sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

ALFAMA

ALFAMA - Trata-se de um bairro bem antigo. Seu nome remonta ao árabes  que dominaram a península Ibérica entre os séculos 8 e 12 de nossa era. Al-hamma quer dizer águas ou fontes. De fato havia várias nascentes na localidade, que foram encanadas para atender aos vários chafarizes ali construídos. Chegou a ser o Bairro mais bem servido de água, antes da construção de aquedutos. O Museu do Fado,  Largo do Chafariz de Dentro n. 1, 
 

 situado na parte baixa do Bairro, está edificado sobre uma cisterna, aberta à visitação  pública.  
humor lusitano nas nomeações de ruas
 
 Situado num dos montes que constituem a cidade, o bairro lembra uma pequena vila. A população local se conhece, há alegria e vivacidade que atrai turistas de todas as partes. Muito colorido nas primaveras ( bougainvilles) e nas roupas penduradas nas janelas, disputando espaço com o coloquial papo das vizinhas. Durante a idade média havia duas Alfamas, a dos prósperos moradores chamada de Alfama do Alto, era amuralhada( Antiga versão dos condomínios ao que parece); e a do Mar, mais popular, era habitada por marinheiros e pessoal de menor poder aquisitivo. O bairro começou a entrar em decadência ainda na idade média, quando os ricos se mudaram e o bairro ficou entregue a traficantes e a vadiagem. Somente no século XX foi executado um trabalho de recuperação e revitalização , sendo hoje uma área residencial, comercial e sobretudo turística das mais frequentadas de Lisboa.
 
escadarias da Alfama


No sobe e desce de suas ladeiras e escadas você vai encontrando preciosidades, casarios, prédios seculares. Vai se deliciar com os nomes interessante das  suas ruelas,  como o Beco do Quebra Costas.
Indo para o topo  encontra-se vistas deslumbrantes da cidade e do Rio Tejo, a partir do Miradouro de Santa Luzia, por exemplo.

 Logo nas proximidades há a igreja do mesmo nome e na vizinhança o Museu de artes Decorativas com um belo acervo de pinturas, prata, porcelana móveis para os apreciadores do belo e  da decoração. Sempre ladeira acima ( prepare-se para o exercício físico), e no topo,  encontra-se o icônico Castelo de São Jorge.
 Os bairros antigos e cheios de charme de Lisboa estão nas encostas. Subir e descer pode ser cansativo em qualquer idade; mais numas que noutras. Então há opção de táxi ou de bondinho ( linha 28), que  para no alto, perto da Porta do Sol, junto ao Miradouro.
 
 
 Mas para alcançar as ruinas do Castelo tem que caminhar um pouco, caso a opção seja o bondinho. Já os táxis sobem até o portal de entrada.


Caminhando você se depara com as mais incríveis e charmosas construções, portais e umbrais, além de apreciar os  moradores jogando "conversa fora", carteado ou outros jogos de mesa nas praças. Turistas aos montes visitam diariamente o famoso bairro e a emblemática e milenar fortaleza.

Extraída do Google free images

A sua história remonta aos visigodos. Recebeu as feições atuais dos mouros que dominaram a cidade nos primeiros séculos da era Cristã. Depois foi sede do governo, daí o nome de Castelo. Também serviu de prisão e quartel. Esse importante monumento histórico alberga no seu interior o castelejo, a cidadela e a esplanada.

extraída do Google free images

 Explorando os jardins e subindo em suas muralhas, sempre se terá uma bela visão da cidade. Há ainda espetáculos de multimídia  e museu para ver. E além destes,  loja para compra de lembranças. Reserve um período do dia para uma visita demorada e agradável. Há sempre o que explorar por lá e belezas a descortinar.

CASAS DE FADO 
 Você não pode perder espetáculos de fado na Alfama. Há muitos restaurantes com shows deliciosos. Então faça seu passeio pelo bairro e estique para uma noitada. Ou vá especialmente, apreciar a execução e interpretação de um dos grandes patrimônios culturais de Portugal: o Fado.
Clube do Fado Mario Pacheco
 
 Vamos elencar algumas dessas casas, que são as bem contadas pelo público, mas informe-se no local . Lembre-se que as preferências são sempre pessoais. Eu me encanto por ambientes como o da foto.( antigas caves):
Sr Fado - Rua dos Remédios, 176
Guitarras de Lisboa - Beco do Meio, 1,
Taverna Del Rey - Largo do Chafariz de Dentro, 14,
Páteo da Alfama - Rua São João da Praça, 18,
São Miguel da Alfama - Rua de S. Miguel , 9
Salgados Esteves Ltda - Rua São Pedro, 4,
Restaurante Coração da Sé - Travessa do Almargem, 4A ( este é muito bem cotado com comida refinada e bom fado).

