aconselhada a não ver o de Tutankamon porque nele só se encontrava  a mumia do faraó, quase sem adornos. O tesouro  que o acompanhou em seu túmulo ( e que por sorte não foi saqueado), encontra-se no Museu do Cairo, e já o havíamos visto. Aliás, só a máscara mortuária pesa 140 kg de puro ouro, uma maravilha.
 (réplica na Ilha dos Faraós no centro do Cairo)

Então penetramos no recinto, contornando a montanha, rumo ao tumulo de Ramsés IX , faraó que governou de 1129 a 1108 AC e  cujas realizações são vistas apenas,  em Karnak. O túmulo tem corredores longos que se abrem no seu final numa sala oval onde ainda se encontra o sarcófago. O trajeto é feito em descida e vai se aprofundando para o coração da montanha. As paredes são vivamente pintadas e trabalhadas, representando o faraó, em oração ao Deus Sol ( Ra) , rituais funerários , soldados, escaravelhos, batalhas, cortejos e outras cenas  da vida e da morte ,  muitas reproduções das figuras dos deuses e faraós, principalmente o morto, como se fossem feitas há poucos anos e nunca do alto dos seus dois milênios.
O tumulo de Ramsés IV continha também uma câmara  para o último descanso do corpo do  seu filho criança (falecido aos  cerca de nove anos). As paredes e nichos são cheias de  inscrições, altos e baixos relevos,  desenhos, hieróglifos. Aquilo mexeu muito comigo porque eu ficava imaginando os que desenharam aqueles símbolos ali, o que pensavam, como viveriam, seriam escravos ou artistas, ou simples artesãos cujo ofício seria entalhar as tumbas para receber os ilustres mortos. Que técnica empregada na fixação daqueles pigmentos perenizava aquelas cenas ...para que eu e todos os outros visitantes pudessemos chegar dois mil anos depois e apreciar aquilo, interpretar o modo de vida deles e suas crenças?..Inevitável a comparação com a nossa cultura nacional de ignorar a própria memória, inclusive para acontecimentos mais recentes.
Vejam que eu quase não tenho fotos deste local...estava também preocupada com o meu personal patient.
Dali tomamos a condução para o outro lado da montanha onde estava encravado solitária e espetacularmente o templo da Faraona HATSHEPSUT. Passamos pelos túmulos mais recentes, bemm simples como se vê da foto abaixo.


 O  carro ficou no estacionamento, mais distante, e em seguida tomamos um coletivo ( ônibus elétrico, similar aos trenzinhos do estacionamento da Disney) que tranportava aos portais do enorme e belo templo. A visão era surreal, lembrava um enorme espaço teatral , com o palco ao fundo e seu irreparável cenário.

Hatshetsup foi a única  faraona do Egito. Ela precisou usar de ardis para subir ao trono pela sua condição  de mulher. Toda esta saga está cravada nas paredes do templo. Você deve estar curioso para saber como ela conseguiu a façanha. Pois bem, satisfaço esta curiosidade: ela , com o apoio de sacerdotes, tratou de convencer o seu povo de que era mais do que humana pois sua mãe teria sido emprenhada pelo deus Amon-Ra. Como deusa ela convenceu seu povo de que poderia chegar ao posto máximo  pela vontade de seu pai deus. Assim superou as pretensões de seu sobrinho Tutmés, que só veio a assumir o poder após 22 anos de reinado da tia e assumiu a dignidade do cargo com  o nome de Tutmés III. 


