sábado, 12 de fevereiro de 2011

UNEXPECTED BACK HOME OU O ENIGMA DAS PIRÂMIDES

A nossa última semana em Londres foi bem planejada, retornamos a vários pontos tradicionais da cidade.
Acima: troca da guarda, no Palácio de Buckingham
Começamos a nos despedir dos nossos restaurantes usuais, mas descobrimos que o Safadi fechara para reformas,  e a sorveteria  Hagen Daz,  em  Leicester Square parece fechada para todo o sempre ( What a pity!).
Na semana anterior  havíamos trilhado a Lowndes St para tirar o visto na Embaixada do Egito e estávamos pensando em deixar o visto da Jordânia para a entrada no país, uma vez que a  companhia de turismo informou que não há problemas em pegar o visto na entrada.
O mais importante seria o Egito, não poderíamos vacilar.
Foram muitas as passadas na HARRODS, que fica próxima a Embaixada. Vou descrever a loja para os interessados em outra postagem de dicas.
Desde quarta feira eu comecei a me preparar para as férias: manicure, luzes etc... Quinta feira, dia frio demais, acordamos cedo como sempre,  rumo a escola. Após as aulas , como caiam uns floquinhos de neve, resolvemos ir ao British Museum. Almoçamos num pequeno bistrô vizinho ao Museu  e fomos rever  algumas peças  relacionadas ao Egito, tiradas de tumbas e das pirâmides, além da pedra de Roseta, que encanta a todos que a contemplam e conhecem o seu valor histórico. Voltamos para casa, como sempre, a noite.
 Nas semanas anteriores viramos na BBC notícias de uma revolta popular na Tunísia. Isto nos soou distante. Uma mera notícia de acontecimentos pelo mundo. Mas na semana seguinte rumores davam conta de que alguma coisa similar estaria ocorrendo no Egito, nosso próximo destino. Arrumando as malas, parei para seguir a reportagem que já mostrava  imagens de manifestações populares não muito pacíficas. Comentei qualquer coisa com o Toninho e continuei  com a árdua tarefa de fazer caber meus "belongings" nas quatro malas que me sobravam (mandara uma para o Brasil pelos  filhos abarrotada com os casacos de lã, mas ainda sobrava muita coisa ..roupa de frio  faz mais volume). Fomos dormir.
Dia seguinte, último dia de aula e também do mês.
 A cada final de mês a escola faz uma virada, muda professores, livros e as turmas  também. Poucos colegas continuam juntos. Eu só tive uma colega que me acompanhou em todas as turmas por que passei: a Boram, da Coréia, uma menina sensacional. Somos ótimas amigas, apesar da diferença de idade. Ela deverá cursar universidade em Londres a partir do próximo ano. No dia anterior fui presenteada por ela com doces e salgadinhos típicos da Coréia. A comunidade coreana da escola, em geral era muito afável, com o seu costume, sua  timidez, sua refinada educação, sua fala baixa, mais do  que a dos londrinos, ou seja, quase imperceptível.
O dia então foi de despedidas. No intervalo eu e a colega Ella , da Rússia, saímos para comprar um buquê de flores para a Felicity, nossa teacher. Uma inglesinha pra lá de extrovertida, que fala mandarim e grego (ufa!) mas muito exigente com freqüência, lição de casa e atenção nas aulas (strict, como dizem os ingleses).
Recebi meu diploma . Se continuasse  estaria mudando de nível, para o Upper. Fiz boa prova. A Cultura Inglesa que me aguarde...
Depois do adeus à escola e a colegas, fomos almoçar  e a seguir para o hairdresser  que estava marcado há uma semana.
Quando voltamos a noite para casa Toninho estava preocupado. Escutei ele resmungar qualquer coisa semelhante  a “ é, a  situação no Egito está  engrossando, acho que não poderemos viajar”. Isto soou para mim como uma brincadeira. Imagina! Estamos com tudo pronto, passagens compradas, hotéis, tour e navio reservados! Nem pensar em semelhante hipótese!
Comentamos com a Mary, nossa hostess e ela demonstrou tbém preocupação, pois havia acompanhado as notícias pela BBC. Subimos para o quarto ligamos a TV. A  BBC, que embora repetitiva é confiável,  estava transmitindo direto do Egito. As notícias eram alarmantes e havia buxixos de que a família do Mubarak chegara a Londres (todo mundo vem pra Londres), com cem malas e por certo camelos e escravos..Júlio meu neto riu muito quando contei esta passagem, imaginando cem escravos levando as cem malas na cabeça, que, segundo ele, estariam abarrotadas  de cachecóis. Para uma criança de 4 anos ir pra Londres significa levar muitos cachecóis para proteger daquele frio inclemente.  Ainda estão frescas em sua memória as férias de Natal.
Já era tarde, decidimos deixar tudo preparado  e rumar para Heathrow logo cedo (nossas passagens estavam marcadas para as 14.00 horas). Estávamos programados para viajar durante 20 dias e depois retornar  a Londres após as férias. Nossas malas de roupas de frio ficariam sob a guarda da Mary.
Eu  ainda tinha esperanças de viajar, mas desde cedíssimo a BBC já falava da conflagração e da violência nas ruas. A operadora de turismo, de quem compráramos o pacote, nos orientava a irmos para lá pois não se tratava de nada sério. Estava desinformada.. na melhor das hipóteses.   O que víamos na televisão não deixava margem a dúvidas, resolvemos ir até os balcões da  Egypt Air em Heathrow para o cancelamento das reservas. Foi o que fizemos. Como estava encerrando nossa estadia, também era hora de sair da casa . Lá mesmo no aeroporto fizemos a reserva para o Hilton, que  fica no terminal 4, com o qual  o hotel tem acesso direto.
Acima: vista da janela do Hilton para o próprio hotel, tudo em armações metálicas e vidro,  permitindo ver a paisagem fora.

