terça-feira, 19 de julho de 2011

JORDANIA - UMA DADIVA DE PETRA


 JORDÂNIA - UMA DÁDIVA DE PETRA





(Desde os tempos da Rota da Seda)
Feita para a relação Nilo/ Egito, a frase cai como uma luva para a relacão Jordânia/Petra. O conjunto é mais e maior  do que o país em que esta inserido.

  Sem dúvida Petra é dos monumentos mais fascinantes do mundo, quiçá o mais. Ainda não conheço as muralhas da China, os templos perdidos do Cambodja – Angkor Vat, Machu Pichu, mas não consigo imaginar algo tão colorido e alegre como aquelas pedras rosadas esculpidas por Deus e por habilidosos Nabateus e durante muito tempo esquecidas  no Reino Iachemita da Jordânia (nome oficial do País), tendo como pano de fundo  o céu do azul mais profundo.

  O país é organizado, limpo. O progresso é visível em Amman. A construção civil vai de vento em popa. Há bairros novos, cheio de  casas  (palacetes) em construção ou recém construídas.


 Dizem os locais que são propriedades dos iraquianos milionários. Aqueles que deixaram o povo brigando e estão apreciando a guerra à beira de uma piscina, no hiper conforto de suas mansões . O  luxo e a  ostentação estão ali, a vista de todos. Surge uma camada social nova, que, se por um lado trouxe progresso e dinheiro para o país (e a que custo!), por outro inflacionou o custo de vida da população nativa. Assim...., a primeira vista,  parece que os benefícios  para a Jordânia  se sobrepõem aos prejuízos, mas com uma viagem tão curta e sem conhecimentos profundos da economia do país (o que não é o meu forte), não é possível avaliar. O que vimos no centro da cidade foi uma cidade tradicional árabe. Aquele comércio de roupas penduradas,


 casas coladas, apinhadas nos morros. Uma massa compacta de cor areia, sem sombras   e com pouco verde.

Há pontos históricos, monumentos e mesquitas, e a Cidadela. Obras de arte para serem apreciadas, pinceladas de ocre.

 Ficamos no Hotel Kempinsky,  pertencente a uma conhecida cadeia internacional, situado na  Abdul Hamid Shouman St,  bairro Shmersani, onde predominam os restaurantes internacionais e outros hotéis de bom padrão. O guia Joseph, hispano –palestino contou das riquezas do país, do Vale do Arnon, da minúscula saída para o Mar Morto- Aqaba, do Rio Jordão, do deserto de Wadi-Rum e de outras maravilhas do país. Eu falei outras, claro, porque Petra é obsessão, quem pode pensar em algum  ponto turístico tendo Petra na vizinhança.
Saímos cedo de Amman numa van cheirosa e confortável, acompanhados pelo guia Joseph, pelo motorista Ahmed e por Alfonso e Dolores, um simpático casal mexicano em viagem de turismo.


Foi a primeira vez que partilhamos um passeio com alguém. Nas vezes anteriores estávamos sempre sós. Não há turistas em abundância por lá, o que torna os passeios mais tranqüilos sem grandes aglomerados. O que não quer dizer que seja bom para a economia da região. O fato de tantas guerras  e revoluções afasta os possíveis interessados e minimiza essa importante fonte de rendas para a população e de  riquezas para os países.
O carro cruzava o deserto em boa velocidade. A estrada era apenas um risco grafite na paisagem seca e róseo-amarelada  do deserto. Acho que uma viagem em  jipão off road ia ser pura adrenalina, dançando ao som emitido pelo atrito  dos pneus contra a  areia fina... Foi só uma ilação...O pensamento tem asas  e voa alto e longe.. Imagina quatro vovós sacolejando durante horas. As dores lombares, com certeza iriam  prejudicar os próximos passeios...Mas  pelo menos meus netinhos não dirão que meus sonhos são caretas....
Continuavam a passar diante dos nossos olhos pequenos povoados,  cujas casas brotam da areia e com ela se harmonizam e se identificam plenamente.