Este monumento portentoso começou a ser erigido durante o reinado da própria faraona ( oitavo ano). A sua grandiosidade deixa transparecer a necessidade que ela tinha de se sobressair aos faraós seus antecessores pelo fato de ser mulher. No entanto essa conquista nunca foi usada a favor do gênero porque ela agia como homem. A apresentação de sua figura é mais masculina que feminina. O peito era largo e musculoso, assim como os braços. Usava aquela tradicional barbicha em forma de trança. As roupas não eram femininas também e como os homens usava o dorso seminu.
Voltando ao templo, ele foi construído em três patamares, e era destinado ao cerimonial da morte ( embalsamamento do corpo e mumificação) . Consta de várias capelas dedicadas aos deuses Amon, Anúbis, Ra-Hor-Akhti e Hathor.
No último piso ( os três construidos são acessados por rampas), encontra-se a ligação com o Vale dos Reis onde ficava , propriamente, o seu túmulo.  
Com a sua morte por infecção nas gengivas* aos 37 anos,  o parente sucessor tratou de dismistificar a sua figura e danificar, o máximo que pode, seus bustos e borrar sua imagem dos afrescos e pintura em que aparecia. Fez subsituir em muitas delas a figura da tia pela sua.Em outras nem se deu a esse trabalho, simplesmente desfigurou o rosto com cinzel ou outro objeto pontiagudo. 
Como eu não tenho compromisso com roteiros ( aliás no local você terá acesso aos mapas e os guias contarão todas as histórias e destacarão todos os deuses,  capelas e imagens  pela ordem certa desde a entrada), pretendo falar apenas dos pontos que mais me atrairam Assim,o conjunto de colunas da Capela de Anubis, em número de 16 e que  seguram o teto de um azul vibrante, cravejado de estrelas amarelas,  me impressionou e é digno de nota pela  conservação do colorido.

 Também a destacar os impressos nas paredes, como a figura da mãe engravidada pelo  deus, o transporte de dois  obeliscos, desde Karnak, a construção das barcas solares. Interessante ainda os detalhes da  expedição comercial dos egípcios a Punt, nas vizinhas terras do país , hoje conhecido como  Sudão. Registrou-se dessa viagem  a troca de mercadoria,  incenso, marfim e outras riquezas abundantes no local por jóias e armas oferecidas pelo visitante. A rainha anfitriã é retratada como uma pessoa obesa. São detalhes que tornam as informações sempre muito interessantes.
Nas paredes do templo as figuras reais ali estampadas, quer seja Hatshepsut ou Tutmés , estão sempre  acompanhadas dos deuses que lhes davam proteção, como a Deusa Hathor ( com orelhas de vaca), Horus, o deus falcão e outros.
A visita turística pode demorar cerca de 2 horas, se você se ater apenas a alguns detalhes , mas poderia levar dias para decifrá-los todos, se fosse ali com visão de historiador. Bem, não era o meu caso, não consigo parar horas a fio e ver todos os pormenores de cada desenho e de cada  cartucho e assim me ative  às coisas mais chamativas e as  destacadas pelo guia.

De todo modo eu estava no meu limite de tempo pois necessitava voltar ao barco. Pelo caminho ainda passamos pelos Colossos de Memnon, que são duas estátuas de 18 metros, situadas na necrópole do antiga cidade de Tebas e representam o faraó Amen Hotep III ou Amenófis III ( XVIII Dinastia). O templo que guardava foi destruído pelas cheias do Nilo e por saques.

Estas estátuas ainda possuem no lado de cada perna as figuras da mãe e da esposa principal. Os colossos estão muito desgastados e mal conservados. Há tempos em decorrência de um terremoto sofreu uma fissura e passou a emitir sons ao amanhecer, o que  gerou superstições.Ao final foi constatado que os fenômenos atmosféricos eram responsáveis pelas manifestações das imagens ( frio da noite, calor da manhã, essas coisas) Com a sua restauração as estátuas pararam de gemer.
Ao retornar ao navio encontrei tudo calmo e o doente ainda dormia. Almocei e o barco foi seguindo o seu rumo Nilo acima - no sentido  coração da África. Aproveitamos a tarde no convés vendo a vida passar morna e preguiçosa ao longo do curso do Nilo.

Também  ficamos entretidos com a passagem pelas comportas, que trouxe várias figuras locais para perto do navio a gritar para que jogássemos comida ou dinheiro.Todos homens vestidos em suas galabias. 


A noite  houve o famoso coquetel do comandante no salão nobre do barco e a chegada a EDFU, matéria de nossa próxima postagem. Arriverderci.