Facilitaria nossa vida, sem termos que tomar táxi com tanta bagagem e poderíamos monitorar de perto as negociações para nossa antecipação da vinda para o Brasil.  Reservado o hotel a próxima etapa era a conversa com a TAM.  A loja estava fechada e só abriria a uma da tarde. Fomos almoçar no Rouge, um restaurante nosso velho conhecido. É por sinal o melhor dos existentes no aeroporto, quem precisar comer no aeroporto é uma boa opção. Trata-se de uma cadeia de restaurantes  de comida francesa. Há boas saladas e um prato eu me apaixonei e sempre repetia : mushrooms (cogumelos) passados na manteiga, com ervas finas. Muito bom, é start, vem numa porção razoável para entrada. Depois do almoço seguimos para a TAM e apesar da insistência do Toninho não havia passagem para aquele mesmo dia. Eu também me recusava a sair assim, de repente, como se estivesse fugindo. Fugir, só da guerra. Eu não estava preparada psicologicamente para deixar Londres e interromper a nossa viagem ainda tão cheia de planos ..
A TAM conseguiu  lugares para nós no domingo...
Das mordomias que o hotel oferece só conseguimos  usufruir do confortável apartamento, para descansar, bem entendido! Fizemos o check in , no hotel, no meio da tarde.
Para buscar nossas malas, chamamos mais uma vez aquela empresinha de taxi do bairro que pede um preço e depois cobra outro..paciência. O imigrante que  dirigia o carro  era o mesmo de outros carnavais. Insistimos com ele sobre o preço, na saída Mary ainda gritou "tratamos por  GBP 15,  entendeu?! " Mas não adiantou, o danado quis cobrar 25 e por fim acabou deixando ( rsss) por GBP 20. O velho e conhecido truque de pedir mais para negociar e chegar ao preço pretendido.
Bagagens no quarto, tomamos o metrô para Picadilly. Subimos a Regent Street até a loja da National Geographic. Os meninos fazem aniversário este mês e adoraram as camisetas da loja, então fui lá comprar.
Depois ainda fomos nos despedir do Café Concerto (Regent Street), cuja entrada está sempre obstruída por orientais com suas máquinas fotográficas tirando fotos das vitrines e seus lindos bolos decorados. Já havia passado a hora do chá, que pena,  acabei tomando uma saborosa sopa, com um vinhozinho, pãezinhos e por fim doces, que a gente escolhe na vitrine.
Domingo fizemos o check out  no hotel  por volta das 12 horas e tratamos de ir pedir o VAT REFUND no aerorporto (explico tudo nas próximas dicas) .
Acima: passarela que liga o Hotel Hilton ao terminal 4 de Heathrow

Preenchi todos aqueles formulários, entrei na fila , que aquela hora não estava muito cheia.  O policiamento era ostensivo no aeroporto, policiais de metralhadora gritavam para que ninguém deixasse bagagem sozinha que eles destruiriam. O alto falante estava incansável tbém nas recomendações. Nunca tinha visto um aparato assim  em Londres, mas seguramente era por causa da questão do Egito e pelo fato da família do Mubarak ter ido para lá. Poderia sobrar pra Inglaterra, não convinha arriscar, principalmente depois dos atentados ao aeroporto de Moscou, muito repercutido pela BBC, prestigiando a colônia russa em Londres que parece maior que a brasileira.
Começamos  os procedimentos para o embarque passando pela polícia de fronteiras e os alarmes soaram para o Toninho.. Foi um deus-nos-acuda, revistaram ele dos pés à cabeça, teve que tirar os sapatos, enfim era apenas o hearing aid que ocasionou toda aquela apreensão. Cuidado disabled  and less able, em Londres estes problemas não são muito considerados e nem podem servir de pretexto para nada.
Depois disto ficamos ainda bastante tempo nas ilhas  de embarque, cercados de lojas por todos os lados. Lá dentro tem tbém uma mini-HARRODS, e dá para comprar os últimos souvenires.
Viajei de business class e a viagem foi bastante confortável. Há espaço para deitar o banco, a comida é diferenciada (tanto que tinha um enorme cabelo no meu fois gras..e eu odeio cabelo na comida argh). De todo modo o tratamento é  mais personalizado. Uma champagne logo ao entrar no avião que é para  fazer esquecer as dores do retorno.
Chegamos, não  avisamos ninguém. Viemos direto para casa. Os filhos mandavam torpedos e diziam para ligarmos o skype que eles precisavam falar conosco. A gente retornava os torpedos no nosso celular londrino que aqui é conveniado com a TIM e dizíamos que estávamos sem internet porque nos mudáramos para o hotel. A noite  os surpreendemos, com uma visita inesperada. Muita alegria no reencontro.
Não sei se este é o fim da estória, mas  esta viagem  foi abruptamente  interrompida. Ainda estou perplexa.  A vida não pára, mas estou de quarentena. Ainda não me acostumei com o calor, faz tempo que não o sentimos já que fomos para Londres ainda durante nosso inverno e no começo do outono deles. Também  não falei com os amigos e nem noticiei para os amigos londrinos que partimos.
Aqui tudo do mesmo jeito. Fui ao supermercado e ouvi bate bocas desnecessários, fiquei vermelha..achei que havia algo de errado, mas não havia. É assim mesmo. Não que eu pretenda importar cultura de outros povos, mas um pouco de polidez faz muito bem pra todo mundo. Lá não é comum gritar no trânsito, nem xingar na rua. A sensação de segurança é grande, você pode andar de noite nas ruas (quase) sem medo. Exceções lá só  existem para confirmar a regra. Portanto, quem não gostaria de ficar muito tempo num lugar destes? Todo mundo bem vestido, cheios de bons programas para fazer (muitos de graça),  dezenas de parques  na cidade, rios e ruas bastante limpos.  
Tá certo que a Grã Bretanha é um país velho, cheio de tradições, castelos e bruxas, rainhas e ladies, mas bem que eu gostaria de poder cantar ao mundo que meu país é melhor. Eu até tentei dizer que não eramos puro samba e futebol, falei das nossas riquezas, procurei explicar o grande teatro que é o carnaval e as coreografias, disse dos costumes como o chimarrão (o nosso tradicional tea...etc) e as outras danças, como as gaúchas, mas acho que ninguém acreditou. A imagem que se tem por lá é de uma gente dançando nas ruas, sem roupa. Se fôssemos polidos e limpos (falo de não descartar lixo pelas ruas),  seríamos um país perfeito, pois temos uma linda natureza, montanhas e praias, temos o Rio de Janeiro e Salvador, tantas outras, só que tudo minado pela  violência e pela impunidade (que é um ponto cultural forte nosso), muita insegurança, vida muito cara para a população, cidades poluídas e sujas. E líderes dando mau exemplo à população, mostrando que esperteza e levar vantagem é que é normal.
Ah! Esqueci de falar dos corruptos: escândalo por lá costuma dar cana! Um político, rico e poderoso fez um esqueminha de falsificar notas de compra para reembolso; em questão de um mês estava com a condenação decretada e cumprindo pena em prisão fechada. Quando comentávamos o caso com algum britânico eles ficavam desconfortáveis e envergonhados. Isto se chama dignidade, vergonha na cara.
Gostaria de um Brasil assim,  sem certas coisas...
FOI UMA EXPERIÊNCIA MARAVILHOSA...PASSOU...PÉS NO CHÃO... VAMOS TOCAR NOSSA VIDA POR AQUI..PORQUE SOMOS PARTE DISTO TUDO. GOOD BYE LONDON..... SEE YOU....
Quem sabe por onde e quando retomarei esta estória inacabada....

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

STONEHENGE E BATH

STONEHENGE E BATH

Foi um passeio casado. Visitaríamos nesse sábado os monumentos de Stonehenge e a cidade de Bath, com seus banhos romanos.
Fomos ver primeiro a estranha formação , sobre a qual só se fazem conjecturas, ninguém tem certeza sobre a sua origem e função.

O lugar é plano, levemente ondulado e   pode-se ver grandes distâncias de qualquer ângulo do terreno. É um lugar rural, com  propriedades de criação de bois (e que bois!), porcos e ovelhas. Estas últimas são cantadas em prosa e verso nas lojinhas de souvenirs do parque.