Camelos cobertos com mantas coloridas davam o toque mais vivo à paisagem árida. Passamos por varios povoados como Al Hase, Jurf al Darawish e Ma'an. Neste trajeto os trechos mais altos propiciam muita neve no inverno e temperaturas muito baixas, segundo o guia  Joseph. Percorridos os 280 km em 3:30 horas chegamos ao destino. A Van estacionou e fomos orientados sobre os usos e costumes do local e sobre a opção de condução a tomar para o passeio. Decidimos caminhar (os quatro) pois há detalhes ao longo do percurso que merecem ser vistos com calma, mormente os primitivos aquedutos e canais para aproveitamento das aguas da chuva, que eram a grande especialidade dos povos que habitaram primitivamente o local.


Passamos a enfrentar os cerca de 1 km até a entrada do desfiladeiro, que liga o mundo à grande obra dos Nabateus. O sol estava de fato inclemente, mas mal era percebido, tão grande a expectativa pela maravilha que nos aguardava (melhor eu ser mais parcimoniosa com a adjetivação senão faltarão palavras para descrever  aquela que é uma das setes maravilhas da humanidade e que me deixou literalmente fascinada).

Desde aquele ponto, já havia oferta de  conduções alternativas (cavalos árabes ou  charrete). Quanto aos cavalos parece que não são admitidos na cidade perdida, somente até seu limte. Quanto as charretes, estas sim. Os beduínos que exploram estes serviços são insistentes e procuram convencer o turista  a aceitar o serviço, por todos os meios.
Mas nós ainda estávamos refrescados pelo ar condicionado do nosso veículo de transporte e tínhamos uma vontade imensa de ver os detalhes, cada palmo deste impressionante caminho. Parte do trajeto era mais pedregoso que arenoso. Usei sandálias confortáveis, mas talvez o mais conveniente e adequado fossem tênis. Ao chegarmos à boca do desfiladeiro fizemos uma parada técnica para  uso de banheiros  e abastecimento de água. A lojinha oferecia objetos artesanais e souvenirs, mas isto era o que menos interessava naquele momento. Depois que deixamos este ponto de parada e assim que galgamos os primeiros cem metros já nos deparamos com dois beduínos vestidos de guerreiros nabateus,  como os  dos primeiros tempos.

Mais gorjetas..muitas ao longo de toda a viagem.
Seguimos pelos meandros sinuosos do desfiladeiro, cercados e refrescados pelas enormes paredes de pedra, vimos as obras de represamento de água (originalmente existentes).
Nesse ponto uma tempestade repentina provocou uma enchente nos anos 80 que causou a morte de 28 visitantes franceses. Atualmente  recuperados,  para evitar novas surpresas de afogamentos no deserto (sem risos, desculpem mas nao posso contê-lo, parece ironico..mas é sério e pelo visto, fatal ..). Há grutas, escritos, formações rochosas que lembram animais, tudo colorido pelos minerais que compoem as pedras do canyon. Quando nos aproximamos do grande salão onde se encontra o prédio principal o guia nos parou e mandou que fizéssemos fila indiana,  todos de olhos fechados, mãos nos ombros uns dos outros,  até o  local em que se descortinava o que entendemos pelo Tesouro de  PETRA (Kasneh). É de fato um momento único. Um monumento grandioso, feito pela mão humana, arquitetura em estilo greco-romano,   como uma obra prima de transformação da rocha bruta em arte. Rosa... veios amarelados ou mais escurecidos, esverdeados, são joias de uma beleza inigualável. Diante do grande hall onde se a abre o desfiladeiro, surge uma fachada  majestosa, grandiosa, que pertence ao conto das Mil  e Uma Noites..

É um conto muito árabe, remete ao Ali Babá, ao tapete voador...Quem pode cair na realidade diante de um mundo tão encantado...Isto que eu estou vendo existe mesmo ou é miragem? Que mais o mundo poderá me reservar de boas surpresas? É...realmente um privilégio  viver neste inesgotável planeta azul. Inesgotável de belezas e diversão e aqui eu me remeto ao meu netinho Julio que diz...Esta parte "de diversão"  eu não gosto...Ele ainda não sabe do que se trata e o quanto é bom...loas à inocência e candura das crianças...
Depois de nos quedarmos mudos e extasiados, passamos a explorar o pedaço...espionar o majestoso monumento , perscrutar todos os seus andares inclusive os que ainda se encontram abaixo da terra e foram descobertos e expostos recentemente ao público..