* Pesquisa extraída da Wikipidia: "Tendo em conta que o nome de Hatchepsut foi suprimido das principais listas de reis do Antigo Egipto, desconheceu-se durante muito tempo a existência de Hatchepsut. Em meados do século XIX, quando a Egiptologia se estruturou como campo do saber, iniciou-se a redescoberta da rainha-faraó. Em 1922-1923 o egiptólogo Herbert Winlock, que realizava escavações em Deir el-Bahari na área pertencente ao rei Mentuhotep II, encontraria uma série de estátuas de Hatchepsut. Uma parte destas estátuas estão hoje no Museu Egípcio do Cairo e no Metropolitan Museum of Art. Recentemente a múmia de Hatchepsut foi localizada através de uma pesquisa que contava com testes de DNA, tomografia computadorizada, entre outras 2 múmias, e um grande mistério que envolvia sua morte. Através de um dente molar, encontrado em uma caixa mortuária de madeira e com seu nome entalhado, que também continha seu fígado mumificado, foi possível afirmar que uma das múmias em questão era a de Hatchepsut. Cientistas descobriram também que sua morte foi devido a uma infecção na gengiva"

sábado, 10 de setembro de 2011

O VALE DO NILO

LUXOR

O Vale do Nilo foi o segundo destino nosso nessa última viagem. Contudo acho a mais difícil de relatar, porque há muitos templos e confesso que as imagens se embaralham na minha cabeça. Tenho muitas fotos, algumas anotações, mas os templos são parecidos e em face do tempo decorrido as impressões de detalhes vão se apagando da memória. Espero ser o mais fiel possível. Então vamos lá:
Deixamos o Cairo numa ensolarada (redundante, foi só pra enfatizar),  manhã de  junho. Acho até que era um domingo, mas como os muçulmanos  não guardam o domingo acaba passando desapercebido para a gente também. Fica combinado que era um dia como os outros. Pra quem viaja o melhor são os dias úteis porque as lojas estão abertas, não há restrições em restaurantes, as ruas centrais não estão vazias.. Os lugares ficam mais alegres, mais agitados,  com mais vida.Voltando.... O nosso guia escolheu um percurso simpático até o aeroporto, pelas ruas de Heliópolis, o bairro elegante do Cairo. Aqui há alguns sinais de trânsito e avenidas largas com canteiros centrais na separação das pistas, além de faixas para pedestres (progressão!). Ali há muitas casas bonitas e não se parece em nada com o centro da cidade tão empobrecida e cinzenta ou cor de tijolo (muitas casas os expõem, assim sem caiação). A região do aeroporto está sofrendo reformas drásticas  e parece que vão surgir  grandes áreas ajardinadas. Tomara.
O ingresso na área do aeroporto (como todos os locais turísticos ou prédios públicos por lá) é precedido de muitas medidas de segurança,com detectores de metais e policiamento ostensivo. Se desconfiarem do passageiro, ali mesmo nos portais de entrada dos carros eles fazem revista, olham o interior do veículo.
Feito o checkin nos encaminhamos para a sala de embarque e aí aparece um outro Cairo, elegante, bonito e confortável.
A Cia que faz o trajeto Cairo - Luxor é a Air Egypt.
O voo durou cerca de 1 hora e 20´ cruzando 670 km de deserto até Luxor, região sudeste do Egito. Do alto se podia ver a vastidão do Sahara, com sua inconfundível coloração. Vez por outra o avião bordejava o Nilo, e aí o quadro se pintava de verde ou verde escuro das águas, mas depois voltava a visão das ondulações naquele mar de areia e pedras.  Aqui e acolá riscos grafites indicavam estradas de rodagem ou estradas de ferro cortando valentemente aquela imensa solidão róseo amarelada.
O Aerorporto Internacional de Luxor também é uma bela surpresa, embora pequeno. Luxor é um lugar muito visitado, com voos charter vindo diretamente de todas as partes da Europa, impondo-se assim que sua porta de entrada, de fato, seja convidativa.
Como havíamos contratado os serviços de uma operadora em todos os países, aqui também fomos recebidos pelo incansável Saladino. Logo nos levou ao barco, onde nos alojaríamos.  A cidade de Luxor é arrumadinha, bem mais simpática que o Cairo. A população cuida da imagem do lugar, mantendo alamedas floridas com flamboyants, primaveras (bougainvilles) e outra flores e trepadeiras nossas conhecidas. Na foto o cais do porto. Os barcos como se vê não são transatlânticos. Existem dezenas deles, todos parados no cais por falta de passageiros, o que só ocorreu após as rebeliões internas, para varrer do poder a ditadura que se intalara no Egito por 30 anos (Não conversamos com nenhum egípcio que fosse a favor da ditadura. Eles estavam muito empolgados com os novos ventos que sopravam sobre o país).