O sítio é muito próximo ao País de Gales, visível de Stonehenge quando o céu está claro. Gales naquele ponto  está muito próximo, é só atravessar um braço de mar. O que significa dizer que com ventos e a falta de barreiras naturais para contê-los ou amainá-los, o frio fica insuportável. A boca e os dedos ficam duros, congelados.

Mesmo assim foi possível apreciar a bela e misteriosa formação de pedras. Não se trata de nenhum colosso, e por isto pode decepcionar. De fato era difícil transportar cada uma das pedras por seres humanos primitivos que não dispunham de máquinas para auxiliá-los na árdua tarefa de levantar e assentar as pedras, mas é só. A sua importância reside no testemunho da existência de civilizações primitivas naquela localidade.
De Stonehenge fomos para Bath, patrimônio histórico da humanidade. O ônibus turístico parou junto à Catedral e ali diante da bela e solene igreja, fechada para reformas, foi reunido o grupo para a distribuição dos ingressos de visita às termas.


As termas foram construídas pelos romanos no século I da nossa era  e usufruídas por cerca de 400 anos. Abandonadas, no século XVII  foram redescobertas e reconstruídas para uso pelas  altas classes da Inglaterra. No século XX começou a restauração como a vemos nos dias atuais e as suas fundações romanas servem de base para a nova casa de banhos. Como  museu  abriga peças descobertas no local, tanto nas termas como no templo que lhe era anexo e dedicado a Sulis Minerva (fusão da deusa  celta Sulis com a romana Minerva). O sitio era chamado de Acquae Sulis pelos romanos, o que significa dizer que antes deles os celtas ocuparam o local e que havia um certo respeito dos dominadores pelos antigos habitantes e sua cultura.  Foram encontradas também lápides com o nome dos soldados mortos na localidade,  com  informações de idade e procedência. Dados muito importantes para arqueólogos e antropólogos estudiosos do perfil do povo que ali viveu.


Além disto ainda mostra o interior da primitiva casa de banhos, com canalização

e  piscinas. A temperatura da água que brota do solo é cerca de 46º centígrados e a quantidade que aflui diariamente é de mais um milhão de litros (informações ouvidas no local e confirmadas pela Wickipedia) .
O mesmo prédio abriga casa de chá,  SPA e loja de souvenirs e produtos variados.


A cidade não é só termas e possui outras atrações como o Royal Crescent, um complexo de edifícios em semi círculo, semelhante ao abaixo, que lhe fica vizinho. Este trata-se de um circus,  construído numa formaçaõ de 360º.

Tem ainda a Ponte Pulteney, sobre o Rio Avon, que se assemelha à Ponte Vecchio de Firenze.

O centro da cidade é interessante e as ruas comerciais são labirínticas e sem acesso a carros.
Saímos caminhando pela rua principal de comércio e seguimos até o Crescent. Depois voltamos para a beira do Rio para uma olhada na Ponte  Pulteney. As suas lojinhas voltados para o interior, pista de rolamento da ponte , não deixam transparecer a sua localização  tão privilegiada. Por dentro da ponte há uma escada de pedra que faz a ligação com a avenida beira rio, abaixo.

O rio é plácido e tem muitas aves aquáticas e até cisnes, mas esconde armadilhas mortais, que tem ceifado vidas dos mais experientes nadadores. Isto porque possui uma comporta e no local as águas ficam revoltosas e a correnteza é violenta.

A arquitetura embora diferente e bonita na sua visão de conjunto, individualmente olhando deixa transparecer uma certa monotonia e tristeza. De um lado há pouco verde, do outro muito concreto. Mesmo assim foi um interessante passeio e com isto encerramos nossas viagens pelo interior da Inglaterra. Daqui uma semana estaremos no

EGITO . Será?
Sim, lembram-se que falei nas primeiras postagens sobre uma estranha e misteriosa viagem que faríamos para encerrar este ciclo ? Pois bem, trata-se do Egito e da Jordânia. Resta saber se conseguimos chegar lá
Vocês vão saber estas e outras  aventuras na nova postagem, nos próximos dias!

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

OLD YORK

O fim de semana não se mostrava promissor. O weather forecast dava previsões pessimistas sobre o tempo no norte da Inglaterra. Mas nós não tínhamos mais  muito tempo para escolha. Estávamos com passagem de trem sobrando e apenas mais três semanas no país. Pensávamos em conhecer ainda  uma simpática cidade inglesa, próxima à fronteira com a Escócia. Quanto mais ao norte por aqui, mais instável é o tempo e no inverno  as temperaturas são sempre muito mais baixas que no sul da Inglaterra. Parece que este ano ocorreram algumas alterações e o País de Gales e a Cornuália também ficaram imersos em neve e até sofreram com  enchentes.
Sexta feira, dia feliz, saímos de casa com as duas maletas (uma média e uma pequena) e fomos para a escola. Meio dia corremos para a Estação Kings Cross. Os planos eram de almoçarmos por lá e depois pegarmos o primeiro trem. Chegamos cedo, por volta de 12:30, lanchamos  numa das lanchonetes Subway, pois a Estação não tem restaurante. Partiria dali a pouco (1:20 pm) um trem para a Escócia, com parada em York -  a velha. Ótimo, chegaríamos cedo e poderíamos ainda fazer uns passeios pela cidade. O trem era da East Coast e a nossa passagem por ser flexível dava direito a qualquer trem (companhia) em qualquer horário. Só não tínhamos reserva, o que poderia dificultar algumas coisas, como achar lugares juntos, ou até mesmo sentar. Arriscaríamos.
O trem estava vazio, escolhemos os assentos. Quando partiu uma névoa escura cobria Londres, e uma garoa fina riscava a paisagem, confirmando as previsões meteorológicas. Paciência, poderíamos tirar o fim de semana para descansar no hotel. O famoso “lie in”. Bom.
À nossa frente viajava um senhorzinho de uns 90 anos. O alto falante anunciou a passagem do inspetor. Disponibilizamos as nossas passagens, o funcionário passou, muito gentil e sorridente, desejou boa viagem aos turistas de tão longe (nós) e continuou seu serviço. O velhinho nosso vizinho apresentou seu cartão, mas estava vencido. O inspetor explicou naquele tradicional inglês de muitos rapapés : “Sir, I´m afraid to tell you that you should be irregular... and so on..O velhinho não se alterou. Sorry, I’m awful sorry to tell you that I’ll give you a penalty. E o velhinho argumentava sem muita  vontade, que estava correto, ecc. O empregado insistia e começou a lavrar a multa , mas o velhinho com a fleugma britânica nem se a abalava. Um pouco alterado o inspetor pedia: Please Mr. sign here.
- No, I won´t, reiterava o velhinho, do alto de sua elegante capa verde musgo, de  forro xadrez e um belo cachecol sobre o tom.  Sorry Mr., but i’m quite sorry to advertise you that I’m calling the police…
Chiiii, falei para o Toninho, a coisa tá encrespando.
Fecham-se as cortinas, sai do cenário o inspetor. O velhinho continua impassível olhando o céu que já ia azulando, pela janela .
Abrem-se as cortinas, volta o inspetor, agora furibundo deixando de lado toda a elegância inglesa: Senhor eu sou uma autoridade e o senhor está me desrespeitando. Assine aqui agora! - Não!, foi a resposta. O inspetor começou a gritar feito um desvairado, mas não conseguiu demover o velhinho de sua intenção: nem assinar, nem pagar a multa.
Que stress, que falta de sossego, quando tudo parecia tão sereno tínhamos que ser testemunhas deste tremendo arranca-rabo inglês!
Mas parecia que tudo havia se acalmado, quando começamos a divisar a próxima cidade.
Fui ao banheiro e pela janelinha pude ver um movimento de policiais. Eu havia escutado também que o inspetor falava pelo rádio com alguém na estação, seguramente estava chamando a polícia.
O trem parou. Eu estava tensa, como será que eles tratariam o velhinho? Partiriam para agressão física? Cacetetes na mão?
Bem, a porta do vagão se abriu e entraram três sisudos policiais, com seus redondos e negros capacetes, uniformes impecáveis, sapatos lustrosos, algemas polidíssimas, quase um espelho. Se acercaram do velhinho: Good afternoon Mr. Could you folow us?. We must to talk to you...
Bem,  autoridade é autoridade e com um convite destes não há resistência possível. A conferência deu-se na intersecção de dois vagões. Tudo no mais puro estilo inglês de cordialidade e  civilidade. Contrariamente ao que eu pensava, os guardas procuraram apaziguar a situação, talvez por causa da idade do infrator. As vozes nunca se alteraram, mas o velhinho enfim foi convencido a assinar a multa de GBP 20, e pagar a passagem no valor de GBP 40. Ahahaha. Muito engraçado, para nós brasileiros. Agora posso soltar a gargalhada que ficou retida na minha garganta, com todo o inusitado da cena e da própria estória.
Chegamos a  York meia hora depois do fim dessa novela policial burlesca. O frio estava intenso, aqui sempre por volta de zero graus, variando a sua intensidade e a sensação térmica, com a presença ou não de vento.
Hospedamo-nos no Ibis, próximo a estação e as portas da cidade.Confiram:


 A primeira visão que tivemos foi da muralha, porque a estação fica do seu lado exterior, separado apenas por uma rua.

Feito o check in saímos passeando. Precisávamos fazer uma oração e resolvemos ir direto na Catedral de York.


Ao entrarmos vimos um anuncio de que iria começar em quinze minutos um serviço religioso com o coral da igreja. Foi muito bonito e solene, o "choir" era muito profissional, eles levam muito a sério qualquer atividade, mesmo que seja um hobby.

Depois disto ainda passeamos pela cidade velha, céu aberto, lua linda e cheia, muito prateada, dava um ar fantasmagórico à cidade, se esgueirando por trás de velhas torres de pedra, árvores secas, velhos prédios medievais abandonados, cemitérios de lápides tortas,  também muito antigos. Arrepiante.

Fomos jantar no restaurante Gert e Henry, comida saborosíssima e cuidadosamente elaborada, clima suave. Localizada na Market Street:


a velha casa de  1600 é de fato muito charmosa, com lareira da época, em ferro, que servia também de fogão para os seus primitivos moradores. 

Tudo fascinante, tanta história, tantas vidas passadas. Tudo ali, presente. Relembranças.


Fomos dormir, bom aquecimento. Acordamos por volta de 9:00 horas. Tomamos um bom café da manhã e pé na estrada. Caminhamos por sobre as muralhas, apreciando as casas de dentro e de fora.



Descemos no centro da cidade. Entramos  casualmente no parque onde está localizado o museu arqueológico de Yorkshire.

A região é muito rica neste aspecto porque por ela passaram celtas, romanos, saxões e vikings, além dos normandos. Há muitos vestígios destas civilizações: moedas, jóias, vasilhames domésticos, túmulos com inscrições. Das escavações foram retiradas  paredes, pisos de mosaico, utensílios domésticos. Voltamos à rua do  Mercado, que parecia de fato medieval, como se vê nos filmes.
Almoçamos frugalmente porque eu estava de olho na janta (depois conto). Caminhamos por todo o centro velho.

Seguimos para a Rua do Mercado, tão medieval que até parece cenário de filme. Compramos algumas lembrancinhas e panos de prato com receitas como a do  Yorkshire pudding.




A seguir fomos ao museu Viking JORVIK. Muito interessante. Entre áudio visuais e vestígios de escavaçôes se chega a uma sala com cadeiras tipo teleférico. Embarca-se e viaja-se no tempo, pela história dos vikings: suas casas, parte interior e exterior, quintais, criações, cachorros, mercados de peixe e de carne, barcos. Os cheiros são característicos da época e não chegam a ser agradáveis. Os bonecos são robotizados e se movem. Vale a pena ver, principalmente se estiver acompanhado de crianças e adolescentes. É como um parque temático.
Visitamos ainda a torre Clifords, cujo morro artificial foi feito pelos normandos em 1090.

Finalmente a tardinha, já escuro, fomos à tradicional Casa de Chá da Betty ( a janta de que falei acima) . É semelhante a Confeitaria Colombo, do Rio de Janeiro. Quem não se lembra da bela casa de chá em Copacabana, com piano (aliás quem tocava lá era um primo de minha mãe) e quitudes deliciosos?! 
A Casa da Betty  ( Bettys Cafe Tea Room) também tem um belo piano, música suave, baixelas de primeira qualidade, louça inglesa (nacional!) da mais requintada. O serviço é impecável, os salgadinhos servidos em bandejas de três estágios. Os docinhos muito bem decorados, sabores atraentes,  marzipan, marron glacê e outras iguarias. Não sobrou farelo. O chá veio servido  com leite, como quando eu era criança (e não gostava) mas resolvi arriscar. O gosto de infância prevaleceu sobre o paladar. Adorei. Foi o melhor chá completo que tomei no Reino Unido, o famoso 5 o’clock tea, que ninguém mais sabe o que é. Agora eles chamam de Afternoon tea. Que decepção!
Voltamos para o hotel, noite alta, jovens pelas ruas em grupos, roupas extravagantes, moças com sapatos altíssimos, mini-saias curtíssimas, vestidos leves próprios para  uma balada no Rio de Janeiro e não na velha York,  alguns graus abaixo de zero. Um frio de atormentar.
Domingo saímos novamente sem lenço e sem documento, rodeando as muralhas. O Rio  Ouse transbordou em alguns pontos.
A Municipalidade estava com bombas tirando o excesso das ruas vizinhas. Os moradores pouco se importavam com o pequeno incidente atmosférico e  corriam pela avenida que margeia o rio ou faziam remo, um esporte bem apreciado por aqui.
Chegamos por vias transversas ao centro, fomos visitar o  Museu do Castelo (York Castle Museum). O tema é relativo a casas vitorianas e a evolução até os anos 50 (1950). Bem ambientado,  ruas e armazéns, delegacias e escolas. Depois apareceram as primeiras máquinas domésticas, os “reclames”, as primeiras caixas de sabão em pó (rinso, etc..) Ainda mostraram um casamento, um funeral, nascimento nas mesmas épocas, tudo com documentos e fotos de habitantes da cidade. Também tem uma exposição de antigos brinquedos. Bastante interessante.