E terminamos por hoje , selecionado do You tube, na voz de Amália Rodrigues,  Lisboa Antiga uma homenagem aos parentes portugueses em especial meu cunhado Manuel José, Helena, e filhos além da querida Eugênia M Gomes e demais familiares

https://www.youtube.com/watch?v=nyeOe2E5LUw

 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

PORTUGAL, CHEIO DE ENCANTOS E BELEZA


Já lá se vão 36 anos que fizemos nossa primeira e única viagem a Portugal. Perdemos muito com isto, agora que nos damos  conta. Terra encantadora, belas paisagens, entretenimento, história, comidas fantásticas e o que falar do vinho, então?!A culinária é refinada, cheia de aromas e de um paladar pouco visto pelo mundo afora. Comendo simplesmente  um pão ou empapando-se com um almoço completo de bacalhau ou outra iguaria, você vai entrando na alma lusa, na sua cultura milenar, nos seus costumes peculiares. É uma verdadeira viagem  pelo mundo das delícias do paladar. O povo , como em todo os lugares, tem comportamento variado. Das mulheres  de língua fácil da periferia aos  mais pedantes, no entremeio você se depara também com pessoas cultas, educadas, atenciosas e muito interessantes, antenadas com o mundo sem perder suas sólidas raízes.
Como todo país colonizador, hoje Portugal recebe imigrantes das suas ex colônias. Um preço que eles parecem não estar muito dispostos a pagar, haja vista certa intolerância  , principalmente ao povo africano que lá vive. Os dentistas brasileiros sentiram isto na pele também, embora num contexto mais corporativista que xenófobo.
Estamos aqui a passeio, mas não é possível deixar de observar comportamentos também, daí meu comentário.

LISBOA - velha cidade , cheia de encantos e beleza...como já cantava o fado, apresenta-se como um verdadeiro laboratório de pesquisas ao visitante. Não vai faltar o que descobrir e o que ver na empolgante Capital Lusa. Construída sobre 7  colinas, como Roma , cheia de altos e baixos, tem transporte urbano dos mais interessantes para o turista. Desde os velhos bondes que ainda servem à população, funiculares para vencer as escarpas, a  elevadores e teleféricos. De cada um se descortina um ângulo, que realmente agrada e surpreende. Telhados casarios, muitas igrejas, prédios palacianos, ruas estreitas, escadarias. Venha conhecer um pouco dessa Lisboa que eu vi.
ao fundo o Rossio, Teatro D. Maria II

O deslocamento entre bairros e para  mais longas distâncias é feito de metrô e trem. Um meio ágil, mais moderno  e seguro para cruzar a cidade ou ir à periferia, como nos grandes centros europeus. Ônibus de linha em geral o turista não usa, mas são disseminados por toda a cidade  e as informações são fáceis de serem solicitadas  por causa do idioma. Mas não se esqueça: parada de ônibus por lá é "paragem". Há umas diferenças... 
Começamos nossa releitura de Lisboa pela Estação do Rossio, uma encantadora construção de estilo neomanuelino. Na mesma praça situa-se o Teatro Nacional D. Maria II ( aberto à visitação guiada às segundas-feiras, às 11,30 am e requer agendamento prévio). Seguindo rumo norte, chega-se à Praça dos Restauradores, igualmente recheada de belos prédios históricos. Ali está situado o Palácio da Foz, em cujo salão de espelhos você pode assistir a um recital de piano, com entrada livre. Consulte a agenda. Siga para  o Bairro Alto. Você poderá acessar pelo elevador da Glória ( construído em 1885), que liga Restauradores ao Bairro Alto ou mais à frente, a partir do Rossio por funicular.  

 Veja acima o mapa do centro, se der, ou procure no Google.


 Chegando à colina encontramos o Miradouro São Pedro de Alcântara que nos forneceu uma bela vista da capital Portuguesa.