O nosso barco era da rede Sonesta, uma referência de bons serviços. Parece que os proprietários são americanos, com muita experiência em hotelaria.Abaixo a entrada principal do barco.

Todas as instalações lembravam o Oriente Express: o saguão de recepção, as salas e salões, a sala de refeições e sobretudo os apartamentos, com paredes forradas de tecidos de seda e móveis de época.

KARNAK
Após nos instarmos realizamos  nosso primeiro passeio pelos templos da região. Primeiro o "huge" templo de Karnak.


Na verdade são vários templos que compõem o conjunto dedicados à tríade Tebana Amon, Mut e Konshu. O templo é fantástico.  Eu já o conhecia  de livros de história  desde meus bancos escolares e me senti tão familiarizada, como se estivesse revendo um velho amigo. Eu sempre fui uma apaixonada pelo Egito, (antigas civilizações) e o meu grande sonho era conhecer  tudo isto. Meu livro de cabeceira na adolescência era ..E o Nilo continua..., da benemérita Carmen Anes Dias Prudente (esposa do famoso Antonio Prudente que fundou o Hospital do Câncer em São Paulo). Mesmo assim eu não deixei de me extasiar ao apreciar  estas obras  fenomenais. Falar em Karnak, de Luxor (antiga Tebas) é falar das colunas imensas, esculturas e pinturas tão preservadas  como se tivessem sido feitas  ainda neste século.

 Para visitar este templo fomos de carro, que ficou estacionado a poucos passos do pórtico (Os pilonos). Caminhamos em  direção às imensas colunas em forma de flor de lótus tendo ao fundo o colosso de Ramsés, que é  outra enorme estátua de granito do faraó Ramsés II tendo aos pés uma de suas filhas. Ultrapassada essa imagem chega-se ao grande salão com hipostilo. As  colunas são ainda maiores e mais imponentes. Há desenhos esculpidos em todas as paredes e ainda são incrivelmente visíveis e identificáveis. Há cenas de caça, oferendas aos deuses,  cenas do cotidiano, plantas e animais. Todo o complexo tem cerca de 400.000 m2. E paralelo às estruturas dos templos  há um grande pátio onde se  encontra o lago sagrado

 tendo  a direita e ao fundo,   a escultura de um grande escaravelho. O escaravelho não é nada mais nada menos do que o nosso simpático rolabosta. Para os Egípcios o animalzinho era sagrado. Essa antiga civilização sabia das coisas, que incrível. O rola b.. é um bicho ecologicamente correto (diríamos), leia mais sobre ele e sua função no reino animal, que não posso perder tempo com isto agora. Nesse momumento os turistas que ali chegam tem que dar três voltas ao seu redor, que é para atrair sorte (fertilidade ou dinheiro, conforme o sentido horário ou anti-horário que escolher). Todos embarcam nesta grande brincadeira e as vezes é ridículo e risível mas eu por via das dúvidas fiz a minha parte. Não sou eu que vou duvidar de crenças tão antigas.

Esse complexo foi sendo construído com o correr do tempo, em várias  dinastias e as informações são de que levou cerca de 2000 anos. Cada faraó acrescentava alguma coisa de seu e ou destruía a do seu antecessor. Os templos estão relacionados sobretudo a Tutmósis III, Amenófis III e Ramsés II que mandou erigir a grande sala do hipostilo com suas gigantescas 134 colunas .  





O templo de Luxor
 Bem, como eu falei inicialmente há vários templos, alamedas de  esfinges, obeliscos, capelas, incrustações de simbolos nas paredes contando guerras  , rituais religiosos, colunas com capitéis em forma de papiro e em forma de flor de lotus. Há muito o que ver, o que apreciar. As histórias são contadas pelos guias, mas são tantas as informações que no meu caso eu resolvi ouvir tudo sobre Amenhotep, Tutmósis, Tutankamon, Hatsepshut, Ramsés sem compromisso de armazenar tantas informações. Sorry....