Almoçamos num restaurante italiano  o Piccolino,  do lado do rio, na 18, Bridge Street. É excelente a comida e o ambiente é refinado. Voltamos ao hotel, fizemos o check out e volta para Londres. Desta vez  sem " noise" , sem o velhinho do golpe. 
Ainda sobre York eu recomendaria por se tratar de cidade muito rica historicamente, por poder ser explorada em pouco tempo,por  ter uma arquitetura atraente e diversificada, comida excelente e povo muito afável. Apreciei.
Nos encontramos em STONEHENGE....sábado que vem.
 



sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

ANO NOVO

Chegamos a Euston e logo tratamos de pegar aqueles confortáveis táxis ingleses, os pretinhos. Adoro aqueles carros, são a cara de Londres. Tem mais a ver com a circunspecta cidade do que os ônibus vermelhinhos de dois andares, cujo papel, apenas, é de  colorí-la.
Ao chegarmos no endereço,  Ricardo estava nos esperando na calçada; havia feito o check in, uma burocracia a menos para nos que estavamos querendo um repouso. O hotel era o Thistle Westminster, que fica na Buckingham Palace Road, de canto com o Palácio do mesmo nome. Podiamos ver do apto os dominios privados de Sua Majestade.Vizinhança real, quem diria! O Julio. o Vitor e eu ficamos na janela imaginando coisas que se passavam na casa vizinha, rssss. Sua Majestade, será que estaria sentada no trono, de cetro e coroa?....Muitas conjecturas e belas risadas.
Alugar um flat em vez de hotel convencional foi a melhor coisa que fizemos nestas férias. As crianças podiam correr pelo apartamento, brincar e até ensaiar uns gritinhos (whisper, whisper).

Como havia comunicação entre os cômodos, o Vitinho ficava dando voltas pela casa, uma graça. O apartamento teve no primeiro dia um problema de aquecimento de água para banho. Foi um stress, porque o Rodrigo toma banho fervendo. Rolou um mal estar com o recepcionista do hotel, que não gostou do tom da reclamação. Tivemos que pegar todas as panelas para esquentar água e tomar banho de banheira. Isto é impensável para um hotel quatro estrelas, mas aconteceu. No dia seguinte veio o  "plumber" e  reparou o defeito. O problema era  sério mesmo,  no boiler.
A programção para os dias subsequentes foi intensa. Tínhamos com os pequenos ingressos para assistir SNOW MAN. Fomos na matinê das 11 da manhã no Peacock, teatro que fica em Holborn, próximo a estação Holborn do metrô. O Vitinho gostou da moto amarela que aparecia no palco dirigida pelo homem das neves. Os efeitos eram interessantes, os atores voavam por sobre as cidades, os mares. Mas tudo com gosto de "dejá vu", pois em Gramado no ano passado vimos um show semelhante e em Nova York também, o Christmas Espetacular, na Broadway.
Os passeios prosseguiram pelo Museu de História Natural, foram ver as múmias e a pedra de Roseta no British Museum. Fomos todos na London Eye, passando pela ponte Millenium (só de pedestres). Eles adoraram a vista da roda gigante:


Teve também o Wonderland. Assim como em Edinbourgh trata-se de uma empresa alemã que leva os parques para outros países. Tudo é muito caro. Exemplificando: compra-se 20 libras de ingressos. Cada libra vale um ponto. Os brinquedos tem preços variados, 4 pontos, 8 pontos. Cosiderando que cada libra custa perto de 3 reais, os brinquedos mais simples custavam cerca de 12,00 reais. Isto para dois ou tres minutos de brincadeira. Então é um verdadeiro caça níqueis, máquina de fazer dinheiro, porque criança não se contenta com dois três minutos no brinquedo. Lá havia  também um rink de patinação no gelo,  que estava sempre lotado. Este parque fica montado na época de final de ano no Hyde Park.
Outro passeio que eles gostaram muito foi a loja de brinquedos da Hamley's e da MONTEZONE -  esta é de brinquedos para meninos e fica na High Holborn, Os brinquedos são incríveis. A Hamleyes principal está instalada  na Regent Street, é mais famosa e tem muita tradição pois foi  fundada nos anos 1700. Ela  rivaliza com Fall Schwartz e Toys R US,  de N. York.
Outra coisa que os atraiu, e agora estamos falando de Londres para crianças pequenas, foram os guardas da Rainha, com aqueles capacetes de pelo, enormes. Quanto aos cavalos da Horse Guard, o amor foi recíproco:



 Outro passeio que os agradou sobremaneira foi a visita ao St. James Park. Ele liga o Palácio de Buckingham até as proximidades do Trafalgar Square, também vizinho a Horse Guard. O parque tem muitas aves  e esquilos. Os esquilos são muito apreciados pelos turistas e pelas crianças. Este parque tem banheiros limpos, aquecidos e facilidades para pessoas com necessidades especiais.



Não estou seguindo rigorosamente a ordem das visitas, mas outros passeios distrairam os meninos na Londres  "cloudy and coldy". Um foi o Aquário que fica junto a London Eye, outro foi o Castelo Tower of London. O Castelo tem no prédio central, a White Tower que funciona como museu e tem  exposição de armaduras de reis ( Henrique VIII, p. ex.), réplicas em tamanho natural de cavalos, tem espadas e armas de todos os tipos, que povoam o imaginário dos meninos-heróis. O Museu ainda possui alguns objetos que permitem  a criança interagir e brincar  com arco e flexa, atirar com canhão para afundar navios, etc..
O primeiro do ano foi marcado por um jantar em um Restaurante em Holborn, cuja gerente é brasileira e o ambiente e bem amigável. Conhecemos este pessoal  no nosso dia a dia.Vimos que  crianca ali é bem recebida e resolvemos optar por um restaurante onde ficássemos tranquilos. No nosso jantar  até o cozinheiro "Seu Geraldo" apareceu para nos cumprimentar.  


Dali saimos para a queima de fogos na London Eye. A multidão era de cerca de 500 mil pessoas, segundo as estimativas da Policia. Era uma massa humana, o que me deixou muito insegura. Havia avisos explicitos para não levar crianças.
Queima de fogos sempre encanta as pessoas e acho que desta parte  todos gostaram. Depois houve a debandada, tudo foi voltando ao normal com calma, mas nós ficamos esperando sair a maioria para nos deslocarmos do nosso cantinho. Acabamos de festejar em casa, com uma champanhe.