 Chovia, o que foi uma surpresa,  pois Lisboa é conhecida  como uma cidade ensolarada. Mais agradável passear sem chuva, com certeza. Ainda bem que não estava frio. A primeira parada para visita foi a bela igreja de São Roque, que fica no Largo Trindade Coelho, 1200 Bairro Alto. É uma igreja Jesuíta cuja construção foi iniciada em 1590 e o  término das obras em 1619 e é dos poucos prédios que sobreviveram em bom estado ao terremoto de 1755.  Cheia de belas e luxuosas capelas com seus santos policromados, a  mais imponente é a de São João Batista, do século XVIII.


As paredes são cuidadosamente enfeitadas  sendo o trabalho feito com pedras nobres ( mármores e granitos).
A chuva ainda não tinha passado quando fomos caminhando para os lados do Chiado, bairro que fica nas proximidades. Este é um local de entretenimento , que reúne a juventude  e que tem muitas atrações, como o famoso Café "a Brasileira". É nele que se pode ver a estátua de Fernando Pessoa , em bronze, sentado a uma mesa. Fernando Pessoa tinha muitas ligações com o bairro, porque nasceu nesse local, num edifício defronte ao Teatro S Carlos, no Largo do mesmo nome. O São Carlos é o único teatro de ópera de Lisboa. Por ser uma efervescente zona cultural o Chiado possui além desse, outros teatros, como o Teatro S. Luiz e o  Teatro da Trindade.
Como igreja é o que não falta em Portugal , no largo do Chiado também é possível apreciar  duas igrejas barrocas: a Igreja do Loreto e a Igreja de Nossa Senhora da Encarnação, sendo esta última valorizada pelos azulejos, tão característicos no casario lusitano e nas suas colônias.
Museus também os há por ali. Obras do século XIX podem ser vistas no Museu do Chiado, como é conhecido o  Museu Nacional de Arte Contemporânea.
De lá, já com a chuva amainada, seguimos para o complexo do Carmo. que fica entre o Chiado e a Baixa Pombalina. No belo Largo do Carmo ornado por  jacarandás, existe um chafariz do século XVIII, chamado de O Chafariz do Carmo. Lá também se localizam as ruínas do Convento do mesmo nome, onde atualmente está sediado o Museu Arqueológico do Carmo.


 Todo este complexo sofreu  danos e encontra-se parcialmente destruído em razão do terremoto de 1755, que atingiu drasticamente Lisboa e especialmente esse bairro. Houve uma tentativa de sua reconstrução, durante o reinado de D. Maria I, mas o projeto foi abandonado com a extinção da ordem dos Jesuítas. O gosto por ruínas, que passou a prevalecer no período romântico, fez com que a bela igreja gótica ficasse no estado em que o terremoto a deixou. Lembranças de um tempo. A título de curiosidade podemos citar que ao seu lado, encontra-se o Quartel da Guarda Nacional Republicana, famoso pela sua logística na Revolução dos Cravos ( 25 de abril), que derrubou o regime ditatorial imposto por Oliveira Salazar, o qual  vigorou por mais de quatro  décadas.
Logo a seguir está o famoso ELEVADOR SANTA JUSTA, que liga o Carmo  à BAIXA.

vista a partir da passarela que liga o Carmo ao Elevador Santa Justa

O Elevador é outro ponto de visitação importante para o turista, porque trata-se de uma obra projetada por Raoul Mesnier de Ponsard,  discípulos de Eiffel ( da famosa torre de Paris). Hoje há muitas reformas  no entorno, que ficam protegidas por tapumes. Acredito que seja algo ligado à restauração de prédios históricos, em elevado número naquelas redondezas.
A BAIXA POMBALINA
Alcança-se a Baixa pela Rua do Ouro. E dali já se descortina o Rossio, com sua famosa Praça onde se encontra a imagem equestre de D. Pedro IV de Portugal e I do Brasil.

E aqui demos uma parada para uma degustação na Pastelaria Suíça, cujos doces e salgados são especialmemte saborosos. O lugar é bem interessante para ficar num gostoso papo,com mesas na calçada, delimitadas  por um toldo ou no seu interior  charmoso, também com vista para a agitada praça.
Depois do rápido lanche, fomos conhecer a famosa Ginginha. Uma bebida alicorada, feita  de cereja, muito saborosa. Dizem que depois de tomar a primeira você tem que ir aos dezenove bares que vendem a bebida para eleger a que mais gostou. Melhor não seguir o conselho..senão não vai conseguir visitar os pontos turísticos, que são muitos. Sabe como é bebida doce....