O templo de Luxor situa-se  mais no centro da cidade, proximo às margens do Nilo. A vista noturna dele é gloriosa porque as luzes amareladas lhe conferem um encanto especial.
Foi mandado edificar por Amenhotep III, mas teve importantes acréscimos feitos por Ramsés II, dentre os quais os pilonos e dois obeliscos de granito rosa (um dos quais presenteado à França e se encontra no coração de Paris, na Place de la Concorde). Na minha humilde opinião um absurdo, pois se trata de patrimônio do povo Egípcio. Mas convenhamos que ficou lindo na Cidade Luz e o mundo já não pode sobreviver sem aquela composição (Arco do Triunfo, Champs Elisées, Place de la Concorde, etc..)
Na grandiosa entrada do templo ainda temos uma das estátuas de Ramsés, enorme como tudo ali.
Também na entrada dos templos interiores vê-se outras estátuas de Ramsés. Nos pátios diante do templo dedicado ao deus Amon, existem fileiras de colunas, cujos capitéis reproduzem  papiros.
Depois de um dia pleno de emoções e renovados na nossa visão de Egito, voltamos ao navio para os jantares e outras atrações a bordo.
O navio partiu de Lúxor muito cedo (5 da manhã) e quando acordamos para o delicioso café, já estávamos singrando as águas do Rio mais famoso do mundo. Suavemente, quase sem sentir,  o barco se deslocava rumo ao próximo destino: EDFU .


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

UM OLHAR SOBRE O DESERTO


MASSADA E MAR MORTO

Era feriado em Israel, o dia da Colheita. Trata-se de dia Santo e tem toda uma implicação com fatos  bíblicos. Tomamos o café da manhã e pudemos apreciar a decoração do hall do hotel, alusiva à data, ornado com frutas, legumes, ovos,  trigo, latões de leite e outros. O quadro de avisos alertava sobre a presença de um camelo, nas suas  dependências, no final da tarde.
A foto acima foi tirada no dia seguinte e já não representa fielmente o que descrevemos acima,
uma vez que alguns produtos que compunham os arranjos foram retirados.
Para a excursão havíamos marcado com a empresa de turismo as 8:00 da manhã. Uns cinco minutos antes descemos e junto à recepção encontramos o extrovertido Sr. Kauffmann nos esperando. Sempre alegre e cordial nos encaminhou a seguir para a Van, que nos conduziria pelo deserto até o Mar Morto, o Kibutz de Ahava e Massada.
Novamente estávamos  sós no veículo, nós e o guia num agradável bate-papo. Contudo a alegria durou pouco. Ele nos levou apenas até o ponto de encontro e lá recolheu  uma leva de turistas ingleses, sul-africanos, australianos, chineses, indonésios etc..A excursão em lingua inglesa, única opção para aquele dia Santo judeu, não nos desagradava. Foi bom para fortalecer o conhecimento do idioma.
O micro-ônibus rumou para o sul  de Jerusalém em direção à região central de Israel e foi passando por aglomerados de moradias de  palestinos, o que nos espantou pela extrema pobreza. As casas são de lata e reverberam os raios solares. Água, apenas a fornecida pelo Estado de Israel, através de carros-pipa. Árvores, nenhuma, sombra nenhuma, plantações idem. Apenas alguns camelos, burricos e cabras.
Passamos também por regiões com segurança reforçada, bem protegidas pelo perigo que apresentam, uma vez que se trata de assentamentos judeus em áreas palestinas, conquistadas  nas últimas  guerras . Há várias barreiras policiais. O local é  montanhoso, mas a medida que vai se afastando de Jerusalém e dos mencionados assentamentos vai-se descendo até a altitude se tornar negativa em relação ao nível do mar. Ou seja , entramos num buraco no sentido centro da terra.  Ao longo da estrada existem as marcações: nível 0, -50, -100 e assim por diante. É o ponto mais baixo do planeta, tendo ao fundo o Mar Morto, que está virando uma poça d'agua e tende a extinguir-se (ironicamente diríamos: a morrer).
Quando a estrada chega junto ao Mar  pode-se ver vários kibutzin, que são verdadeiros oásis, em geral plantados com tamareiras.