Ricardo, o outro filho, mais a esposa,  fez passeios independentes, programados e com interesse próprios na área de arquitetura e história. Visitaram Camden Town Market, e as docas restauradas, bem como condominios residenciais do entorno. Foram ainda a  Greenwich e a o bairro futurista de Londres nas proximidades da London Tower. Visitaram a Harrods, o British Museum, o Historia Natural e o Vitoria e Alberto. Foram ao teatro ver o Rei Leão e gostaram muito. Gostaram ainda da Baker Street, com a casa/museu do Sherlock Holmes e o Museu de Cera Mme Tusssaud ( neste foram juntos com Rodrigo, Eryka e as crianças). Viram a troca da guarda, dentre outros passeios tradicionais porque a Carol não conhecia a cidade.
Assim passou voando a última semana em família e deixou muitas saudades e um pouco de melancolia....Para curar melancolia, só continuar estudando e .....VIAJANDO. Aguarde-nos em YORK, nossa próxima parada.

sábado, 22 de janeiro de 2011

NATAL EM EDINBURGH


Difícil retornar às lembranças do Natal. Mas vamos lá, em alguma momento elas tem que aflorar. E inevitável.  Foi penoso sair de Inverness, onde passamos momentos tão agradáveis. Mas a programação tinha que ser cumprida e tinhamos booking no hotel em Edinbourgh e no trem também. Não que o do trem representasse alguma certeza, como vocês puderam ver na postagem anterior. Então, para evitar problemas fomos cedo para a estacão, muitas malas, muitas criancas rsss, carrinhos de criança e gente adulta para atrapalhar. Desta vez foi menos estressante, mas os joguinhos do meu computador estavam bloqueados o que irritou um pouco o Julio. De fato é monótono para criança viajar por horas, sem ter o que fazer, mas esgotamos o repertório de historias, que sempre giravam em torno de Campos do Jordão e das inesqueciveis férias com  o priminho Cauê.
Chegamos em Edinbourgh anoitecendo, ou seja no meio da tarde. Um frio cortante e uma paisagem muito escura, ceu nublado.

Tinhamos reserva para o Premier Inn, que tem quartos bem grandes, camas king size, banheiros confortáveis. O hotel tem restaurante, comida correta, o atendimento é cortês. O café da manha é cobrado separado, por volta de 8 libras por pessoa. No dia da chegada descansamos, tomamos longos banhos, colocamos emails em dia, ou seja fizemos os acertos para a estadia mais prolongada pela Escocia.
Nessa mesma noite recebemos um email do restaurante em que havíamos feito  reserva para a noite Natal ( dia 24), confirmando-a, mas ao mesmo dizendo (nas regras anexadas) que nao aceitava crianças com idade inferior a 18 anos após as 8 da noite. O restaurante era o Living In, no centro, com vista para o Castelo. Foi uma surpresa porque na reserva constava o nome das crianças e as idades delas. Ligamos para o restaurante para evitar cobranças no cartão de crédito e multa por não comparecimento e cancelamos a reserva. Estranhamente eles demonstraram surpresa, mas mais surpresos ficamos nós com a falta de cuidado deles. Resolvemos que seria melhor fazer o jantar de Natal no próprio hotel. Eles estavam com o menu publicado: turkey ( peru) ,chutney de frutas vermelhas,  batatas ( claro), tortas salgadas, e o " lechitimo" pudim de natal inglês ( hummmm que delicia).Portanto iriamos comer uma ceia de natal inglesa, com certeza.
Dia 23 amanheceu um lindo dia de sol e neve. Fomos para o centro, a pé, pois não ficava longe do hotel e iamos aproveitando para ver a cidade. A primeira parada foi no Parque da Igreja de Saint John. As crianças brincaram no parque nevado e fizeram anjos de neve.




Depois fomos almoçar num dos restaurantes da rede Bella Italia, porque eles tem pratos infantis e algum espaço para carrinhos.



Na foto acima a festa de Reis, com direito a coroa e tudo,  no restaurante Bella Italia ( tradição dos britânicos, eles dão tbém um presente -  vide um na mão do Julio acima . Tem que arrebentar o envólucro , puxando, para soltar a lembrancinha).
Fomos para o Parque da Princess Street com as crianças. Este era um dia mais delas que dos adultos. O Julio patinou com a Eryka e o Vitinho ousou na cama elástica, dentre outros brinquedos.



Julio se apoiando no pinguim acima.

O Bebê voador. Ele voou alto, sem medo.
Finalmente, após o dia exaustivo fomos ao Christmas Market ( mercado alemão) comprar a ÁRVORE DE NATAL. Pode Natal sem árvore? Não o meu.  Lá se encontra de tudo para a ocasião, inclusive aqueles tradicionais enfeites feitos de madeira. Pois achamos a árvore ideal: em madeira, com mil balangandãs para a alegria dos meninos. Vejam:



A noite foi uma festa para eles montando a árvore e depois mostrando-a no skype para os outros avós e para os parentes.

Dia 24 fomos cedo para compras finais, enquanto Rô e familia procuravam um Laundry para lavar a roupa suja dos meninos ( considerando-se que cada um trouxe 17 calças e outras tantas meias calcas, imaginem a quantidade!) Ninguém é exagerado nesta familia!
A tarde nos encontramos para almoço no próprio hotel. Dali mesmo pegamos um táxi para o Castelo, mas não pudemos visitar porque ja estava fechado e só abriria dia 27.



Descemos a Royal Mile, visitamos a St Giles Cathedral do seculo XII, linda a igreja, achei mais bonito o se interior. 

Continuamos visitando pontos turisticos do centro e voltamos para a casa para preparar a noite de Natal.
Descemos para o restaurante por volta de 8,30 pm. Comemos o peru inglês,que era saboroso e óbvio tinha pouco sal.  Faltou uma forofinha. Veja o prato do Toninho:


Relembrando que a escócia  é bem mais perto do Polo Norte do que o nosso distante Brasil, o papai noel iria passar mais cedo. A festa seria no nosso quarto. Preparamos tudo, compramos velas. Eles entraram cantando musicas de natal e correram para a janela, pois o papai noel com seu trenó, estava ainda por ali....vejam a luz do treno refletindo na neve!!!!



E ai? Papai Noel foi embora e não deixou nada? Não é que deixou? Olhem: Star Wars!!!!



brinquedos! Que alegria!




Foi uma agradável noite para eles e para nós que nos alegramos com eles.

Dia seguinte novos passeios. eles resolveram ficar dormindo, mas nós, os mais jovens rsss  temos sempre mais energia e colocamos cedo o pé na estrada... Seguimos para a Royal Mile, que é chamado  o coracão da cidade velha, com casas medievais.
Logo abaixo da Tower Hill, onde se situa o Castelo de Edinbourh existe uma antiga igreja " Tolbooths Church" , de estilo gótico. Agora nela funciona uma casa de nome Hub's,  com café / restaurante e um centro de Artes. Adiante, esta situada a  Canongate Churh, mandada edificar pelo Rei  James VI em 1688. No cemitério que lhe é contiguo esta enterrado o secretario de Mary stuart.