Escavado na rocha  conta com uma sala encravada na bela  montanha  rosa. Há andares subterrâneos também, mas não estão abertos ao público. Estes homens loucos que destroem tudo  tentaram levar pedacos e descaracterizar aquele templo fantástico com escritas...I love you Mary, Jean aime Monique, etc.. Fecharam e fizeram certo, mas é possivel ver o interior, mesmo  do lado de fora e se espichando nas muretas. Para mim não foi suficiente...Não me satisfez a visita de um dia..é pouco, é nada, estou frustrada, mas prossigo, pelo vale sinuoso e elegante e aparecem outros momumentos, mortuários ou religiosos (templos) dos antigos Nabateus. De nobres a pebleus ricos.

Mas como tudo é finito neste mundo, chega um momento em que o passeio encantado acaba...pelo menos por este dia que me levou ao êxtase...Petra foi o lugar mais belo que ja visitei até hoje. Sem palavras me lembro com alegria do dia em que conheci as pirâmides do México (San Juan de Teotihuacan e Chichén Itzá), os monumentos de Copán em Honduras; as pirâmides mais famosas,  do Egito (Quéops, Quéfren, Miquerinos, Sakara e outras menores), templos e outras belezas na Grécia, na Itália e na Turquia,  mas realmente não há nada que se compare a este tesouro róseo.
Há uma extensa programação no local...ver o entardecer...comer com os beduinos em suas  tendas...pernoitar naquele paraiso, que fica todo iluminado de velas ao longo do percurso...Deixo ao seu descortino a escolha pelo melhor programa a se fazer em Petra...Ah ! Me esqueci do vôo de balão..
Saindo da magia de Petra, eu ainda diria sobre a Jordância,  que o Rei Abdulah II,  trabalha o culto a sua pessoa...e a sua familia. Tendo um bela rainha loira e sendo filho de inglesa foi preparado em Londres e segue os mesmos passos da nobreza britânica.  O seu herdeiro está sendo encaminhado para os elegantes Colleges ingleses, em Oxford ou Cambridge. O seu palácio atualmente é fora de Amman, onde vive  com muita segurança. Outros tempos. O Rei aqui reina e governa, apesar de manter um regime parlamentarista bem ameno, onde a maior autoridade é a sua. O Dinar vale igual à libra esterlina e tudo é bem caro por lá. Souvenirs? Compre a prata pintada, pratos, vasos e outros bibelôs decorativos, com cores tão vivas que não se pode imaginar sejam de prata.
A empresa aérea é a elegante Royal Jordanian Airlines


Para nós brasileiros, transitar por estes aeroportos é uma incrivel experiência...cheios de pessoas diferentes, com os trajes mais estranhos e exóticos possíveis. É uma verdadeira viagem...pela cultura ...pelos valores, pelos costumes e pela moda dos povos do Middle East.
Retornando de Petra voltamos ao nosso confortável hotel, para o merecido descanso


 e para momentos de meditação sobre o que vimos...se foi verdade...se foi só um sonho e passou...
Dia seguinte tomamos aquele lauto e delicioso café da manha e fomos passear pela cidade, pelo bairro novo de mansões dos milionários iraquianos, fomos pelo Centro antigo, pelos prédios governamentais