 O que não é irrigado,  é deserto. Então cada kibutz é uma mancha verde entre o mar e o deserto ocre. As águas são  de cor muito azul, assim como o céu, então a paisagem é belíssima, por incrível que pareça. Claro que eu não moraria num local tão árido ( se me fosse dada opção, claro), mas é bonito para ser visto, nem que seja uma única vez na vida.
A primeira parada foi no Kibutz de Ahava, onde está instalada uma empresa que produz cosméticos com o sal e as águas do Mar Morto.

 Há cremes para o corpo, para pés e mãos, para homens e mulheres,  sabonetes delicadamente perfumados, lama negra, sais para banho e outros. Abaixo,  foto da estátuas de sal, na entrada da loja, lembrando a destruição de Sodoma e Gomorra, que eram bem próximas dali.

Fiquei encantada com o primeiro contato, assim tão próximo com o Mar Morto.
Mas a paisagem de montanha era de tirar o fôlego. As fotos não retratam  o que se vê  -   nem uma nuvem no céu, cadeia de montanhas, tamareiras e árvores (irrigadas) esporádicas, deserto de areia e pedras. Enche os olhos. Podem acreditar.


Após as aquisições de alguns  produtos em Ahava, partimos para o deserto da Judéia onde se situa Massada. Passamos pelo balneário, onde voltaríamos para a experiência de um banho naquele mar onde não se afunda.
Massada é uma elevação que fica a pouco mais de 400m acima do nível do Mar Morto.Ligeiramente acima do nível dos nossos mares.


No sopé do monte há um grande anfiteatro onde são apresentados espetáculos de óperas. Na sequência há  uma base para recebimento dos turistas, com lojas, restaurante e a estação de teleférico que leva ao topo da elevação. 

É semelhante ao bondinho do Pão de Açúcar, todo envidraçado e corre por um cabo até o plataforma de Massada. A vista é fantástica.

Bem, e o que é Massada? Massada é uma fortificação construída por Herodes, construída por volta do ano VI antes de Cristo. Ainda podem ser vistas por lá ruinas e partes, até bastantes conservadas, das construções daquele complexo.


 Massada foi cenário de um suicídio coletivo, mas há controvérsias. A história é contada em várias versões. Para nós foi dito que uma vez cercados os judeus designaram dez dos seus  homens para matar todas as pessoas. Depois um teria matado os outros e se matado. Duas mulheres e cinco crianças teriam ficado escondidas nas cisternas e contaram o sucedido. O suicídio não é admitido pela religião judaica, razão pela qual não consta das versões oficiais israelitas que tenha sido um suicidio em massa. Consta que quando os romanos chegaram encontraram todos mortos .
O local por ser mais chuvoso que o seu entorno serviu como um agradável SPA para Herodes e sua corte, com muita água, que era colhida em cisternas e descia por gravidade para as casas de banho.

Na beira do penhasco encontram-se ainda visíveis partes da sacada que pertencia à biblioteca.


 O lugar, além de histórico, possui  provas materiais de sua imponência revelada nos aquedutos, casas de banho, sinagoga e outros vestígios encontrados pelos arqueólogos e recuperados para que possam  ser apreciados. Era um  avanço para a época e causa admiração a engenhosidade das obras.
Descendo pelo mesmo teleférico aproveitamos para comprar um mezuzah e outras pequenas encomendas. Depois almoçar. Saindo de Massada rumamos para o balneário onde tomamos banho de mar e passamos a lama negra no corpo. A pele fica realmente uma seda. Brincar nas águas do Mar Morto é como ir a qualquer praia.

 Cadeiras de praia, mesas sombreadas e um salva-vidas para também cuidar do tempo de permanência no mar (até 20 minutos). O mar é muito salgado e um pingo de água no olho arde como pimenta. Existem chuveiros com água doce junto a essa área de descanso. Quanto a flutuar, de fato o corpo não afunda, e a sensação é estranha quando se tenta ficar de pé, porque é uma operação difícil.