Esta região da Baixa ( em largas linhas delimitada pelo morro do Carmo, Castelo de São Jorge e Rio Tejo)  surgiu após o terremoto e foi construída prevendo sismos. Inclusive as edificações foram submetidas a tremores (tropas em marcha) para ver se suportariam outra catástrofe natural, que felizmente não se repetiu . Muito bem planejada as ruas são planas e distribuem-se perpendicularmente  até a margem do Rio, tendo como eixo central  a famosa Rua Augusta.
 Lindamente calçada a Rua Augusta começa nos Arcos,

 



 também conhecido como o Arco do Terreiro do Paço.

Terreiro do Paço


 Ao longo da via existem bares e restaurantes, mesas nas calçadas, comércio, enfim um ambiente urbano dos mais agradáveis, onde você pode parar para fazer compras ou somente para levar um souvenir.   


 É possível subir ao alto do Arco, através de elevador e escadas, pagando-se quantia módica. A vista que se descortina do seu topo é das mais belas, com o Rio Tejo a correr ao longo do Terreiro do Paço , de um lado,



e do outro a famosa rua com seu calçamento artístico , de encher os olhos.

 




Rua Augusta
 

A parte superior do belo monumento tem, além de uma vista estonteante,  obras de arte do escultor Calmels, a "Glória coroando o Gênio e o Valor".

Sino no Alto do Arco

 
 Agora , descendo pela Praça do Comércio , já tendo o sol aparecido a visão é realmente muito agradável. O local, conhecido por vários nomes, um dos quais  Terreiro do Paço, vem da existência do antigo Palácio Real situado naquele local. O Palácio que datava de 1511 existiu até o terremoto.
Terreiro do Paço
 
Seguindo pela Rua da Alfândega dê uma parada na Igreja da Conceição Velha, que se destaca pelo seu portal manuelino.


 
belíssimo portal manuelino da I da Conceição Velha
 
 No final dessa rua encontramos outra obra de relevância , inspirada no Renascentismo Italiano, a CASA DOS BICOS.Hoje Fundação José Saramago. A construção data de 1523, as facetas dos bicos são em claro/escuro o que lhe dão um destaque especial naquele conjunto arquitetônico tão diverso do estilo das casas do entorno.
Casa do Bicos
 
 
Da Casa dos Bicos, voltamos pela Rua dos Bacalhoeiros , pegamos à direita a Rua da Padaria  e novamente à direita a Rua de Santo Antônio para alcançar o Largo da Sé. Lá , vizinhas duas famosas igrejas. A da Sé e a de Sto Antônio. Sim a famosa Santo Antônio de Lisboa. Se está querendo fazer um agrado pro santo, visite também o seu museu, que fica na lateral da igreja. Neste local teria sido a casa de Santo Antônio. Pela Sacristia você pode chegar à parte não danificada pelo terremoto. Mas fachada e interior tiveram que passar por uma reconstrução.
 
 

escadarias da I de Sto Antônio de Lisboa
Falaremos agora um pouco da Catedral da Sé, também chamada de Santa Maria Maior. Datada de 1150 foi construída sobre uma mesquita após a retomada de Lisboa aos mouros. Passou por reformas que lhe descaracterizaram o estilo, tendo sofrido também os danosos efeitos do terremoto. As portas são de madeira maciça, com aldabras. Internamente há belos azulejos, uma arte inigualável dos portugueses.

aqui, na curva do caminho a bela Catedral da Sé

A fachada é romântica, o claustro gótico A Capela-Mor de estilo neo- clássico abriga os restos mortais do Rei D. Afonso IV. Logo na entrada pode-se ver a pia batismal de Santo Antonio, e os azulejos decorativos referentes ao evento. Há mais que ver do que a Igreja, se você se dispuser a pesquisar no Claustro e nos Tesouros ( cujas entradas são pagas).
Como se vê já chegamos à ALFAMA. Bairro que se estende ao longo de uma das colinas e que culmina no Castelo de São Jorge.
Vale a pena passear sem compromisso pelas ruas estreitas e sinuosas. Mas cuidado. Nunca me esquecerei que fui atropelada por um carro em alta velocidade numa de suas ruelas estreitas quando estivemos ali, mais precisamente em 1976. Lembro do palavrão que soltei e que me deixou ruborizada quando me lembrei que eles entendiam...
Vamos parar por aqui para não cansá-los ( rss) leitores. Prosseguiremos na próxima postagem com mais detalhes da nossa mais grata surpresa da viagem: Portugal. Até lá