e pela Cidadela até chegar ao aeroporto rumo a Israel...Nosso próximo destino: o belo aeroporto Ben Gurion de Tel Aviv, nossa primeira parada na Terra Santa.
Ué...Mas eu nem contei sobre o Vale dos Reis e das Rainhas, nem falei de Luxor e da navegação no Nilo. Foi bom, posso garantir...mas ainda não decidi sobre o que falar. A proxima postagem ..só Deus sabe sobre o que vou me decidir a falar. Aguardem.
Finalmente, explicando o desvio destas postagens do seu objetivo inicial, qual seria o de dar dicas de como viajar por conta própria, sem precisar dos guias e agências de viagem eu diria que há casos em que viajar sem acompanhante local não é recomendável, como no caso de viagens ao Oriente Médio. Território turbulento, há sempre alguns riscos em razão da situação de quase guerra em alguns países.
Acredito que sairia  mais caro, e sempre haveria no fundo um temor quanto a segurança. Não dominamos o idioma árabe, e o inglês não se mostra suficiente para que a viagem deslanche tranquila, sem sobressaltos. Os costumes também são muito diferentes, inclusive quanto ao tratamento em hotéis, restaurantes e outros serviços. Na Jordânia, especificamente, que se precisa de visto para a entrada no País, a segurança de um assessor dentro das áreas restritas do aeroporto foi de grande valia. Eu não gostaria de me arriscar, mas se você quer uma viagem cheia de adrenalina e surpresa e dispõe de tempo vá em frente. A internet pode ajudá-lo nesta tarefa....See You ... na proxima postagem...
















sexta-feira, 17 de junho de 2011

LONDON ..LONDON...

Entendendo a cidade..

Saimos do hotel na hora que foi possível, ou seja  sem pressa…Era o meio da manhã e resolvemos pegar o ônibus. Hoje foi o  dia de curtir o double red bus, o vermelhinho de dois andares. Sentar na parte de cima favorece vistas privilegiadas do percurso.

O ponto fica diante do hotel ( nesta linha não se paga direto ao motorista, é preciso ter a passagem que se adquire nas máquinas existentes no próprio ponto). Nos inteiramos dos roteiros (também existentes nos pontos de ônibus) e pé na estrada. Descemos novamente em Holborn, na Theobalds e pegamos o caminho da roça, qual seja a High Holborn. Na transversal de  ligação das duas avenidas deparamos com o Real Colégio de Anestesistas e paramos para tirar umas fotos para o Rodrigo.

Tomamos o metrô na estação de mesmo  nome  com destino a Parliament e circunvizinhanças.

Tentamos visitar o famoso prédio que abriga o Big Ben, mas o desejo foi frustrado, porque estava fechado por alguns dias. Paciência fica para uma próxima vez.
Resolvemos cruzar a rua e vagar pelos arredores da Abadia de Westminster. Dali se  podia divisar o final de uma das filas para a visita ao templo anglicano: sobras ainda do casamento real. Dezenas de pessoas se amontoavam curiosas para conhecer o cenário do conto de fadas.
Não entramos. Havia poucos meses que visitáramos  longa e detidamente a igreja, para apreciar todas as suas belezas,  riquezas e história.
Ao invés, entramos no belíssimo  prédio lateral, Westminster  Abbey Choir School  onde funciona uma escola e serviços da própria Abadia, que tem saída para a pequena praça interior.
À sombra o friozinho maltratava, amenizado apenas com a exposição ao sol. Assim fomos caminhando e alcançamos o Saint James Park, via Horse Guard. Era horário de almoço nos escritórios e repartições da circunvizinha. As pessoas que ali descansavam, a maioria composta de  jovens trabalhadores ingleses, aproveitava para usufruir dos  momentos de sol.