No fim da tarde retornamos a Jerusalém . No hotel o camelo pré-anunciado fez um passeio pelo hall, com suas selas coloridas. Um belo e fatigante dia. Mais uma experiência na nossa bagagem.  




quarta-feira, 3 de agosto de 2011

ISRAEL


JERUSALÉM - A TERRA SANTA



Nessa viagem, desde que saimos do Brasil, fizemos oito trechos em aviao: Sao Paulo/Londres – Londres/Cairo – Cairo/Luxor – Luxor/Cairo – Cairo/Amman – Amman/ Tel Aviv – Tel Aviv/Londres – Londres/Sao Paulo. Como veem ficamos experts em aeroportos, alfândegas e  polícias de fronteira. Na Inglaterra, como eu falei em outras postagens, a polícia está ficando cada dia mais exigente, gosta muito de longas entrevistas (boring) , sendo a pessoa jovem ou mais madura. Os paises árabes foram muito cordiais sempre e receberam como se recebe a um turista, que vai deixar divisas para o seu pais, com todas as facilidades. E... VAI ...BRASILEIRO TÁ  PODENDO...MODESTIA ÀS FAVAS...Melhor nos agradar..nos paparicar...Em Israel não  é bem assim. No retorno para Londres chegaram a tirar o meu marido da fila para análise de seu passaporte europeu. O meu verde/amarelo de capinha azul foi carimbado sem maiores problemas. Mesmo assim eu acompanhei meu marido , pois não ia sair de Israel e deixá-lo  a mercê sabe Deus de que e de quem...Fiquei muito brava. Pois isto gera desconforto e constrangimento.
A gente até entende que eles tenham que ter muito cuidado para não correr riscos de atentados, mas brasileiro só é assustador no trânsito, o que não é o caso. O povo normal é bem tranquilo e não gosta de briga. Sobre a outra nacionalidade dele,  a região do qual ele é oriundi - Múrcia, na Espanha -   é pacata também. Bem, deixando meu protesto de lado vamos ao  próximo  episódio: a  viagem a Jerusalém.
Saimos , com dor no coração,  do encantador Reino Iachemita da Jordânia. Achei elegantes aquelas aeronaves da Royal Jordanian Airlines...Tudo vale a pena no pequeno  e progressista pais do Oriente Médio. Ai que saudades de Petra...

Poucos minutos após deixar Amman, Aeroporto Queen Allia, estávamos sobrevoando a cidade de Tel Aviv. Menos de trinta minutos e já estávamos divisando essa progressista cidade de Israel. O avião fez uma longa volta sobre o mar Morto e finalmente   aterrisou no Ben Gurion. Que aeroporto lindo ! Muito vidro, fontes, paineis.
Antes mesmo de pegar as malas já constatámos a presença do  nosso “transfer”. Saimos do aeroporto direto a Jerusalém. A cidade é organizada, limpa e muito  bonita.
Nos hopedamos no Hotel Dan Panorama.

O hotel estava cheio, diferente dos demais em que nos hospedáramos. Para nossa surpresa ficava num ponto bastante favorável, tanto do nosso objetivo maior, o de visitar exaustivamente a Cidade Santa ( a Old Jerusalém - cidade velha) e a rua onde se situam alguns bons  restaurantes. Isto é fundamental.
Confesso que o Hotel, categoria quatro estrêlas, deixou um pouco a desejar. O atendimento na recepção era fraco, lento, quase desinteressado. O serviço de limpeza dos quartos também. O restaurante ..hummmm, melhor não falar...Um dos nossos guias disse  que o hotel estava mudando de dono, razão pela qual estava caindo de qualidade. Lamentável, porque está bem situado e tem uma boa estampa (hoje estou para reclamações). Na verdade o viajante sempre espera mais dos países mais ricos, e como foi o pior serviço que tivemos acho bom divulgar. Afinal  o blog serve para isto. 
Prosseguindo. Feito o check in, tomado um banho rápido fomos caminhando até a grande  Muralha que contorna a velha Jerusalém. Caminhando agradavelmente pelas ruas floridas aparece de repente  a visão da imponente construção.