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

VIAJANDO PARA GLASGOW - ESCÓCIA

Desta vez escolhemos o Aeroporto de Gatwick para a saída de Londres. Eu tinha muita curiosidade em conhecê-lo, mas sempre achava longe. De fato fica fora da cidade e o meio mais convencional para alcança-lo é o trem. Saída da Victoria Station.

 
Siga rigorosamente esta orientação, senão você pode ter dores de cabeça. Saímos domingo do hotel e levamos apenas uma mala de avião. A outro deixamos no maleiro do hotel, pois voltaríamos por Londres. Para fazer este acordo é preciso negociar, pois nem todos os atendentes de plantão querem fazer este favor. Se nós não tivessemos conversado quando chegamos teriamos que levar a mala para o maleiro do aeroporto, pois a recepcionista que fez o check out disse que não era praxe  guardar as malas dos viajantes. Argumentamos que o atendente que nos recebeu havia consentido previamente  e aí ela concordou também. Como saímos no domingo e estávamos situados num ponto estratégico, pegamos o metrô. Mas havíamos esquecido que várias estações ficam fechadas e tivemos que fazer várias baldeações. São poucas estações de cada vez, mas tem corredores para pegar na mudança de linha, escadarias para subir Enfim faça tudo com tempo para não atrasar e perder o trem, e por consequência o vôo. A Circle e a District Line são as estações que costumam fechar. Fomos até o Green Park pela linha Picadilly e depois tomamos o metrô na linha Victoria. Uma estação apenas, mas pode complicar a vida, como já falei.Com hora marcada de vôo, melhor não arriscar com atrasos  desnecessários.
Chegando na Victória não achamos indicação para pegar o o expresso para Gatwick. Depois de andar um pouco e pedir muitas informações fomos encaminhados para o PORTÃO 13. (siga para o portão e NÃO para o guichê 13). Foi aí que nos confundimos , pois dentro da estação existe um guichê 13.
No Portão 13  se vende os tickets e é também de onde sai o trem.Os expressos saem a cada 15 minutos e levam cerca de meia hora para chegar ao destino. No aeroporto tudo é fácil. Lembram da pontualidade inglesa?...pois é ...o avião atrasou mais de 1 hora. A segurança estava bem reforçada, guardas de metralhadoras..tudo por causa da violência  no Middle East e ameaças constantes. Não dá pra vacilar.
O vôo foi tranquilo, uma vista bonita, o aeroporto de destino pequeno , mas bem sinalizado. Tomamos o ônibus 500  - First 500 Glasgow Shuttle , que pára nos  principais locais do centro da cidade ( fazendo ponto final na Buchan's Street. O ônibus passa pelas duas estações de trem , A Glasgow Central Train Station  e a Glasgow Queen Street Train Station. Paga-se o ticket diretamente ao motorista, valor de  6 libras. O ônibus nos deixou na esquina do nosso surpreendente e velho conhecido Hotel. Lembram-se da viagem a Inverness? Pois é, o hotel fica no conjunto da estação de trem, a Glasgow Train Station. Lindo prédio, datado de 1883,  parece um castelo.

 
 O Estilo é Queen Anne e a obra assinada pelo Arquiteto Robert Roward Anderson. É elegante e luxuoso e de acordo com informações de guias e da leitura da história do próprio hotel, ali se hospedaram JFK, Winston Churchill, Frank Sinatra e Roy Rogers, dentre soberanos e políticos: www.thegrandcentralhotel.co.uk Uau! Nem tinha idéia disto, quem escolheu para nós foi o agente de turismo Leonardo Biosca (leonardobiosca@uol.com) , atualmente com uma franquia da Hello Austrália, no Rio de Janeiro.  Realmente o hotel  é bem confortável, pessoal extremamente gentil, excelente restaurante. Faz toda a diferença numa viagem tal aconchego.
Depois da acomodação, ainda dia claro, fomos visitar a cidade, caminhando ali nas ruas centrais.