 Um cenário bem típico inglês, com o pessoal  deitado ou sentado, em círculo, sobre a verde relva e sob o reconfortante sol de primavera. Coisas dos costumes. Impressionante como a vida voltava revigorada após o inverno em que se assistiu aos desolados  animais aquáticos , que por ali abundam,  caminharem sobre a placa escorregadia de gelo, que se formava sobre o lago. Diferentemente hoje, onde os patinhos, gansos e cisnes nadam tranquilos e os esquilos, as maiores estrelas,  desprezam  os visitantes, os velhinhos e as crianças que mendigam sua atenção, oferecendo amendoim. Desfilam suas barrigas redondas e satisfeitas pela alimentação abundante do parque.
Descendo pelo Mall caminhamos na direção do Trafalgar Square. Ainda testemunhamos a retirada dos alambrados que isolaram a massa humana  do cortejo nupcial.
Na Pça central de Londres, onde tudo acontece, estava havendo uma campanha de incentivo ao plantio de hortaliças “let get’s Britain Gardening ..."Uma ONG distribuía mudas de tomateiro aos moradores da cidade em dois enormes caminhões estacionados na praça. Coisas que chamam a atenção numa cidade grande.
Nesta hora a fome já começava a apertar. Decidimos comer no L'Ullivo, que fica na pequena rua de cantinas  italianas Irving St, entre Leicester Square e a Charing Cross. Atrás da Trafalgar. O L'Ullivo também é nosso velho conhecido. A comida é saborosa, seja carne, seja massa. Os vinhos também são sempre muito bons, para não falar da sobremesa.
Retomando nosso passeio, bem junto ao restaurante há uma casa que vende ingressos para o teatro a half price ( half price aqui é metade de 95 libras – que é o ingresso cheio). Em reais os dois ingressos normalmente custariam cerca de R$600,00).  A intenção era ver o Rei Leão, no final de semana que se aproximava.  Compramos por R$300 os dois, para a matinê de domingo ( 2,30 p.m.). Saímos felizes com a aquisição.
Resolvemos então,  visitar o museu Albert & Victoria, muito bonito com sua exposição belíssima de jóias, roupas indianas de luxo e outras atrações na área de arte e design. Depois descobrimos a casa de chá que funciona no outro lado do pátio interno. Uma maravilha. Pena que havíamos almoçado tão fartamente.  Não só os doces eram atrativos como a arquitetura e os ricos ornamentos dos seus salões.
Saímos de lá anoitecendo e como não podia deixar de ser seguimos   a batida trilha rumo a Harrod’s.

Apenas uma visita..afinal antevíamos o que nos esperava nos mercados do Oriente, na própria terra do simpático  Sr. Al Fayed...Tenho a maior simpatia por esse empresário, por tudo o que ele representa e como ele se inseriu nesta, digamos,  severa e fechada sociedade européia.
Assim passamos mais um dia em Londres, de prazer total em contato com esta incrível cidade...só vendo e revendo sua trivialidade tão atrativa e tão peculiar...
Já no dia seguinte, sábado, pensamos em admirar os encantos da estação.  E não foi preciso sair do bairro, ou andar muito..Veja  a explosão e profusão de cores .

A hibernação dá o vigor que as plantas precisam para surgir lindas e abundantes...
Deixando as  cores e perfumes fomos a turbulenta e não menos colorida Camdem Town. O mercado é também muito alegre, cheio de gente, restaurantes.


Estávamos procurando souvenirs para presentear amigos, que apreciam os red buses, os cabs pretos, lembranças do casamento real, etc,  mas estava tudo caro e o atendimento, incrivelmente,  estava péssimo. Parecia que estavam nos fazendo um favor e não precisando de um...não esquecer que a Europa passa por uma recessão..não dá para ficar desprezando os turistas. Enfim, desistimos e saímos rumo a Regent Street... para algumas compras na National Geographic, na Hamleys (Regent Street, 188 - 196 metrô Oxford Circus)

 e finalmente tomar aquele chá inglês com a amiga Mary e família no Caffé Concerto (Regent Street, 79 - 81) .

 Eu estava sonhando com aquele chá..nem almocei para sobrar mais espaço.
Domingo foi um dia glorioso. Dia de Teatro. Como havia tempo até a tarde, fomos até Liverpool St, para conhecer aquele pedaço da cidade, próximo ao Hotel e vizinha de outros pontos turísticos de Londres, como a London Tower.
Fazia muito frio.Decidimos ir logo para  Covent Garden, vizinho ao Teatro Lyceum.

Os finais de semana são especialmente festivos no  mercado, bijuterias, restaurantes, músicos estravagantes ou não, instrumentos musicais exóticos e interpretação,  artesanato, antiguidades...
Não almoçamos antes do Teatro, porque o plano era de almo/jantar no CHA MOON (Ganton Street, 21 - Metrô Oxford Circus), restaurante Chinês  dos nossos amores. Volto ao assunto breve.
O Teatro Lyceum (Wellington St, 21)como a maioria dos teatros de Londres é pesado, escuro, predominando o tom vinho das suas cortinas e forrações. Mas tem muitos recursos para desenvolver coreografia, cenários.
A peça Rei Leão é muito bonita. Ambientada na savana africana, trata-se de um excelente exercício de dança, canto e cor. Fiquei deslumbrada com a  velha baboon Rafiki ( estrelada pela Sul Africana Brown Lindiwe Mkhize), que voz negra fantástica, bem característica, tom vibrante, forte, contralto. Amei o jogo de cores, as coreografias, as interpretações, a produção enfim..
Alma lavada pelo encantamento do show, fomos para Carnaby  Street ,




almoçar no incrível Cha Moon, como falei anteriormente. Trata-se de um charmoso restaurante de longas mesas coletivas, mas postas de maneira que preserva a sua privacidade.