O próximo prédio digno de nota é o  Moubray House, um dos predios mais velhos da Royal  Mile. xo

Acima  a torre do relógio de Canongate Tolbooth  onde funciona o  People's Story Museum  antiga prisão. Esta Rua com vários nomes começa no Castelo e termina no Palacio Holyrood, que na ocasião estava fechado a visitação porque um dos membros da familia real estava hospedado lá.


O local tem uma bela vista  e atrás tem um parque enorme com morros altos e cheios de neve onde o pessoal brinca. Julio e Vitor ganharam um trenó e brincaram na neve no dia 25 de dezembro.
Fizemos sight seen de ônibus (aqueles de dois andares) enquanto os meninos brincavam e pudemos ouvir as estórias de horror que permeiam a história de Edimburgo e que são exploradas nos tours noturnos de fantasma. Mas eles tem um longa tradição de mortes em forcas, na fogueira ecc. Uma coisa que me impressionou muito foi a morte das mulheres consideradas bruxas. Eles levavam a criatura para o morro do Castelo. Prendiam cada mão no pé oposto de forma que o corpo parecesse um bola e atiravam no lago abaixo. Se a mulher sobrevivesse é porque era bruxa e deveria morrer na fogueira. Mas como eles eram cristãos eles a  estrangulavam primeiro, como medida de caridade, e depois lançavam o corpo na fogueria. Se morresse afogada, a família receberia  um pedido de desculpas e poderia tbém providenciar  um enterro cristão É mole? Fiquei muito mal impressionada e nem podia mais apreciar a beleza daquele monumento ao terror, sem me lembrar dos acontecimentos do médio evo.
Dia 27 cedinho fomos para o mesmo Castelo, para uma visita. Chovia ou nevava fino, já nem sei mais. O local é muito interessante e as crianças gostaram muito do museu da guarda da Rainha, com muitas animacões de guerra, pequenos tanques e cavalos.

 Incrivelmente o Julio  gostou de ver os brasões dos que tombaram na segunda guerra mundial, num panteão que se situa dentro das muralhas. Vimos também o quarto em que Mary Stuart deu a luz ao seu filho futuro rei James VI e a parte intima do castelo, onde viviam. Do alto a vista da cidade é também muito bonita. Dentro das muralhas  pode-se apreciar o prédio mais antigo de Edinburgh, a Igreja de Sta Margarida, datado de do ano 1076.  De fato Edynbourgh e uma bela cidade e merece ser vista na primavera, quando tudo fica mais iluminado e não deve ser  tao sombria e gelada.
Bem, teriamos muita coisa para falar de Edinbourgh, tais como as liquidações de cashmere, brinquedos infantis, kilts, dentre outras lembrancinhas do lugar. Achei que vale a pena comprar, devido ao tempo tào fechado e frio as liquidações começaram antes do natal. Os preços são bem menores do que os praticados em Londres para os mesmos produtos.
Mas Ricardo e Carol chegaram, já se comunicaram que estão nos esperando no hotel em Londres e é hora de levantar acampamento. Rumo a Londres...Nos encontramos lá.

domingo, 9 de janeiro de 2011

Entre o inferno e o paraíso

Muita coisa aconteceu neste Natal. Uma grande nevasca, até certo ponto inesperada chegou junto com os filhos e netos  e impediu-os de aterrisar em Londres.

Heathrow, tão inglês, sempre working, enquanto Gatwick ou os demais fecham pelo mau tempo, desta vez sucumbiu. Foram três noites de angustia e apreensão principalmente pelas  crianças entre idas e vindas ao aeroporto Charles De Gaulle em Paris, para onde o vôo foi desviado. Como tínhamos planejado as viagens, dia a dia, assim que a família chegasse iríamos direto para  Glasgow, na Escócia, onde começariam nossas férias.  Nossas passagens de trem estavam reservadas, os hotéis também, tudo  com prazo , mas o atraso  de três dias arruinou a primeira fase da viagem.
Chegamos a ir a Glasgow, mas foi uma rápida passagem  correndo atrás do itinerário. Foi uma passagem relâmpago  sob  neve  no dia 21 de dezembro. A tarde estava escura, não tivemos tempo sequer  de almoçar. O trem saiu da Estação de  Euston/Londres  aí pelas 8 da manhã. Meus familiares conseguiram aterrisar em Heathrow  a meia noite da noite anterior. Saímos do aeroporto pelo meio da madrugada. Havíamos acertado dois taxis, que compareceram na hora marcada. O acerto foi feito com uma empresa de taxi  aqui do bairro mesmo, para evitar os extorsivos preços do aeroporto durante a madrugada. No entanto o taxi cobrou mais do que o acertado. E os dois elementos que vieram não estavam para brincadeiras nem para discussões. Pagamos sob protesto e pronto. Estou anotando no meu caderninho para reclamar com Sua Majestade na próxima entrevista que tiver com Ela. Explico: aqui não tem juizado de pequenas causas, PROCON ou outras ajudas ao consumidor como em  alguns países adiantados que conhecemos! (Aos meus leitores do Japão, Rússia e EEUU adiciono que  esta última frase contém ironia própria dos brasileiros – falar com Sua Majestade quer dizer que não temos com quem nos socorrer, uma vez que falar com Ela é uma coisa impossível para o comum dos mortais).
Well, Seguimos direto para o centro da cidade próximo a Estação de trem, booking feito pela internet. O hotel era uma daquelas casas inglesas típicas. Simpático,  mas o preço cobrado não correspondia ao conforto que se esperava . Colchão ruinzinho, banheiro apertado.” I woudn’t recomend”. Deixa pra lá, umas horinhas só...Bem por isto, nem o café  da manhã pudemos tomar. Uma rápida xícara e começa a correria.
 Tínhamos reserva na Virgin Trains, não havia porque se preocupar, mas alguém já me falara da desorganização dos trens que servem a Escócia. Não acreditamos. Mas estava começando um calvário. Quando entramos no trem a turba já tinha tomado conta. As malas nos corredores impediam a passagem para carrinhos , crianças e malas. Entramos no vagão errado e eu mandei um escocês de dois metros de altura, se levantar porque o lugar era meu. O homem ficou meio desconcertado, e já ia “obedecer” quando descobri o erro. Que vergonha! Mas eu já estava ficando muuuiiiito irritada. Fomos pulando por cima de pessoas (aos montes, como gado) até chegarmos aos assentos corretos . As pessoas que os ocupavam se recusavam a deixar os lugares dizendo que as reservas estavam canceladas..rsss... Foi preciso a intervenção do Chefe de trem  ( não sei se é assim que se chama o funcionário que atende nos trens), para as pessoas cederem os lugares.
Retomando....Depois de muitas horas de viagem chegamos  a Glasgow, cansados , com sono e fome. Quando nos sentamos no restaurante da estação para almoçar  descobrimos que o trem para INVERNESS, partiria de outra estação em cerca de 20 minutos. Não  havia um taxi sequer no ponto. Acho que nem eles ousariam sair a rua com aquele frio . Olhamos o mapa e descobrimos que a estação ficava a umas tres longas quadras  dali. Enrolamos o que deu das comidas e sucos  para as crianças e  sem abandonar  os  trolleys ( carrinho para transportar malas) pertencentes àquela estação cruzamos o centro da cidade numa correria alucinada. A neve caindo impiedosa.  Chegamos a 10 minutos da partida do trem. Ainda tínhamos que validar as passagens ( compradas a partir do Brasil, para 4 viagens no período de 2 meses). Havia fila, com certeza perderíamos também este trem. Já havíamos perdido os dias de Glasgow. Nada estava dando certo.
Mas a fila andou rápido e o  trem atrasou. Havia qualquer defeito a ser reparado, pois os mecânicos corriam de um lado para o outro. Depois vieram pedir desculpa e  suprimiram um carro. Ou seja, novo aperto, nova falta de lugares.
O trem lotou, não achamos lugares juntos. Fui para a primeira classe com o Julio ( meu neto mais velho – de 4 anos).A diferença entre a primeira classe e a segunda era uma mesa entre os assentos, o que tornava os espaços super apertados e muito mais desconfortáveis do que a segunda.  Sentamos numa dessas mesas. Na minha frente o Julio  e a sua esquerda uma moça que não tirou nunca os olhos do livro que lia. Ao meu lado   homens autralianos conversavam aos altos brados . O inglês deles era ininteligível. Não sei o que falavam, mas não me pareceram amigáveis. Fiquei desconfortável com aqueles pinguços barulhentos em volta. Rodrigo, meu filho e pai do Julio,  sentou por perto, num outro banco.
 Assim saiu o trenzinho com dois vagões rumo ao pólo norte, em meio a uma solidão branca e gelada. Lindo nao e'?  Confesso que estava um pouco decepcionada com a situacao, eu, que sempre  fora uma apaixonada por trens e que sempre achei muito romântico viajar de trem. Tentava me consolar pensando que tudo devia estar assim caótico por causa da proximidade das festas natalinas. Agora, pensando  racionalmente concluo que  nada justifica a incompetência administrativa da ferrovia britânica (VIRGIN TRAINS) e pior ainda, o desrespeito com que tratam o usuário dos seus serviços. Overbooking no local é regra.Fique de olho caro leitor, quando quiser viajar de trem para a Escocia.
Quase uma hora depois chega o Toninho chamando para sentarmos todos juntos. Assentos cara a cara, espaço para as crianças. Algumas pessoas que ocupavam os lugares haviam descido numa das paradas. Alívio grande. Achei meu computador e o Júlio que já estava ficando irritado, ficou absolutamente entretido com os games e jogou até o trem finalmente chegar na distante Inverness.