Por ser verão, via-se muitas pessoas tomando cerveja , ou quem sabe whisky em mesas nas calçadas e aproveitando os últimos raios de sol da estação.

 Seguimos por todo o centro histórico, pois tudo era perto. Chegamos até a  George Square , onde está a Câmara dos Deputados - City Chambers, um belo prédio de 1888.

Visitamos também uma igreja Anglicana e tivemos uma longa conversa com o Clérigo que nos achou muito bem vestidos, referindo-se a maneira discreta da nossa roupa. Amo a Igreja Anglicana, como eles são gentis, afetuosos e receptivos. Não foi esta a primeira vez que tivemos uma acolhida tão calorosa. Leia peripécias em York/UK, neste blog.

 Também fomos ver de perto a famosa e prestigiada The Glasgow Royal Concert Hall, situado na Buchanan Street. Ponto de referência para quem gosta dos espetáculos de musica erudita e folclórica. Mas não assistimos a nenhuma apresentação.
The Glasgow Royal Concert Hall

 
 
Como todo o domingo acaba monótono e estava esfriando resolvemos jantar no restaurante do hotel, cuja comida foi fantástica, considerando que já estávamos com certa fome. Para você que não tem muita intimidade com as comidas do local eu recomendaria, como entrada uma Lentil Soupe ( sopa de lentilhas) para esquentar o coração, e como prato principal o pork belly ( é uma tenra carne de porco, assada),  acompanhado de purê de batata com ervas, vários molhos inclusive o chutney ( que eu gosto muito). Todos servidos separadamente. O vinho foi um espanhol ( Rioja crianza tempranillo). Como sobremesa depois de um farto jantar só um sorvete de baunilha com gotas de chocolate e morangos frescos. Depois desta extravagância ainda encerramos com um expresso (Toninho) e eu com um licor.
O café da manhã é bem farto. Tem o tradicional breakfast inglês, cheio de frituras ( ovos , bacons. salsichas e linguiças etc..) mas tem  também o " healthy" : granolas , iogurtes, frutas, pães variados, doces, queijos e frios. Os pães doces do Reino Unido são maravilhosos. Alguns de massa folhada com passas ou geléias, outros tipo brioche. Pode comer até se fartar, se puder. Estas informações são importantes para quem pensa que vai encontrar comida ruim no Reino Unido.
Segunda de sol, ideal para um tour pela cidade , que é grande, mas não tanto quanto um paulistano pode imaginar. Só que é espalhada, possui parques, belas ruas residenciais e de comercio. Prédios históricos de beleza impar, igrejas e lojas nos calçadões. A rua mais central e de lojas elegantes é a Buchanan.  A maioria das boas lojas londrinas mantém filiais  ali , como a House of Fraser ( com grifes de alto luxo - Hermes, Dior, Chanel), a  Bromel and Russel , de sapatos, a L. Benet dentre outras mais populares como a Monsoon, Accessorize, BH e HM. Um dos produtos que se busca na Escócia é a cashmere, mas não há variedades, ou eu pelo menos não as achei facilmente. Parece que falta criatividade, tudo muito igual. Fizemos um recorrido pela cidade nos ônibus Hop on Hop off. Não descemos em lugar nenhum, para termos uma noção de tudo o que ver. Estávamos munidos de folders e mapas também. O lado mais agitado da cidade, além do City Centre é o West End. Onde estão museus, a Universidade e muitos Pubs cheios de história, muito antigos.
Nos dias seguintes fomos fazendo as visitas ao nosso gosto, começando pela bela Catedral de St Mungo ou Kentigern , o padroeiro da cidade, que se localiza na Castle St,   zona central da cidade a mais ou menos 10 minutos de carro. Trata-se de uma igreja medieval erguida entre o 13 º e o 15º século, no mesmo local onde se pensa que o santo houvesse sido enterrado em 612 DC. Na cripta há o seu túmulo em pedra, bem  rústico.

 

 
 
 

 
O teto é de madeira . O órgão é monumental. Pé direito alto, 
Nas imediações existe o cemitério (The  Necropolis) com túmulos históricos, tanto pelo fato de pessoas importantes estarem ali enterradas, como pelos monumentos erigidos por arquitetos famosos como Mackintosh. Fala-se que é a única representação vitoriana de Glasgow e retrata a riqueza da época.
 