A cozinha ficava exposta, visível, separada apenas por um vidro. Higiene a mostra. E o sabor? Ah! Que saudades dos pratos, do vinho e da sobremesa.
Depois  de comer como Lordes (não se esqueça que estamos em Londres), ainda fomos ver eletrônicos na Warehouse da Oxford Street (encomendas) e depois andar pela parte elegante deste pedaço (New Bond St e adjacências).

 Saímos na frente do Ritz, atravessamos o Green Park e vagarosamente apreciamos o Palácio de Buckingham, seguimos pela Buckingham Palace Road até Thistle Westminster, onde nos hospedamos com a família na semana do ano novo.

Fim do dia , quase 10 da noite, começava a anoitecer. Hora de voltar para o Hotel depois de um longo dia...
A segunda feira 23 de maio, foi um dia para rever Tower Bridge e London Tower

com seus jardins.
Estava frio, ventava... quem poderia dizer vendo uma foto colorida como esta.



Resolvemos voltar à escola, onde passamos alguns meses..Stuckley St.



O resto do dia foi para visitar o Hyde Park, ver os jardins ,

 canteiros, fontes e árvores muito verdes e frondosas que por lá pululam.

Ainda fomos a Kensigton, nos jardins da casa de Diana (e onde vai morar o novo casal real)


 e finalmente nos dirigimos ao mais  internacional dos cabelereiros brasileiros,  o simpático e extrovertido Kiko. Ele mora em Nothing Hill. O lugar é elegante, no entorno do Parque mais famoso da cidade.
10 horas p.m. o sol já vai se pondo no hemisfério norte e é hora de voltar ao hotel para arrumar malas. Amanhã será um novo dia de viagens: rumo ao Egito...
Na postagem anterior resolvi antecipar ao público leitor o grande encontro com o mundo dos faraós... Mas hoje retomo a ordem cronológica da viagem. 
See you... 




sábado, 11 de junho de 2011

PIRÂMIDES - UM ESTADO DE ESPÍRITO

O vôo para o Cairo foi um grande tour pela Europa. Não era difícil divisar e identificar cidades e rios. Mas o mais fantástico foi a visão dos Alpes. O contraste do verde com as neves eternas, os vales, desfiladeiros e precipícios,  a entrada na Itália. A seguir o bordejo pelos países de leste, antiga Iugoslávia, hoje Sérvia, Montenegro, Bósnia e outras, e a insuperável visão da Grécia, com todos os cortes e recortes e aquele mar de cor inimitável. O famoso azul marinho. Foi rápida a inserção no Continente Africano devido a proximidade do Cairo com o Mediterrâneo. Pouso tranqüilo, diferente da saída de Londres, que desde a erupção do vulcão islandês “ #$%^rjhlmn&@” foi tomada por ventos muito fortes e gelados. O avião trepidou para subir e parecia com dificuldades de vencer aquela barreira de vento. Fiquei apreensiva. Superado o espaço aéreo do UK, e com a entrada no Continente Europeu, tudo serenou.

Passamos sem percalços pelas aduanas . Estava nos esperando no saguão do aeroporto do Cairo o Sr. Ricardo, um alegre e simpático guia egípcio que nos orientaria na visita à cidade.

Do aeroporto fomos direto ao Hotel Oásis, nosso alojamento por três dias.

 O hotel fica em Gizé, na grande Cairo e próximo do nosso principal objetivo da visita: as Pirâmides. Logo das primeiras coisas que vimos foram esses legendários monumentos, recortados contra o horizonte enfumaçado (empoeirado) do deserto.