 PORTA DE JAFFA, o principal ingresso. Subimos as escadarias que levam até a nossa Cidade Sagrada. Ao transpormos os umbrais, Toninho me perguntou: fim de tarde , o movimento começa a cair, para onde iremos? Bem... respondi, deixa a Mão Dele nos levar. E nos levou, vejam onde paramos, sem mapa, sem bússola, sem GPS:

ao Santo Sepulcro. Estava vazio. Nós e ÊLE. Foi uma emoção. Percorremos cada espaço, cada palmo para tentarmos nos localizar na Biblia, na história, no centro da religiosidade.  Na entrada, uma lápide sinaliza o local onde o corpo de Cristo foi deitado após ser retirado da cruz.

 





 À direita a base do Gólgota é vigiada por uma freira que ora num dos cantos. Apenas um vidro mostra como era este sitio à época da condenação e morte de Cristo.

Subindo as escadarias que ficam imediatamente à direita de quem entra na igreja, e acima da sala mencionada está o local oficial onde Cristo foi crucificado. Ali existe uma cruz e abaixo da cruz está exposta igualmente uma parte do  terreno, onde através de um buraco se pode tocar com  a mão a terra nua.
Descendo e seguindo para a esquerda, chega-se ao local do sepultamento. O jazigo é uma capela, em tons rosa seco e encimada por painéis de colorido vivo, com passagens biblicas.  

Penetra-se numa ante-sala estreita e escura, iluminada por velas .

 Finalmente, após prosseguir  por uma estreita e baixa passagem chega-se ao Túmulo. No local cabem poucas pessoas (três ou quatro). A sua vigilância é feita pelos representantes do vários ramos do Cristianismo: ortodoxos gregos, sírios, armênios, coptas e etíopes,  pelos católicos romanos e outros. A igreja troca diariamente de administração, sendo a chave entregue ao segmento escolhido por um muçulmano, conforme tradição. Isto porque os co-irmãos em Cristo não se entendiam no que se refere ao quesito administraçao desse solo sagrado. E está dando certo há centenas de anos. O que prova que poderia dar certo o convívio entre eles também..Por que será que náo se entendem? Parece uma pergunta ingênua diante de tantas implicaçôes históricas e políticas, mas pode ser interpretada como "puxão de orelhas".
Naquele primeiro encontro o túmulo santo estava sendo  cuidado por Ortodoxos Gregos. Voltamos para o hotel, passando com calma pelas lojas convidativas e coloridas  da velha cidade. Alma lavada, restaurada, revigorada.


Um taxi nos levou até um restaurante  pois já era tarde, a noite havia caído e a fome e o cansaço já se manifestavam.
Foi um sono bom, daqueles que descansam o corpo exausto.
Dia seguinte fomos atrás da VIA DOLOROSA .
 Vale ressaltar inicialmente que a cidade antiga (Old Jerusalem) é dividida em quatro bairros (quarters): Armenian Quarter (Bairro Armênio), Christian Quarter (Bairro Cristão), Moslem Quarter (Bairro Muçulmano) e Jewish Quarter (Bairro Judeu).
A Torre de Davi, logo  a direita da Porta de Jaffa, encontra-se no Bairro Armênio. Caminhando nesse mesmo lado, sentido anti horário está o Bairro Judeu junto ao famoso Muro das Lamentações (Western Wall). Prosseguindo temos o Bairro Muçulmano, com a famosa Dome of the Rock, recoberto de ouro. Fechando o circuito e encontrando novamente a  Porta de Jaffa temos o Bairro Cristão onde está o Santo Sepulcro.
Para ir direto rumo ao Santo Sepulcro assim que se passa a Porta de Jaffa anda-se em frente pela King David St, sempre descendo.O caminho é em meio ao labirinto de lojas com todo o tipo de ofertas, desde tapetes e mantas bordadas, a jóias e bijuterias, pequenas lembranças, temperos, comida e bebida.
A Via Dolorosa tem o nome assim mesmo, escrito em latim, igual ao português. Portanto não há dificuldades. Além desta facilidade ainda há boa sinalização. O nosso livro/guia londrino sobre Jerusalém descrevia com clareza os pontos de interesse (pode-se baixar mapas pela internet ou retirar nos hotéis e lojas de informações turísticas). Cada um deles revela surpresas impensadas, capelas, grutas, subterrâneos.

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