Outro ponto de visitação , para se passar boa parte da tarde é o JARDIM BOTÂNICO , Botanical Garden. Vale a pena se refestelar ao sol, em meio a flores, muito verde e até macieiras repletas do fruto. Na estufa tropical passamos bastante calor junto a vegetação típica das nossas matas brasileiras.


 
 

 
O trajeto do ônibus Hop on Hop off é ideal para ser acompanhado porque passa em todos os pontos de interesse, como museus, ruas de lojas, além de se  ter uma certa orientação sobre prédios históricos ( inclusive os velhos pubs datados de 1400, 1700, etc)
Na viagem anterior à Escócia o que nos chamou a atenção foram as histórias macabras e uma certa atração pela morte. Na época da chamada santa inquisição, que de santa não tinha nada, matou-se muitas bruxas ( coitadas). Era só um vizinho não gostar e denunciar que a pessoa passava por um verdadeiro calvário. Aqui não foi diferente. A maior atração eram os enforcamentos em praças públicas. No último, em que um comerciante matou a esposa e a sogra, compareceram 80.000 pessoas. Parece que não têm o que fazer.... tantos teatros, boa música, shows variados ... mas são guiados pela  famosa atração fatal. Tudo isto nos foi mostrado ao longo do giro pela cidade. Os cárceres e as praças de execução estavam no roteiro turístico..bah!
No fim da tarde uma parada num dos animados barzinhos com mesas nas calçadas e depois o aconchego do hotel porque a noite esfria bem. Nos dias subsequentes seguimos para a casa de Macintosh, que fica dentro do famoso e belo complexo de prédios  da Universidade.( A casa não abre à visitação as segundas), Na verdade não se trata da original, que foi demolida. Essa casa foi uma réplica da que McIntosch vivia com sua esposa. É  uma concepção  mais moderna das casas inglesas. As luminárias perdem aqueles rococós dos palácios e casas clássicas e passam a ter uma forma mais arrojada. Os armários são embutidos , o que foi uma inovação para a época.  A sala de jantar é de paredes de um grafite escuro. A mesa é baixa, rústica  de madeira natural, rodeada por cadeiras negras. Tem uma certa e reconhecida influência oriental no design. Os quartos e escritório/sala de estudos fica na parte superior, que se alcança por escadas de madeira. Lá encima é tudo muito claro, com amplas janelas voltadas para os parques do entorno. A forração do chão é outra inovação para a época: o carpet. É realmente uma casa de transição entre o luxo clássico inglês e os novos tempos , em que a praticidade e um certo ar clean passaram a entrar no gosto das pessoas.
Esta casa , faz parte do Hunterian Museum. O Hunterian Museum num dos seus prédios concentra  as coleções romanas e escocesas do mescenas e cientista Willian Hunter, que igualmente  financiou as obras do prédio . O Hunterian  compõe-se ainda de museu de geologia, etnografia, egito antigo, instrumentos científicos , moedas e medalhas. Vale a pena um dia no local para ver todas as sua belezas e aprender mais e mais sobre as matérias ali abordadas.

UNIVERSIDADE DE GLAGOW

 
A Universidade merece uma cuidadosa visita. Pelo que já foi falado e também  pela beleza estonteante do prédio como toda a riquesa histórica e cultural que encerra. Fundada em 1451 é uma das Instituições de maior respeito no Reino Unido e também tem o reconhecimento mundial entre as melhores Universidades. Pensadores eminentes como o cientista Lord Kelvin e o pai da economia Adam Smith dão o quilate dessa casa de saber. 
O Campi situado em Glasgow chama-se Gilmorehill. Existem mais dois campi que situam-se fora da cidade. 
O campus Gilmorehill está localizado na região oeste de Glasgow, cerca de dois quilômetros do centro da cidade.Este Campus alia o que há de mais moderno em matéria de instalações  aos prédios  históricos. É de encantar, caminhar entre os arcos e visitar os pátios internos.