Estação pequena, já havia anoitecido. Tudo escuro. Tiramos fotos: BENVINDO A INVERNESS.


O frio confirmava o nome do lugar, para nós brasileiros. Treze graus abaixo de zero, era de gelar os ossos. As crianças foram cobertas com cobertores e o carrinho fechado com plástico a prova de chuva e neve. Rodas altas para rodar pela neve.


Aguardamos um pouco até aparecer um taxi, dois..O hotel era muito perto. Passamos por um restaurante animado, a fome apertava. O hotel foi uma agradável surpresa.



 Muito bem localizado a beira do Rio Inverness, diante do Castelo que  o margeia.( Cidade que se preza na Grã Bretanha tem seu castelo).

Hotel aconchegante, bem decorado, camas king size, macias e cheirosas, aquecimento reconfortante. Lareiras acesas, apenas para dar o efeito romântico, já que o aquecimento é feito como em toda a Grã Bretanha, através de uma central de aquecimento com o calor sendo difundido pelos radiadores, instalados em todos os aposentos.
Decidimos fazer uma rápida higiene e sair para comer, naquele alegre restaurante que havíamos divisado na vinda, e ficava a poucos metros do hotel. Apesar do frio polar, a lua brilhava enorme e prateada no céu do local mais ao norte do mundo em que  haviamos pisado ,até então. Era o fim do nosso sofrimento de tantos dias. O jantar foi fantástico e não só por causa da fome.
Neste restaurante amigável, como todos em Inverness, conhecemos um senhor francês, chefe de cozinha numa localidade próxima a Aberdeen. Conversamos muito, e a gente o viu chamar o chefe para  elogiar a cozinha.
Passeamos um pouco, mas com temperatura tão baixa e um dia tão cheio de emoções não era possível continuar por muito tempo longe do aconchego e do calor do hotel.
Acordamos cedo, tomamos o café, encontramos o chefe de cozinha francês que nos cumprimentou efusivamente ( estava hospedado por coincidência no mesmo hotel). Meu filho e família quiseram descansar e ficaram dormindo. Toninho e eu saímos sob o inclemente rsss  sol  do norte do mundo ( no inverno). Visitamos o castelo, que fica no centro da cidade e diante do nosso hotel , na margem esquerda do Rio Inverness. Embora houvesse neve por todos os lados, as calçadas estava limpas, podia-se andar em segurança. O sol deixava tudo mais bonito. As casas são muito bonitas. Fora do centro histórico pudemos apreciar as moradias , os conjuntos habitacionais dos cidadãos de Inverness e o que vimos nos agradou bastante.
Voltamos ao hotel, chamamos um taxi Van e fomos com toda a família para o lago Ness. O taxista nos deixou lá e voltou para a cidade aguardando a chamada para o retorno. O lago Ness é muito azul e fica em total harmonia com o céu  e a neve que cobre suas margens.


De repente, vimos  Nessie , que  mergulhava e aparecia. Nos sonhos do Julio ela  piscava os languidos olhos de longos cilios, e por fim cansada deitava sua cabeça pequena em seu  colo macio e adormecia sorrindo, enquanto ele fazia cafuné e contava histórias do Brasil.


Eles compraram muitas Nessies no shopping da dinossaura e Julio passou a dormir agarrado a ela, todas as noites após esse memorável encontro.
A tardinha rumamos para Edinbourgh, mas esta é uma outra estória.
   SOBRE INVERNESS: INVERNESS e' uma pequena cidade ao norte da Escocia e proxima ao Circulo Polar Artico. O povo e' gentil como as pessoas do interior costumam ser. A cidade oferece todos os confortos de outras cidades maiores. Bons hoteis e lojas, alem de restaurantes. Tem uma rua principal para pedestres, onde se localiza quase tudo que a cidade tem para ver e servicos a oferecer. Tudo muito facil de localizar.
O lago Ness fica nas cercanias, mas o centro de apoio ao Turista ( barcos e compras), fica a cerca de 15 km do centro. Existe empresa de turismo ( pode-se fazer o booking junto ao Castelo, na rua principal) que faz o passeio, leva de barco pelo lago e depois para visitar uma ilha que possui um castelo em ruinas. Passeio agradavel.
O taxi cobra pelo taximetro e custa aproximandamente 45 libras , uns R$120,00 - ida e volta.
I'd recomend.

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