O hotel, como o nome sugere, é um verdadeiro oásis de verde e flores, com jardins muito bem cuidados. O pessoal da recepção e de serviços sempre tem sido bastante cortês e gentil. Gostamos muito. Trata-se de um resort, com os quartos todos voltados para os jardins, muitos passáros e água corrente, fontes, um mar de tranqüilidade e bem estar.

O fuso horário aqui também se altera em relação a Londres. Em princípio regulamos o relógio para duas horas a mais e achávamos que todos estavam sempre atrasados. Depois descobrimos que a diferença é de apenas uma hora. Os apressadinhos éramos nós.

Adiantando a programação marcamos com a empresa,  a visita às pirâmides para o dia seguinte. Difícil conter a vontade acumulada por uma vida toda. Aí pelas dez da manhã chegou nosso novo guia Sr. Gabriel, pessoa muito afável e alegre, que nos conquistou com o seu jeito calmo e gentil. Nos levou a seguir a ver o objeto do nosso desejo.

Bem..., é indescritível a sensação de admirar de perto aqueles tesouros. Filmes e revistas, fotos de parentes e amigos, livros de história, romances, policiais e dramas, nada supera o contato visual, físico, o apreciar de perto aqueles  monumentos à imortalidade. Só aguçam a curiosidade, mas não tem o dom de transmitir o encantamento e a beleza daquelas obras. Pedra sobre pedra, enormes rochas cortadas em blocos, pesando toneladas cada um e transportadas ao seu exato lugar há cerca de quatro mil e quinhentos anos por trabalho quase que exclusivamente braçal.

Primeiro surgiu diante de nós a elegante  Quéops, soberba, única, uma gigante a desafiar o tempo (vencida parcialmente nessa batalha onde perdeu seu topo, o que , contudo não lhe tolhe a majestade) .


A seguir Quéfrem, menor um pouco, mas ainda expondo no topo os mármores dos seus primórdios, veste que lhe cobria o corpo e dava uma aparência de objeto polido, acabado. A maior parte da cobertura foi retirada pelos saqueadores ao longo de sua existência. O nome e a postura me sugerem uma pirâmide feminina.

 Rodeamos observando os monumentos menores que gravitam em volta das grandes e foram destinadas a servir de câmara morturária à mãe, à esposa e às irmãs do faraó.

 Na maganetizada área de Quéfren existe ainda o museu da barca solar, contendo o mais antigo barco do mundo, capaz de navegar. O barco foi todo remontado, uma vez que os arqueólogos o encontraram desmontado. O trabalho de remontagem durou cerca de dois anos. Danificado ficou apenas um dos remos, mas encontra-se junto do barco, ao pé de sua réplica . A madeira do qual é constituído é o sicomoro, madeira dura, com a resistência certificada pelos seus 4500 anos de existência, rija, quase intacta.



Por fim estávamos diante da pequena Miquerinos, a filhote. Faz sentido: pai, mãe e filho. Pequena só na comparação dos monumentos entre si, porque é uma grande construção também.

Miquerinos está aberta à visitação , depois de enfrentarmos poucos metros debaixo do escaldante sol do deserto, ingressamos nas suas entranhas. Vai-se descendo, por uma tábua, com freios espaçados na altura de uma passada. É escorrregadia, há que se tomar cuidado.

 O seu coração contém o local da camara mortuária e outros compartimentos onde foram  guardados os tesouros: jóias, móveis,objetos, alimentos,  para ajudar o morto na próxima vida.

Mesmo vazia, o contato com a história do lugar é uma sensação muito gratificante. Fico pensando porque o ser humano teria este sentimento, porque este prazer em ver e reviver o passado, a história dos ancestrais. Talvez seja a vontade de entender a sua evolução o pensamento predominante em cada época, atestar a capacidade criativa do ser humano. Eu me regozijo, hoje e canto aos quatro ventos: estes meus olhos mortais já viram  e se deliciaram diante das eternas Pirâmides do Egito!

Esfinge? Ah! Ia me esquecendo que ao pé das inimitáveis Pirâmides existe um gatinho que vela por elas e as vezes ruge para mostrar vigilância e autoridade....mas isto é um capítulo menor...


domingo, 29 de maio de 2011

DE VOLTA PRO MEU ACONCHEGO...