  • Entre onde for possível, claro que há áreas restritas, faça um lanche rápido e saudável na sua lanchonete variada de frutas e sanduíches naturais, iogurtes , e sucos, afunde-se na lojinha e procure peças interessantes e variadas que podem servir de souvenir ou mesmo como lembrança para algum amigo, ou simplesmente descanse à sombra num dos pátios internos. O que é um luxo, veja:

    Na badalada zona oeste, ainda existe um museu de encantar: o Kelvingrove Art Gallery and Museum, situada na Argyle Street, próximo ao Rio Kelvin.Dá para ir a pé da Universidade até lá. 


    Fomos surpreendidos por uma apresentação de órgão, logo na entrada do seu hall monumental.
    O museu em si possui coleções variadas de animais de todas as partes do mundo ( história natural), empalhados claro! Há uma ala com  dinossauros, além de  riquezas de outras culturas, como sarcófagos e múmias do Egito. Armas e armaduras também constam da coleção e exibição. A pintura mais famosa é de Salvador Dali "Christ of St John of the cross".  Há muito o que explorar neste museu, que ainda conta com restaurante, café e loja de souvenir. Em 2015 estará aberto de janeiro a dezembro das 10 horas às 17 horas. Exceto de 24 de julho a 02 de agosto que estará aberto das 10 às 20 horas. 
    THE LIGHTHOUSE
    Como podem ver, já deixei as descrições dia a dia de lado e passei para os pontos de atração na cidade. É uma questão de organização e tempo , uma vez que estou atrasada com as postagens. Preciso me apressar antes da próxima viagem.
    Bem, a Lighthouse é o centro de arquitetura e design da Escócia. O prédio data de 1895 e foi assinado pelo arquiteto John Keppie. Ele possui duas torres, a norte e a sul que servem de mirante. Uma ligada do terceiro andar ao topo do prédio, na  ala norte,  por uma belíssima escadaria em caracol. A outra, no sexto andar tem acesso por elevador. A visita une o útil ao agradável. Linda vista da cidade e o prédio histórico e belo também.
    O CENTRO MERCANTIL DA CIDADE VELHA

    Um passeio muito interessante é pelo  centro velho da cidade.  Glasgow foi um grande polo mercantil e forneceu tabaco para as colônias inglesas. Os antigos mercados e torres, valem uma visita detalhada e cuidadosa. Este centro cresceu em torno da Victoria Bridge, datada do século XIII, na margem norte do Rio Clyde.

     

     Próximo do centro antigo, está o Rio Clyde, totalmente regenerado. Ali se praticam esportes aquáticos e o entorno surgiu como uma área de prédios modernos. Inclusive  se encontra a sede da BBC - Escócia. Às margens do Rio, no passado existiam muitos estaleiros e a construção de barcos  era uma atividade forte na economia local, o que foi decrescendo depois da 2a. guerra. Então, além da apreciar um rio extremamente limpo, com patos e aves aquáticas a região deu nova feição à Glasgow de prédios medievais. Um belo contraste. Esta região revigorada contém hotéis de cadeias internacionais, há o simpático Museu Riverside,com coleções de veículos ( interativo)  assim como o Glasgow Science Centre com IMAX e planetário e um torre giratória de 127 m de altura.
     
 
 
  • PUBS E RESTAURANTES
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  • Há restaurantes por toda a cidade, claro e bem fáceis de identificar. Contudo bom dar algumas dicas, porque fomos almoçar num grego que fica na George Square, cuja comida era sofrível. O nosso hotel tem um bom restaurante , como já falei ( Grand Central Hotel).
 O considerado melhor de Glasgow, o UBITIQUOS CHIP ( , de cozinha regional, é um restaurante premiado),  não é caro. Uma refeição com primeiro e segundo pratos sai por volta de 30 Euros. Há ainda o Café Gandolf, na 64, Albion Street.
Dos Pubs mais conhecidos está o Scotia Bar, datado de 1792, The Squire House  de 1487 no West End, o Babbity Bowster, na 16 - 18 Blackfriars Street na Merchant City.
Bem, amigos, era isto que queria contar pra vocês sobre a bela Glasgow e acender a vontade de conhece-la. Há muito mais que ver.  Amanhã viajo de novo e teremos mais coisas para contar , embora ainda mal tenha começado a contar este tour pela Europa, que se estendeu até a Polônia. Uma prazerosa viagem, diga-se. Mas vou contando, na medida do possível. Até...
 
 
 








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