O vulcão , na Islândia, começa a se remexer em suas profundezas. Desperta de seu torpor , agora anual, e lança rolos de fumaça nos céus do hemisfério norte. Michele Obama em visita oficial a Irlanda sente os efeitos dos ventos fortes que começaram a se formar . Os jornais britânicos flagrando seus cabelos eriçados trataram de mostrar o new look punk da primeira dama americana.

Em Londres os ventos chegaram fortes e gelados. Apesar disto o sol lutava com estes ares inesperados e tratava de brilhar lindo e cálido, não se deixando vencer pelo fenômeno natural do país vizinho. Direitos naturais da nova estação. Quem poderia negar uma primavera alegre àquela sofrida Londres, tão maltratada pelo rigoroso inverno?



Saímos de São Paulo dia 18 de maio. Viagem tranqüila, sem turbulências ou atropelos. Tudo correu tranqüilo nos céus do ocidente até a chegada ao destino, antes das 7 horas da manhã do dia seguinte.

 A visão do continente Europeu foi uma injeção de ânimo, uma vez que o céu sobre Portugal e Espanha estava claro e a manhã raiava gloriosa.

Terminal 5 de Heathrow.  Long poll at the Police border, annoying, mas finalmente liberada para a entrada no UK.

Tínhamos tempo de sobra porque o check in no hotel seria só as duas horas da tarde. Fomos retirar dinheiro, carregar o Oyster card (top up) e tomar um café no Panini. Pegamos finalmente o “tube”, linha azul Picadily. Poderíamos ter tomado o Express, mas havia lembranças a resgatar naquele conhecido percurso e nos decidimos pelo velho e bom underground..

Descemos em Whitechapel,

 na mesma estação fizemos o tranbordo para o overground, destino Estação de Hoxton, em Shoreditch,onde ficava nosso hotel. , o THE RE SHOREDITCH. Trata-se de um hotel novo , cheirando a tinta, quatro estrelas que deve atender os turistas nas próximas Olimpíadas. Gostei muito , o atendimento é impecável, com todo o conforto, inclusive uma tábua e ferro elétrico, a mão, para emergências de roupas amassadas.


No entanto chegamos cedo, antes de 11 da manhã e só tivemos a opção de deixar as malas no maleiro, pois os quartos ainda estavam ocupados. Voltamos para a cidade cheios de vontade de rever todos os pontos que povoam nossas lembranças, nossa saudade.

Descemos na nossa arqui conhecida Holborn e acabamos fazendo a primeira parada no incrível restaurante italiano “Rossodisera”, cuja comida é saborosíssima, desde o couvert de pão italiano quentinho com azeite de oliva, até o main course, um grosso filé servido numa cama de rúcula ricamente temperada, e finalizada com lascas de queijo parmigianno . A carta de vinho é muito correta e tudo sai perfeito e a gente vai lavando a alma.

Saímos andando a esmo pelo bairro , alcançamos Covent Garden, entramos pelo charmoso Market, olhamos todas as lojas, com uma moda primaveril que me encantou pela beleza da combinação das cores ( listas, verde combinando com azul marinho e branco, tons pastéis para neutralizar em algumas peças, etc..). Descemos pela Long Acre até Leicester Square, cruzamos na direção Picadilly, cheia das infindáveis obras para as Olimpíadas. Através os tapumes alcançamos Picadilly Circus e automaticamente tomamos a Regent Street , sempre devagar e sorvendo cada detalhe ingressamos na Oxford Street. Depois de entrar na John Lewis caminhamos ainda até a Selfridge, quando decidimos voltar. Voltamos por Trafalgar Square, sempre a pé. Aí já estávamos muito cansados, depois de uma longa viagem e desse longo tour pela cidade.


O retorno ao hotel foi uma bênção. Após um frugal lanche, caímos exaustos na cama e dormimos longa e pesadamente para recarregar as energias pois o dia seguinte prometia. Também tínhamos que organizar logo o fuso horário, que agora é de 4 horas de diferença com o Brasil...







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